quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Eu não consigo dizer se o que sinto é normal

     
     

     Eu não consigo dizer se o que sinto é normal porque eu sou a única pessoa no mundo que sabe realmente o que eu sinto. Não é tão confuso assim de entender isso, é até fácil, mas estamos acostumados a dizer "eu sei como você se sente"... Não, não tem como saber como outra pessoa se sente. Tem como tentar mensurar o que outra pessoa sente pelas suas próprias experiências, mas o que passa pela minha mente, mesmo se eu tento escrever ou falar, o outro só pode mensurar pelas experiências dele o que eu posso estar sentindo. Tanto é que cada um reage de uma forma para um mesmo tipo situação. Apesar de estarmos (nem todo mundo, para não generalizar) impregnados com as 'leis' sociais que dizem como se deve agir em cada situação (chore no velório - beba no carnaval - sorria para a câmera porque você está sendo filmado - etc. - etc.), se você não agir assim será taxado como rebelde, ou insensível ou qualquer outra coisa que queiram chamar para achar alguém em quem colocar a culpa de uma coisa que não se tem um culpado!

     Eu não consigo dizer se o que sinto é normal porque não existe um maneira de eu mostrar o que se passa dentro de todo o meu corpo quando sinto alguma coisa. E todos nós estamos sempre sentindo alguma coisa, mas não podemos prestar atenção a isso todo o tempo. Então, quando percebo que eu me comporto de acordo com o que sinto e, às vezes, tendo a me comportar e não me importar de um jeito que dialogue com os meus sentimentos, percebo que estou saindo da linha que as outras pessoas estão em cima. Quando percebo isso eu tenho a tendência de disfarçar o meu comportamento 'estranho' e, sem que ninguém, ou quase ninguém, perceba eu volto pra linha. Volto pra linha mas fico com a sensação de que os meus sentimentos estão tristes (...), mas pelo bem da convenção social eu permaneço na linha.

     Eu não sei dizer se o que eu sinto é normal porque eu me sinto feliz de ter começado a pensar por mim mesmo e logo em seguida me sinto estranho porque sempre fui ensinado pela sociedade a pensar como todo mundo. Esse desprendimento faz com que eu pareça fazer parte de outra sociedade, uma sociedade com pessoas diferentes. Até nisso tem que haver uma segregação? 

     Eu não sei dizer se o que eu sinto é normal porque há momentos de uma loucura contida que só quem se conhece bem e quem me conhece bem consegue notar. Tem que olhar nos olhos e ver a insanidade caminhando lá dentro, no fundo, na mesma janela que dá vista pra alma. Esse frenesi que passa como eletricidade pelo meu corpo e volta pra minha mente me deixa com uma sensação boa e ruim ao mesmo tempo, isso que eu sinto é estranho pra mim mesmo porque só agora eu estou me dando conta de que estou constantemente com essa corrente indo e vindo. Ao mesmo tempo em que gostaria de ter uma explicação para isso eu também quero permanecer sem saber. i n é r c i a . . . 

     Eu não sei dizer se o que sinto é normal, mas eu já percebi isso. Eu sei que estou passando por um processo, uma metamorfose (que não seja pra uma barata!!!) mental e esta inquietação talvez seja a casca se quebrando. 

     No final eu já não me import(arei)o se o que eu sinto é normal. 

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