sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Um dia...

O que segue aconteceu no dia 1º de dezembro deste ano

Aconteceu de novo. Eu acordei e estava deprimido. Não sei se por minha mente estar pregando peças em mim ou estar tentando me alertar sobre as coisas da vida. Não sei também se isso é sempre o início de uma crise existencial ou de identidade ou ambas. O que eu sei é que estou atravessando mais um umbral para uma nova fase. Que a solidão agora é minha companheira, como em um livro de Gabriel Garcia Marquez, o que me faz me sentir bem especial (sozinho, sem ninguém pra dividir, mas especial).

            Aos poucos eu vou me rendendo às armadilhas da internet, mas com muita persistência. Tenho certo orgulho de dizer agora (só pra vocês) que não costumo usar as redes sociais para lamentar da (minha) vida, para colocar fatos tristes para que se apiedem de mim (ou riam de mim) ou para mostrar a minha vida mentirosamente feliz que não existe. E também fico com um pé atrás, ainda, pelo que todos sabemos mas não damos importância: que a nossa vida na internet é uma grande mentira, que postamos coisas unicamente para tentar impressionar os outros, que está muito mais fácil iniciar uma amizade e mais fácil ainda de terminar com ela (isso se aplica a vários tipos de relações pessoais como namoros, noivados e casamentos de longa data).

            Voltando ao meu dia de deprimido. Comprei cigarros, uma grande burrice que eu fiz porque havia largado mesmo sem ser um fumante rotineiro, mas desta vez fui atrás e demorei a encontrar, pois era domingo, tudo fechado. Quando fui ao shopping ele estava abrindo e uma multidão de gente estava a espera dos portões abrirem para aproveitarem as últimas ofertas de uma black Friday que virou black week. Não encontrei no shopping, nem no mercado e fui até um posto de gasolina onde encontrei uma carteira qualquer e a comprei sem pensar muito. Coloquei umas músicas mais depressivas porque é isso que fazemos quando estamos deprimidos: queremos ficar mais deprimidos. E abri o omegle – um site de conversas com pessoas do mundo inteiro de forma randômica. Passei por uns paus, uns peitos, uns comerciais de sexo, pessoas curiosas à procura de não sei o quê (ou sei?) e finalmente encontrei Jasmine.

            Jasmine é uma moça de 18 anos, mas só soube disso perto do final da nossa conversa, que mora na Inglaterra. Começamos a conversar porque ela me viu e ouviu a música que eu estava ouvindo – no maior volume – e disse que gostou de mim. A música era Hotline Bling, do Drake (que não é tão depressiva assim). Conversamos bastante, fumamos juntos e falamos de nossas vidas, a maioria coisa boa, e eu realmente melhorei um pouco. É um dos lados positivos da era digital, você nunca está realmente sozinho, e este também é o lado negativo. Firmamos uma amizade virtual com uma confidencialidade digna de uma amizade real, a diferença é que nossa amizade acabou com um click depois que nos despedimos. Pronto, acabou nossa amizade virtual.

            Voltei para o mundo real onde temos que lidar com nossos problemas na carne e não na tela do computador. Fiquei bem enjoado porque fazia tempo que eu não fumava e logo me arrependi de tê-lo feito, como sempre acontece. Aí meus pensamentos começaram a bombardear a minha cabeça como se fossem sólidos (será que não são?) e eu fiquei tonto. É uma experiência interessante – para o bem ou para o mal – e reflete num autoconhecimento, se a gente consegue fazer algumas separações, quais são elas eu não sei porque deve variar de pessoa para pessoa.

            Parei. Fiz um exercício de respiração. Repensei algumas coisas da vida – parece difícil isso, mas nessas horas certas coisas ficam claras – se não forem uma armadilha – e fiquei um pouco mais triste por mim e pelo mundo inteiro. Não quero ser presunçoso porque o que direi a seguir deve acontecer com toda a pessoa que já sentiu empatia por alguma coisa, mas naquele momento eu senti o peso do mundo nas minhas costas. Como se eu fosse o culpado de tudo o que de ruim acontece aqui. Bom, mas como tudo na vida, isso passou. Depois ficou só a antiga tristeza mesmo.

           Prevejo que terei que fazer mudanças na minha vida. Mudanças de hábitos, de relacionamentos, de pessoas e de hábitos mais uma vez, porque a principal luta nessa crise é comigo mesmo. Já sabemos que mudanças são sinistras quando não sabemos lidar com elas ou quando aparecem de uma hora para outra. Mas desta vez EU que quero mudar. Na verdade eu sinto a mudança dentro de mim em um crescente. Eu querendo ou não vai acontecer. Apenas estou me juntando a esta inevitabilidade para guiar o caminho mais proveitoso para nós dois. E no final vai nascer um novo homem. Tenho uma noção de como eu quero ser. Não irei pensar muito nisso porque não sabemos o que tem na próxima esquina, então apertarei o botão vermelho e deixarei a vida seguir me intrometendo apenas nas partes cabíveis – e também nas que eu não concordar muito, porque eu faço essas coisas mesmo.

           
            Para não dizer que fui muito depressivo ou ranzinza com a humanidade – já que eu faço parte dela posso falar dela – eu termino a noite de hoje com uma visão que me fez sentir toda a leveza que o mundo pode proporcionar pra quem se dá a chance de que isto aconteça. Não fui eu que olhei pra ela, ela puxou a minha visão para si: a lua. Uma lua que não vou descrever aqui porque sou incapaz de retratar tanta coisa daqueles segundos em palavras. E todos nós estamos sendo olhados por ela, eu vou olhar de volta. E você? 

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