domingo, 26 de julho de 2015

Quando eu parei de beber...

             Dia 24 de junho completou um ano que eu não bebo nenhum tipo de bebida alcóolica! E no decorrer do processo (como sempre o processo) muitas coisas pequenas aconteceram, juntando todas essas coisas pequenas, que não pesam muito quando vistas de forma isolada, surge a superação e também este post. Segura na minha mão, galera, que a gente vai subir uma ladeira.

            A decisão: coragem pra decidir
            Não foi a primeira vez que eu disse que iria parar de beber. Já tinha dito isso pra mim várias e várias vezes depois de uma ressaca ruim. As injúrias da ressaca “física” são ruins: a dor de cabeça, o enjoo, jatos de vômito na parede... Fora que eu perdia o dia seguinte inteiro. Mas as injúrias da ressaca “moral” são as piores para mim: a sensação de não saber o que se fez, a vergonha no dia seguinte e o arrependimento de ter bebido tanto. Mesmo assim eu, na festa seguinte, enchia essa minha carinha...
            Um dia, depois de outra bebedeira, com uma maldita ressaca que balizava entre a física e a moral, repensei tudo. Começou igualzinho das outras vezes: eu pensando que não deveria mais beber, que eu estava passando dos limites da zoeira, que eu não sabia beber com moderação como os comerciais de televisão mandam, etc e tal. Na maior tristeza, como acontecia na maioria das vezes, eu tentava lembrar do que fiz na noite anterior. Resolvi passar alguns dias pensando no assunto, não me martirizando, mas escolhendo o momento certo para tomar uma decisão que não fosse mais uma brincadeira ou armadilha para tentar tirar a culpa de mim e voltar a beber no próximo fim de semana. Li um texto de uma garota que passava pelo mesmo problema que eu. Achei o texto sem querer e ela falava que estava há um ano sem beber NADA de bebida alcóolica. Era só o que me faltava para tomar minha decisão. A partir dali eu não beberia mais. Ninguém disse pra eu parar de beber, ninguém segurou na minha mão e me fez parar. Certo que algumas pessoas já haviam me dito para moderar (moderar na quantidade que eu bebia durante uma festa, pois eu não costumava beber toda semana, mas bebia MUITO numa única noite). Então eu parei.

            O Processo: as coisas pequenas
            1 – Eu não tenho mais ressaca: nem física nem moral. Como consequência de não beber eu parei de sair tanto como antes. Isso porque eu percebi que só saia para beber e não para me divertir ou conversar com os amigos. Saía para ficar bêbado. Não ter uma moderação para a bebida me fazia ter a ressaca maldita e, algumas vezes, perder a festa por completo por não lembrar nada no dia seguinte. Eu percebi que sou o tipo de pessoa que não sabe beber. Pessoas como eu extrapolam os limites do permitido. Sei que era muito engraçado para quem “assistia”, na hora era engraçado pra mim também, mas no dia seguinte... (lágrimas)

            2 – Parei de sair com frequência: isso foi interessante para mim porque vi que eu saía mais para agradar aos outros do que por minha própria vontade. Eu não sabia dizer um NÃO para não desagradar. O processo me fez entender e dar prioridades para coisas que me são mais proveitosas do que ficar bêbado sem limites – porque era assim que eu ficava. Quando saio não sinto vontade de beber, não tenho saudade do passado e nem por isso me sinto culpado pelo tempo que eu saía. Pelo contrário, foi um tempo até divertido, mas todo mundo tem o seu tempo para se desprender de coisas que não fazem bem, para mim, a bebida não estava ajudando em nada.

            3 – Algumas pessoas não aceitam que eu mudei: é verdade, algumas pessoas que eu costumava sair não aceitam que eu parei de beber. Não as culpo, por parte, porque eu já tinha dito muitas vezes que pararia de beber e não parava. Não estava com muita credibilidade. Porém, agora que eu parei, algumas pessoas, quando eu saio, dizem que eu não sou mais o mesmo, que não me reconhecem ou coisa do tipo... Ah, que eu perdi a graça!. A mudança é algo difícil, principalmente quando era já um hábito que fazia a alegria dos outros. Sendo que eu, quando saio, não me importo com quem bebe ou tente proferir advertência para que os outros também parem de beber. Não sou empata-foda...

            4 – Tentei substituir a bebida por outras drogas: sim, no começo eu fumava e tomava Coca-Cola com energético (!!!), vinha uma grande agitação e taquicardia, mas não vinha a loucura que se esconde no meu mais profundo interior. Prefiro que ela fique lá e vou conversando com ela aos poucos deixando-a sair em momentos necessários, ela não pode apodrecer dentro de mim, né verdade!? Então eu também fui parando com o cigarro e, recentemente decidi também parar de fumar. Tudo no seu tempo para não criar frustração à toa.

            5 – Tive uma recaída: é verdade! Em dezembro do ano passado eu tive uma leve recaída quando viajei para o Peru, que também coloquei aqui no blog pois tive uma “epifania” naquela viagem. Não vou justifica-la de nenhuma forma, ela apenas aconteceu e já lidei com isso da melhor maneira que eu pude.

            A ladeira: a vida continua
            É como o poço que todos nós descemos um dia até o fundo, mas uma hora ou outra subimos novamente. Às vezes parecemos um balde voltando lá para o fundo. Mas sempre voltamos para a superfície. Se você não gosta de ir e voltar do fundo do poço é porque está na hora de mudar alguma coisa. É a mesma coisa com a ladeira, todos sabem que descer é mais fácil do que subir. Para mim, a bebida estava me atrapalhando, estava me fazendo descer essa ladeira e quando eu tentava subir e chegava na metade do caminho ela me puxava de novo. Agora acho que já subi bastante pra não deixar que ela volte a me puxar nem para o começo da ladeira nem para o fundo do poço. E é como a moça do post que me ajudou a ter iniciativa pra parar de beber falou: tem pessoas que não podem beber nem um gole, nem um copo de vinho... É o meu caso.

            Como sempre digo, a vida é como um jogo de vídeo game: temos que passar de fases para conseguir experiência e avançar (espiritualmente) na vida. Cada ladeira/poço é de um jeito para cada pessoa e a forma de subir cada um deles só depende de quem desceu lá pra baixo. E depois que a gente sobe um deles pode se preparar porque cedo ou tarde aparece outra ladeira pra subir. Dependendo de nossas atitudes para enfrentar o monstro de cada fase do jogo nós podemos subir a ladeira/poço rindo ou chorando, o importante é não ficar lá parado. Até agora estou de boa :)