segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Robotizando...

Às vezes eu costumo tipo que ‘me trair’ confidenciando coisas que preferia deixar na obscuridade da minha mente/alma. Talvez seja aquele momento no qual completamos nossa cota de silêncio e um anjo/demônio dentro de nós nos faz falar/escrever pra colocar pra fora, esvaziar a lixeira pra ter mais espaço pra tantas outras desilusões e socos de realidade. É nesse local que eu, mesmo cercado de pessoas por todos os lados, converso comigo mesmo num silêncio profundo. Silencioso externamente - barulhento e explosivo internamente. As lágrimas vertem ao contrário e ficam acumuladas esperando o momento do descarte. Já falei antes sobre aquela barra de especial que soltamos quando acumulamos ódio de mais dentro do coração e da mente/alma, já falei de mais das mudanças que passamos para podermos evoluir. Tentei exprimir a tristeza e o otimismo de qualquer coisa que seja e essas variações acontecem sempre. Porém, quando está acontecendo é que nós conseguimos, se quisermos, sentir/saborear o gosto disso que acontece no nosso interior.

Venho perdendo a sensibilidade. A sensibilidade como sendo o conjunto do físico com o emocional. Um exemplo: eu ainda lembro o tempo em que um aperto de mão significava mais do que um aperto de mão. Sabe o voto perpétuo dos Livros do Harry Potter? É tipo uma promessa, uma palavra, um juramento onde as duas pessoas ficam ligadas e incapazes de quebrar o que disseram. Hoje as palavras são só palavras. Estamos cobrindo nossas janelas da alma com a tela touchscreen. Em parte porque não confiamos mais em ninguém e em parte porque preferimos mostrar cada vez mais algo que não somos ou a vida que desejamos por meio do virtual. Querendo ou não é uma transição em que estamos passando para a era digital e assim para as novas formas de se relacionar. E mais, no mundo digital podemos ser o que quisermos. Aqui ninguém tem defeitos, só qualidades. É mais fácil de falar/digitar sem precisar olhar nos olhos e apertar na mão. E, quando finalmente saímos desse mundo digital no meio de um almoço em família, abrimos um pouquinho só os olhos, vemos que o mundo está acabando em insanidade e preferimos voltar para o admirável mundo novo digital onde todos somos felizes e imortais.


Então eu não sei mais me comportar e misturo comportamentos virtuais no meu dia-a-dia como comportamentos do meu dia-a-dia no virtual. Você consegue perceber alguma mudança no seu Eu do mundo real do seu Eu do virtual? Eles são os mesmo? Eu me pergunto isso de vez em quando. Bom, o que eu estava sentindo já passou, por isso vou parar por aqui. Em parte por não saber exatamente o motivo de tá falando sobre isso justamente agora O.o... 

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

O Pêndulo

Uma coisa na minha vida que venho estudando inconscientemente é sobre o que sinto.

 A inconstância de meus sentimentos é algo bem ruim de lidar (mesmo eu sabendo que vai passar e o ponteiro do pêndulo vai parar no neutro uma hora ou outra). Mas e o nada? E quando você não sente nada? Já passou por isso? 

Existe uma semelhança entre a tristeza profunda e a alegria plena como se ambas fossem produzidas na mesma usina. O frio que percorre o corpo é o mesmo. Mas o que é produzido na mente é diferente. Ou você ri ou você chora. São os extremos do pêndulo. Mas quando você não sente nada e fica indiferente a tudo aí algo estranho acontece: o pêndulo desaparece. E aí nada mais importa. Eu acho que quando o pêndulo desaparece você é capaz de fazer qualquer coisa ou não tem interesse em fazer nada. As duas opções são assustadoras. E, para mim, mais assustador é perceber, certo tempo depois, que meu pêndulo está desaparecendo por momentos cada vez mais longos.