segunda-feira, 19 de setembro de 2016

A arte de ficar caladinho (a)

Hoje nós vamos falar sobre essa arte maravilhosa de ficar calado!
Já perceberam o quanto é difícil permanecer calado por um tempo? Mesmo quando numa roda de amigos ou no trabalho?



Sim, a dificuldade é enorme, mas os benefícios são maiores ainda. É necessário tato para saber a hora de falar alguma coisa. A palavra é uma das coisas que você 'atira' e não tem mais volta. Palavras machucam tanto quanto armas, pois deixam a marca dentro de nós. Palavras também ajudam, claro, quando ditas no momento e do jeito certo. Da mesma forma que o silêncio. 

A arte de ficar caladinho envolve muita paz interior e muita paciência. É aquele ditado né: vamo fazeno às vezes é melhor cultivar a paz do que ter razão (mais ou menos isso). Ou seja, de vez em quando compensa você escutar uma pessoa falar merda e não passar na cara dela a (sua) verdade. Esses momentos são cruciais para a nossa elevação espiritual (eu acho), porque pessoas como eu, que se arrependem de tudo, falam alguma bobagem nessas horas e passam por momentos posteriores de arrependimento. Infelizmente pra mim é assim.

Eu convivo com pessoas que são super sinceras (eufemismo). Na verdade elas não têm um freio na língua e falam sem pensar, pensam que a sinceridade pode vir acompanhada com um punhado de merda por não saber o jeito de falar as coisas pra alguém. NÃO! Ser sincero não implica falar o que bem entender.

Também convivo com pessoas caladas de mais. Não que seja uma regra, mas guardar tudo para si pode ser uma forma perigosa de explodir no futuro. Dá pra sentir a raiva na pessoa, emanando como uma corrente elétrica ao redor. É complicado, né? Nem ficar calado de mais nem falar de mais. A vida é assim: achar o equilíbrio entre tudo. Seria bom um manual de instruções, mas isso não existe.

Olhe para as pessoas que você convive. O que elas falam. O que você fala de volta. É melhor falar de volta ou ficar calado e evitar uma discussão sem fundamento? É melhor falar de volta ou é melhor se distanciar um pouco porque a pessoa só fala em coisas negativas? E você, fala muitas coisas negativas? Todo dia é dia de mudar nossas atitudes. 

Venho tentando ficar caladinho a maior parte do tempo. Confesso que é muito difícil. Mas só em constatar que estou tentando me dá uma percepção de que posso mudar isso. É tudo tão complicado. Ter com quem conversar hoje em dia está cada vez mais difícil. Conversar coisas relevantes pra você e para o outro. Sendo assim, quando você encontra alguém para poder quebrar o jejum das palavras o momento se torna único e especial, assim como a pessoa com quem você compartilha suas palavras.

Um próximo post seria: a arte de ouvir com os dois ouvidos. Isso porque muita gente ouve as palavras com um ouvido, mas logo elas saem pelo outro.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Hoje eu acordei mais confuso do que o normal

Primeiro eu teria que fazer um glossário aqui pra definir certas palavras. "Normal" seria uma delas, mas daria um post inteiro e eu não conseguiria dizer o que ela parece pra mim sem te deixar tão confuso (a) quanto eu. Mas eu quero dividir a confusão de hoje com vocês. Segura na cabeça que eu tô que nem o Psyduck da Misty hoje...

                                            

Mais uma vez eu achava que estava em um rumo na vida e talvez não seja o que eu realmente quero. Me peguei a pensar o que eu fiz até agora e isso é tão perigoso. Claro que não tem como mudar o que foi feito, mas se pode mudar a partir de agora e tentar um novo fim. Todo mundo já ouviu essa. Nesses anos de vida que tenho tentado começar a viver e não apenas existir eu já desci tantas vezes ao fundo do poço e voltei que talvez eu seja um balde (vi isso no face). Não sei se essa situação é boa pela minha resiliência pungente de passar por situações ruins e me reerguer, ou se é ruim por estar entrando em situações ruins mais do que eu gostaria. Para isso eu criei, mais ou menos, a teoria da roleta . Ela me ajudou a dar m sentido para certas coisas, não que isso amenize a situação.

E de tantas outras vezes eu perdi o rumo. Um rumo que nem tinha saído do papel ainda já não faz tanto sentido. Quero que vocês entendam o que estou passando: viver num mundo (talvez seja só o meu) onde as pessoas se conformam em trabalhar e dormir não está sendo fácil. Porque, na verdade, eu estava disposto a ser assim. Eu vivi vendo isso acontecer: na rua, na chuva, na fazenda e na casinha de sapê. Com o tempo essas ideologias começam a se infiltrar em você e mostrar que realmente é o melhor caminho. Só que meus anticorpos são valentes. Eles não deixaram essas ideias tomarem conta de mim. E agora eu tô confuso. Porque eu não sei mais o que fazer. O tempo tá passando muito rápido e eu ainda não fiz nada que me fizesse sentir uma felicidade plena. Eu sou medroso. Mas ao invés de me adaptar a trabalhar de dia e dormir de noite, eu quero conhecer a natureza, conhecer pessoas, conhecer novos mundos tão bonitos e esquisitos quanto o meu.

Outra parte disso tudo que me deixa triste é a banalidade que existe nas relações pessoais. Tem muita gente rasa por aí. Eu tento ser assim, raso. Sabe porquê? Porque assim você sofre menos. Fechar os olhos é a opção certa para quem não quer ter sua mente e seu coração destroçado. Eu ando com meu equipamento de mergulho sempre! Esse equipamento veio junto comigo. Tento mergulhar profundamente em todo mundo que passa pela minha frente. Eu tento, eu vou esperando adentrar num mar profundo, que seja calmo ou violento, mas com paisagens interessantes a serem desvendadas. O que mais acontece é bater com a cara na areia. Pessoas rasas me entristecem. Não me dão raiva, talvez inveja. Inveja porque elas olham pra você e não sofrem pelo que você passa, não levam pra casa a preocupação que não é delas e dormem sem pensar muito se a busca da felicidade vale a pena. Mas eu insisto em andar com meu equipamento de mergulho. Já disse algumas vezes: por fora eu sou tão pessimista. É como uma armadura pra não me machucar, mas por dentro eu sou o mais otimista de todos. E sei que tudo vai seguir o caminho que tem que ser. Mas isso demora. Sei disso pela prática constante.



Eu tô confuso porque quero sentir o gosto da liberdade, mas tenho medo. Liberdade requer muita responsabilidade. E a maioria não quer isso porque se algo der errado a única pessoa que vai receber a culpa é você mesmo. E a maioria gosta de colocar a culpa nos outros. Vejo pessoas que estão presas nessa dependência de ordens que até pra escolher o que vai comer pede para outra pessoa. Assim, se a comida estiver ruim a culpa foi de quem escolheu. isso parece coisa de criança de 8 anos de idade, mas não é não, são marmanjos e marmanjas de seus trinta anos. Eu tô ainda confuso porque pra ganhar essa liberdade eu posso dar o primeiro passo agora, depois de escrever esse post aqui, eu posso arrumar minhas malas e sair em busca de algo que me traga felicidade plena. Mas não é fácil pra mim. 

Eu ainda tô confuso porque me arrependo muito fácil das coisas. Fico impressionado com uma pessoa que diz que não se arrepende de nada do que já fez antes. Eu me arrependo de bastante coisa. Por isso me comparei com um balde antes. Eu tenho na cabeça de que todos os dias é uma nova oportunidade pra você mudar. É uma oportunidade pra fazer diferente e dar início ao rumo que você quer. Pra isso é importante ter em mente que existem pessoas boas e ruins. Muito boas e muito ruins. Com o tempo você começa a sentir isso ao se aproximar de alguém. Alguns sabem esconder muito bem, mas uma hora a verdadeira pessoa se mostra pra você. É tipo um exorcismo. 

Isso tudo tá na minha cabeça agora pela manhã. Eu poderia estar só feito um robô fazendo algo de forma mecânica e não estar sofrendo calado de sol a sol de janeiro a janeiro. Mas essa profundidade toda faz parte da minha pessoa. Vim com esse brinde assim como vim com o meu equipamento de mergulho. Se é bom ou ruim eu não sei porque não sei ser de outro jeito. Bom, a confusão continua. O desejo de ser livre só cresce. E eu espero ter muita força de vontade pra me libertar de mim mesmo e deixar as asas me ajudarem a encontrar meu rumo. 

Até logo! :)



Glossário (em ordem de aparição no texto):

Normal:
adjetivo de dois gêneros
  1. 1.
    conforme a norma, a regra; regular.
    "a homologação seguirá os trâmites n."
  2. 2.
    que é usual, comum; natural.
    "tráfego n."

Resiliência:
substantivo feminino
  1. 1.
    fís propriedade que alguns corpos apresentam de retornar à forma original após terem sido submetidos a uma deformação elástica.
  2. 2.
    fig. capacidade de se recobrar facilmente ou se adaptar à má sorte ou às mudanças.

Anticorpos:
Anticorpos são proteínas que atuam no sistema imunológico como defensoras do organismo vivo contra bactérias, vírus e outros corpos estranhos. Os anticorposhumanos são classificados como proteínas imunoglobulinas, produzidos por um glóbulo branco específico, chamado de linfócito B.

Rumo: 
substantivo masculino
  1. 1.
    mar cada um dos 32 espaços em que se divide a rosa dos ventos.
  2. 2.
    mar direção que segue um navio em relação com a linha norte-sul.

Banalidade:
substantivo feminino
  1. 1.
    utilização, livre ou forçada, pelos vassalos de coisas pertencentes ao senhor feudal, mediante pagamento.
  2. 2.
    condição ou atributo do que é banal; insignificância, trivialidade.

domingo, 4 de setembro de 2016

Reservatório Vs Rio

Li a seguinte mensagem: "Nunca se torne um reservatório se você pode ser um rio" - Osho. E então me veio à mente várias e várias ocasiões de minha vida nas quais as pessoas tentavam me tornar um reservatório. Para esclarecer o que é um reservatório e um rio vou citar a primeira parte da mensagem:

"Sempre permaneça aventureiro. Por nenhum momento se esqueça de que a vida pertence aos que investigam. Ela não pertence ao estático. Ela pertence ao que flui".

Então, o que acontece é que na medida em que vamos crescendo as coisas vão mudando de perspectiva. O meu sonho de criança em ser astronauta se mostrou apenas um sonho mesmo. Também quis ser veterinário. Educador físico. Jornalista. Cartunista. E tantas outras coisas que na infância sempre foi possível. Na verdade ainda é. Quantas notícias não lemos por aí falando de pessoas com seus setenta anos ou mais que seguiram seus sonhos e se formaram no que bem queriam. 

Eu cresci com bombardeios de conselhos, em várias esferas de relacionamentos, principalmente de pessoas mais velhas que eu, dizendo que é importante ter o ensino superior e depois um trabalho fixo. mas tem que ser concursado, se não a vida vai ser cheia de tristeza e falta de dinheiro. O dinheiro é a vida. O dinheiro e a estabilidade financeira tem que ser a sua meta de vida. Mas também você tem que formar uma família e ter filhos. Por quê? eu perguntava mentalmente. Mas antes de perguntar verbalmente o assunto já era. Normalmente alguém que me dizia isso tinha que sair pra trabalhar rápido, deixar alguém cuidando de seus filhos e depois voltar pra casa pra dormir e repetir isso todos os dias da semana.

Ou seja, eu precisava conseguir uma zona de conforto e, assim que conseguisse, jogar uma âncora nela. Eu deveria ser represa. Não culpo ninguém por dizer essas coisas, tenho certeza que é na maior das boas intenções. Mas isso na cabeça de uma criança/adolescente vai fazer efeito no futuro. O efeito que a pessoa talvez tenha sofrido por também ter ouvido essas coisas. 

"Não faça tatuagem porque você não vai conseguir emprego nunca" (seja represa).
"Não use piercings porque é coisa de maloqueiro" (seja represa).
"Passe em um concurso e fique nele para todo o sempre - mesmo que você não goste - o importante é o dinheiro" (seja represa).

Temos que entender que realmente precisamos de dinheiro para comer, comprar roupas, etc. Mas o ponto em que quero chegar é que o dinheiro não é tudo. Dizer isso é meio estranho agora, porque eu estou quase preso na minha zona de conforto. As coisas que me disseram surtiram efeito de alguma forma. Mas venho sentindo uma infelicidade latente por estar virando uma represa. Eu não entendo como as pessoas conseguem viver infelizes, mas cheias de dinheiro. Algumas são infelizes e sem dinheiro. 

Muito bom  quem consegue trabalhar em um emprego que gosta. Que faz porque tem amor àquilo, independente do que seja. Às vezes tenho inveja de quem conseguiu se estabelecer num local e é feliz ali. Sozinho ou acompanhado, com família ou sem família. Uma pessoa livre. Ser represa não quer dizer morar num lugar pra sempre. Ser represa é ser prisioneiro da vontade dos outros. É ter medo de fazer algo que goste por ser arriscado e permanecer na inércia de algo que não te faz feliz. 

Bom, a represa na qual estou me tornando, com a minha porcentagem de culpa e medo, claro, não está me fazendo muito bem. Ver a represa em que os outros se tornaram ou estão se tornando também não me fazem muito bem, mas para isso eu só posso tentar conversar. Você já perguntou se alguém é feliz? Eu já. Estou perguntando isso constantemente às pessoas e a resposta que recebo começa com alguns segundos de olhar assustado pra mim, como se eu fosse louco (...) e depois dizem alguma coisa sem convicção nenhuma. E mudam de assunto. Eu também venho me perguntando se sou feliz e se fico em dúvida é porque não estou. Então algo tem que ser feito. Estou tentando me tornar um rio. Mesmo que o pessimismo dos dias atuais tentem me deixar com medo, e às vezes deixam, eu estou quebrando, aos poucos, esse muro da zona de conforto. Estou cortando a âncora que me prende. E essa âncora pode ser tanta coisa: emprego, amigos, família, dinheiro, estabilidade... O que vem depois que a represa se arrebenta? Eu não sei, mas vou saber logo.

E você? É feliz?