domingo, 16 de agosto de 2015

Sobre discussões

Nós chegamos a um ponto em que as justificativas para solução dos problemas da sociedade estão acabando. Existem dois lados e cada um deles tem a sua explicação para a resolução (ou tentativa) desses problemas. Cada cidadão tem o direito de escolher um lado (como se fosse um jogo) e colocar seu ponto de vista, seu entendimento de como esses problemas estão afetando a sociedade e como considerar uma discussão produtiva na tentativa de se chegar a uma solução. É muito difícil (na verdade acho impossível) chegar a um denominador comum. Vivemos na sociedade da diversidade, o que é bastante enriquecedor e proveitoso para todos nós, o que varia também nas opiniões de cada um, e o respeito, nessa hora, é crucial. Não concordar, mas ter em mente que cada um tem seus motivos para acreditar em alguma coisa é um passo importante para não transformar uma conversa em gritaria.


O problema dos egoístas e os preguiçosos nas discussões
Isso porque os egoístas só pensam em si mesmos e vão aderir à solução que os beneficiem, às vezes nem pensam na própria família e sim na imediaticidade da resolução do problema, mesmo que seja apenas temporário, mas que seja agora e para o meu benefício, para acabar com a minha dor de cabeça. Já os preguiçosos, estes não devem entrar na discussão porque são papagaios que estão em cima do muro, não leem, não conseguem formar uma opinião própria e só repetem o que estiverem falando mais. E quem fica em cima do muro leva tiro dos dois lados...

Mas para chegar a algum lugar, em alguma solução, é necessário saber discutir. O que acontece hoje é que um coloca sua opinião, depois tem a réplica, depois a tréplica e depois a pancadaria! O ódio está se espalhando como se fosse uma mancha de óleo no oceano e no final afunda todo mundo.

É aquela fórmula:
Tese depois antítese que resulta numa síntese. Estamos brigando com uma tese e uma antítese. No meio do processo, os argumentos se perdem e o ódio parece que prevalece de um dos lados (ou de ambos?) que não nos permite chegar numa síntese. E tenha certeza que ela vai virar uma tese para combater uma antítese e virar outra síntese num loop eterno. Numa discussão, ambos (entendendo que está acontecendo entre duas pessoas) devem sair acrescidos de uma nova visão, não que precise mudar de opinião, mas entender que existem outros pontos de vista.


Isso tudo é pra esclarecer que enquanto, primeiramente, não nos entendermos como seres individuais vivendo numa sociedade diversificada não tem como entrar em acordo sobre nada. Ser egoísta num momento como este também não ajuda. Ser preguiçoso, pior.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Rage against the supermercado


       

Vocês já viram o que acontece quando você está numa fila cheia de caixa de supermercado, com várias outras filas cheias de outros caixas, e de repente um caixa que estava fechado grita: “caixa livre”? Vocês já viram? Eu vi e, por sorte, fiquei vivo para contar pra vocês.
Realmente eu não esperava que fosse acontecer bem na minha frente o que aconteceu bem na minha frente. Eu estava de boa no riacho com minhas compras com menos de doze unidades numa fila com mais de doze pessoas. Os outros caixas estavam desse jeito ou pior. Exatamente do lado do meu caixa havia outro caixa fechado, ou seja, sem ninguém. Era um porto seguro rodeado por zumbis.
Eu já tinha colocado na minha cabeça: ficarei nesta mesma fila até eu ser atendido, não mudarei de caixa na ilusão de que a outra fila está andando mais rápido. MAS, como falei antes, de repente, só ouvi uma voz feminina proferir a sentença maldita: caixa livre!
Sabe quando sua vida corre perigo e você começa a ver tudo em câmera lenta? Quando a adrenalina entra em ação e seu corpo reage sozinho na luta pela sobrevivência? Pois foi exatamente isso que salvou minha vida.
Depois da sentença maldita, a mulher que estava na minha frente, com um carrinho com MAIS de doze produtos, desatou a correr empurrando o veículo de compras ferozmente. Do mesmo modo e no mesmo instante, outra mulher do caixa adjacente ao caixa livre resolveu fazer a mesma ação, como em um jogo de RPG onde dois personagens agem na mesma jogada. Os gritos ecoaram por todo o supermercado logo em seguida, porque vocês sabem, a velocidade da luz é maior do que a do som, como quando você vê um relâmpago no céu e depois ouve o trovão.
Pessoas de todas as filas e de todos os caixas começaram a invadir aquele espaço tentando ser a primeira pessoa a ser atendida no caixa livre. Até pessoas que estavam nos caixas de grandes compras. Várias colisões entre carrinhos começaram a acontecer. Pessoas eram jogadas para os lados, algumas crianças atropeladas por carrinhos cheios de cervejas. Quem tinha comprado facas começaram a usá-las para cortar quem estivesse por perto, ou seja, muitas pessoas. Idosos que estavam nos caixas exclusivos para idosos começaram a atacar uns aos outros com suas bengalas, os que tinham mais força arremessavam seus produtos. Carrinhos começaram a voar pelos céus, pessoas começavam a cair mortas e a selvageria parecia que iria demorar para acabar. E enquanto isso os funcionários continuavam passando as compras dos clientes como se nada estivesse acontecendo. E no caixa livre ninguém conseguia ser o primeiro a ser atendido. Vi quando uma geladeira era arremessada e caía no meio do frenesi como uma bomba. Pessoas esmagadas. Era como dois mundos: depois dos caixas, a calmaria, as pessoas andavam normais e parecia não estar acontecendo nada do lado de dentro, onde o inferno estava tomando conta da terra. Eu teria que passar para o lado de lá.
Vocês sabem que eu senti aquela vontade imensa de também ser o primeiro a ser atendido no caixa livre. É tentador estar numa fila gigante e, bem na sua frente, abrir um caixa que estava vazio. Mas eu me contive. Com todas as minhas forças. Eu conseguia ver pessoas em chamas correndo na ala dos biscoitos. Pensei no que poderia fazer para conseguir sair vivo dali, e, o mais importante, com as minhas compras. Então meu corpo agiu sozinho. TODOS os outros caixas estavam livres, mas todo mundo queria o caixa livre. Rapidamente eu me dirigi ao caixa mais distante e específico para compras até 12 produtos.
__ Bom dia, quer o CPF na nota? __ A moça do caixa me perguntou.
__ Não, não... __ Respondi respirando ofegante.
Depois que minhas compras passaram eu agradeci e saí para o lado da calmaria quando esta mesma moça proferiu a sentença maldita: caixa livre!