terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Dois em um especial de Natal e Ano Novo

Escolha o que mais te interessa e leia! Ou leia os dois e descubra o que mais te interessou!

NATAL

Feliz Natal by Lana

Eu andei pensando (...) e cheguei a uma conclusão (temporária ou não) da importância de certas datas comemorativas. Como estamos passando pelo natal, ano novo e tal, estas estarão em foco neste post[e]. Antes, na minha rebeldia sem causa ou seja lá o que fosse, eu só costumava ver o natal e demais datas como somente comerciais e capitalistas e etc. (o que não deixa de ser um pouco), mas agora começo a perceber que, em meio a tanta correria, a tantos compromissos e tecnologia que nos afasta de nossa família e amigos, talvez, e só talvez, estas datas venham para nos lembrar que precisamos socializar, ficar um tempo com nossos familiares e amigos ou pelo menos lembrar da existência deles. Então, no cronograma do ano, quando vai chegando o natal alguma coisa vai mudando, seja pela estrela de Belém que vai passando, seja pelo inconsciente coletivo, ou algum tipo de bruxaria, nós podemos colher esta data para ficar mais próximos um dos outros. Aproveitar para pensar em melhorar e fazer tudo o que se faz no natal. E isso independente da religião. 

Também pensei sobre o papel do papai noel no imaginário e na formação da personalidade da criança (TEMA PARA UM TCC DE UM ALUNO DE HUMANAS!) e cheguei a outra conclusão: eu fui uma criança que cresci com todos os natais e a presença do velhote (papai noel), acho que é uma forma (a depender de como é passada) de aflorar a criatividade da criança, uma forma lúdica passar uma data de forma mágica. Deixa a criança sentir um pouco de magia enquanto pode porque sabemos o que pode acontecer com a imaginação dela quando crescer: ser podada e racionalizada até pensar só no dinheiro que vai ganhar pra pode se manter. A criança vai descobrir por si própria que o papai noel não existe de uma forma ou de outra, na pior das hipóteses é porque algum adulto que perdeu a criatividade vai encucar com os problemas da globalização e do capitalismo desenfreado pra cortar uma parte da criatividade da inocente (desabafo mode on). Mas claro que existem casos e casos e mais casos.

Bom, o que eu queria dizer é que podemos aproveitar a existência dessas datas e ver além do capitalismo desenfreado. Não esquecê-lo, mas enxergar o lado bom de poder ter um momento em que podemos estar todos juntos - nem sempre fisicamente - e deixar, por um tempo bem pequeno, os problemas de lado e falar de coisas boas com quem gostamos.


ANO NOVO


Fogos de ano novo

Também podemos substituir o pensamento depressivo do ano novo por uma retrospectiva pessoal. Entendam o que quero dizer: se já existe uma comemoração para a passagem de ano, se eles nos dão feriado para aproveitar do jeito que quisermos e se tá tudo liberado, por que ficar dizendo gritando para o mundo que sua vida é um cocô? Se a sua vida for um cocô você tem que dar a descarga nisso (sem levar você junto) e aproveitar que vai começar um novo ano (vamos aproveitar também essa contagem de tempo, essa passagem temporal pra alguma coisa boa) pra fazer mudanças na nossa vida.

Já que é assim, já que existe esse tempo e que o pensamento coletivo faz com que ocorra alguma coisa naquela passagem (bruxaria? ciência? Inês Brasil? Não sei...), aproveita manolo (a), aproveita pra fazer alguma coisa que preste pra mudar a situação deplorável na qual você se encontra (ou não se encontra). Eu acho que mal não vai fazer em tentar mudar alguma coisa que você ache que não vai bem. E se não conseguimos fazer isso no decorrer do ano a gente aproveita que tem uma data específica pra isso: a virada de ano.

E pode usar a cor que quiser, pode pular suas ondas, pode não fazer nada. O mal de nós todos é se irritar com as coisas que os outros fazem ou acreditam. Galero, a não ser que o que a outra pessoa faça vá atingir outra pessoa (uma pedrada, por exemplo), o que ela faz é problema dela, né nóm? 

Eu mesmo vou preparar a minha ficha, ver o que foi bom ou o que foi ruim e fazer as mudanças necessárias. Temos um ano inteiro pela frente pra realizar coisas que disseram que não poderíamos, para recobrar nossa criatividade quem podaram quando fomos crescendo e para tudo o mais que quisermos. 




sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Um dia...

O que segue aconteceu no dia 1º de dezembro deste ano

Aconteceu de novo. Eu acordei e estava deprimido. Não sei se por minha mente estar pregando peças em mim ou estar tentando me alertar sobre as coisas da vida. Não sei também se isso é sempre o início de uma crise existencial ou de identidade ou ambas. O que eu sei é que estou atravessando mais um umbral para uma nova fase. Que a solidão agora é minha companheira, como em um livro de Gabriel Garcia Marquez, o que me faz me sentir bem especial (sozinho, sem ninguém pra dividir, mas especial).

            Aos poucos eu vou me rendendo às armadilhas da internet, mas com muita persistência. Tenho certo orgulho de dizer agora (só pra vocês) que não costumo usar as redes sociais para lamentar da (minha) vida, para colocar fatos tristes para que se apiedem de mim (ou riam de mim) ou para mostrar a minha vida mentirosamente feliz que não existe. E também fico com um pé atrás, ainda, pelo que todos sabemos mas não damos importância: que a nossa vida na internet é uma grande mentira, que postamos coisas unicamente para tentar impressionar os outros, que está muito mais fácil iniciar uma amizade e mais fácil ainda de terminar com ela (isso se aplica a vários tipos de relações pessoais como namoros, noivados e casamentos de longa data).

            Voltando ao meu dia de deprimido. Comprei cigarros, uma grande burrice que eu fiz porque havia largado mesmo sem ser um fumante rotineiro, mas desta vez fui atrás e demorei a encontrar, pois era domingo, tudo fechado. Quando fui ao shopping ele estava abrindo e uma multidão de gente estava a espera dos portões abrirem para aproveitarem as últimas ofertas de uma black Friday que virou black week. Não encontrei no shopping, nem no mercado e fui até um posto de gasolina onde encontrei uma carteira qualquer e a comprei sem pensar muito. Coloquei umas músicas mais depressivas porque é isso que fazemos quando estamos deprimidos: queremos ficar mais deprimidos. E abri o omegle – um site de conversas com pessoas do mundo inteiro de forma randômica. Passei por uns paus, uns peitos, uns comerciais de sexo, pessoas curiosas à procura de não sei o quê (ou sei?) e finalmente encontrei Jasmine.

            Jasmine é uma moça de 18 anos, mas só soube disso perto do final da nossa conversa, que mora na Inglaterra. Começamos a conversar porque ela me viu e ouviu a música que eu estava ouvindo – no maior volume – e disse que gostou de mim. A música era Hotline Bling, do Drake (que não é tão depressiva assim). Conversamos bastante, fumamos juntos e falamos de nossas vidas, a maioria coisa boa, e eu realmente melhorei um pouco. É um dos lados positivos da era digital, você nunca está realmente sozinho, e este também é o lado negativo. Firmamos uma amizade virtual com uma confidencialidade digna de uma amizade real, a diferença é que nossa amizade acabou com um click depois que nos despedimos. Pronto, acabou nossa amizade virtual.

            Voltei para o mundo real onde temos que lidar com nossos problemas na carne e não na tela do computador. Fiquei bem enjoado porque fazia tempo que eu não fumava e logo me arrependi de tê-lo feito, como sempre acontece. Aí meus pensamentos começaram a bombardear a minha cabeça como se fossem sólidos (será que não são?) e eu fiquei tonto. É uma experiência interessante – para o bem ou para o mal – e reflete num autoconhecimento, se a gente consegue fazer algumas separações, quais são elas eu não sei porque deve variar de pessoa para pessoa.

            Parei. Fiz um exercício de respiração. Repensei algumas coisas da vida – parece difícil isso, mas nessas horas certas coisas ficam claras – se não forem uma armadilha – e fiquei um pouco mais triste por mim e pelo mundo inteiro. Não quero ser presunçoso porque o que direi a seguir deve acontecer com toda a pessoa que já sentiu empatia por alguma coisa, mas naquele momento eu senti o peso do mundo nas minhas costas. Como se eu fosse o culpado de tudo o que de ruim acontece aqui. Bom, mas como tudo na vida, isso passou. Depois ficou só a antiga tristeza mesmo.

           Prevejo que terei que fazer mudanças na minha vida. Mudanças de hábitos, de relacionamentos, de pessoas e de hábitos mais uma vez, porque a principal luta nessa crise é comigo mesmo. Já sabemos que mudanças são sinistras quando não sabemos lidar com elas ou quando aparecem de uma hora para outra. Mas desta vez EU que quero mudar. Na verdade eu sinto a mudança dentro de mim em um crescente. Eu querendo ou não vai acontecer. Apenas estou me juntando a esta inevitabilidade para guiar o caminho mais proveitoso para nós dois. E no final vai nascer um novo homem. Tenho uma noção de como eu quero ser. Não irei pensar muito nisso porque não sabemos o que tem na próxima esquina, então apertarei o botão vermelho e deixarei a vida seguir me intrometendo apenas nas partes cabíveis – e também nas que eu não concordar muito, porque eu faço essas coisas mesmo.

           
            Para não dizer que fui muito depressivo ou ranzinza com a humanidade – já que eu faço parte dela posso falar dela – eu termino a noite de hoje com uma visão que me fez sentir toda a leveza que o mundo pode proporcionar pra quem se dá a chance de que isto aconteça. Não fui eu que olhei pra ela, ela puxou a minha visão para si: a lua. Uma lua que não vou descrever aqui porque sou incapaz de retratar tanta coisa daqueles segundos em palavras. E todos nós estamos sendo olhados por ela, eu vou olhar de volta. E você? 

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Robotizando...

Às vezes eu costumo tipo que ‘me trair’ confidenciando coisas que preferia deixar na obscuridade da minha mente/alma. Talvez seja aquele momento no qual completamos nossa cota de silêncio e um anjo/demônio dentro de nós nos faz falar/escrever pra colocar pra fora, esvaziar a lixeira pra ter mais espaço pra tantas outras desilusões e socos de realidade. É nesse local que eu, mesmo cercado de pessoas por todos os lados, converso comigo mesmo num silêncio profundo. Silencioso externamente - barulhento e explosivo internamente. As lágrimas vertem ao contrário e ficam acumuladas esperando o momento do descarte. Já falei antes sobre aquela barra de especial que soltamos quando acumulamos ódio de mais dentro do coração e da mente/alma, já falei de mais das mudanças que passamos para podermos evoluir. Tentei exprimir a tristeza e o otimismo de qualquer coisa que seja e essas variações acontecem sempre. Porém, quando está acontecendo é que nós conseguimos, se quisermos, sentir/saborear o gosto disso que acontece no nosso interior.

Venho perdendo a sensibilidade. A sensibilidade como sendo o conjunto do físico com o emocional. Um exemplo: eu ainda lembro o tempo em que um aperto de mão significava mais do que um aperto de mão. Sabe o voto perpétuo dos Livros do Harry Potter? É tipo uma promessa, uma palavra, um juramento onde as duas pessoas ficam ligadas e incapazes de quebrar o que disseram. Hoje as palavras são só palavras. Estamos cobrindo nossas janelas da alma com a tela touchscreen. Em parte porque não confiamos mais em ninguém e em parte porque preferimos mostrar cada vez mais algo que não somos ou a vida que desejamos por meio do virtual. Querendo ou não é uma transição em que estamos passando para a era digital e assim para as novas formas de se relacionar. E mais, no mundo digital podemos ser o que quisermos. Aqui ninguém tem defeitos, só qualidades. É mais fácil de falar/digitar sem precisar olhar nos olhos e apertar na mão. E, quando finalmente saímos desse mundo digital no meio de um almoço em família, abrimos um pouquinho só os olhos, vemos que o mundo está acabando em insanidade e preferimos voltar para o admirável mundo novo digital onde todos somos felizes e imortais.


Então eu não sei mais me comportar e misturo comportamentos virtuais no meu dia-a-dia como comportamentos do meu dia-a-dia no virtual. Você consegue perceber alguma mudança no seu Eu do mundo real do seu Eu do virtual? Eles são os mesmo? Eu me pergunto isso de vez em quando. Bom, o que eu estava sentindo já passou, por isso vou parar por aqui. Em parte por não saber exatamente o motivo de tá falando sobre isso justamente agora O.o... 

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

O Pêndulo

Uma coisa na minha vida que venho estudando inconscientemente é sobre o que sinto.

 A inconstância de meus sentimentos é algo bem ruim de lidar (mesmo eu sabendo que vai passar e o ponteiro do pêndulo vai parar no neutro uma hora ou outra). Mas e o nada? E quando você não sente nada? Já passou por isso? 

Existe uma semelhança entre a tristeza profunda e a alegria plena como se ambas fossem produzidas na mesma usina. O frio que percorre o corpo é o mesmo. Mas o que é produzido na mente é diferente. Ou você ri ou você chora. São os extremos do pêndulo. Mas quando você não sente nada e fica indiferente a tudo aí algo estranho acontece: o pêndulo desaparece. E aí nada mais importa. Eu acho que quando o pêndulo desaparece você é capaz de fazer qualquer coisa ou não tem interesse em fazer nada. As duas opções são assustadoras. E, para mim, mais assustador é perceber, certo tempo depois, que meu pêndulo está desaparecendo por momentos cada vez mais longos.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Sobre livros e o que a leitura faz com a gente

Livros




Parece magia e é mesmo! Como é incrível você estar sentado no banco de um ônibus e mesmo assim ainda estar presente em outro mundo totalmente diferente. Na verdade você fica metade no mundo real e metade no mundo do livro, porque este tem a capacidade de te levar pra outro lugar. Eu vejo uma coisa incrível nisso, um momento mágico na vida de qualquer pessoa. E este momento pode ser de quem quiser, quem se permitir escolher um livro, seja ele qual for, e entrar nele, navegar pelas suas páginas e aprender muitas coisas.

Você já se debruçou sobre um livro e perdeu a noção do tempo? Pois é, isso já é a magia acontecendo. Quando o autor consegue te levar pra passear sem sair de casa. Quando as páginas vão passando e o livro vai se aproximando do fim e você já começa a pensar: o que eu vou fazer da minha vida quando esse livro acabar? Resposta: ler outro!

E o cheiro do livro? Parece até um entorpecente. Eu mesmo dou uma cheirada muito loka nas páginas do livro antes de ler. Parece até que é pra deixar a pessoa no clima do livro: aquele romance de encher o coração (não gosto desses porque sou ranzinza), aquele suspense/terror que não deixa você dormir (gosto mais desses) ou um que te faz rir sem parar (eu pensava que isso não aconteceria comigo, mas...). Tem para todos os gostos, é só escolher o livro, escolher o lugar e viajar.

O que a leitura faz com a gente



Como eu sou apenas um (mas em mim existem vários outros 'uns') vou relatar o que a leitura tem feito comigo, porque eu deixei me levar por ela desde a quinta série do ensino fundamental (há muitos e muitos anos atrás) quando minha professora de português passou o livro "Alice no país das maravilhas" pra que a gente lesse. E foi aí a primeira vez, pelo que eu me lembre, de ter mergulhado de verdade no mundo da literatura. Foi o meu primeiro livro e o qual tenho um apreço muito especial. Já o reli várias vezes desde então e sempre tenho uma compreensão maior cada vez que releio. Claro que eu já vinha lendo gibis desde não sei quando, turma da Mônica, DC, Marvel, etc. (Era quando eu também tinha começado a fazer os meus, a maioria de terror e, em seguida, desenhos das coisas que aconteciam na minha frente na rua, quedas, brigas e coisas que se transformavam em puro sangue nas minhas antigas e puras mãos de criança)

Daquele tempo para cá meu interesse literário não mudou, mas se expandiu bastante. Como falei, meu primeiro livro foi Alice no país das Maravilhas, depois conheci a coleção Goosebumps, que eu conheci nas bancas de revista, um terror bem bacana que invadiu a minha imaginação. Lembro que a partir da sétima série do ensino fundamental o professor de português passou o Ateneu - Raul Pompéia, e foi quando comecei a ler os livros nacionais. Até o terceiro ano do ensino médio eu tinha lido (confesso que mais por obrigação do que por vontade própria) Dom Casmurro - Machado de Assis, O cortiço - Aluísio de Azevedo, São Bernardo - Graciliano Ramos dentre outros. 

Meu autor preferido desde a adolescência é o Stephen King de longe!!! Meu primeiro livro dele foi Carrie, a estranha. A partir daí não parei mais de ler seus livros. Não sei dizer qual o melhor, mas o que me deu mais medo foi O Iluminado. O melhor livro de contos que eu acho até agora é o Sombras da Noite. E o que eu não gostei muito do final, porém, depois aceitei, foi A Maldição do Cigano. 

Passei um bom tempo lendo ficção científica e fantasia, Harry Potter, Percy Jackson, Fronteiras do universo, etc. Quando comecei a me interessar mais por filosofia e sociologia e passei a ler clássicos como O príncipe - Maquiavel, Elogio da Loucura - Erasmo de Roterdã até os contemporâneos como Bauman e Foucault. Então fui ampliando meus horizontes com ajuda dos livros e, claro, das histórias em quadrinhos. 

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Mental [conto]

No livro Sobre a Escrita, de Stephen King, o qual é uma autobiografia e ao mesmo tempo uma aula sobre como ser escritor, ele passa uma pequena tarefa. A tarefa é escrever uma narrativa sem enredo sobre uma determinada situação que ele explica. Então eu fiz. E aqui está:

Mental

            A vida sempre foi boa para Ricardo. Nunca lhe faltou dinheiro, apesar de precisar abdicar de certas coisas para que realmente não lhe faltasse, trabalhar numa fábrica de doces não era fácil, mas também não era difícil. Namorava uma moça que começava a amar, Jane, há alguns anos. Loira de olhos verdes e com uma beleza angelical, não que ele se importasse tanto com o exterior das pessoas, tendo em vista que o interior de Jane era tão bonito quanto. Ambos estudavam na universidade Estadual no período noturno e só tinham realmente tempo para namorar aos fins de semana, o que não diminuía a atração que um tinha pelo outro, pelo contrário, só fortalecia a relação.
            A cidade em que viviam era do interior, mas nem por isso tão pequena. Era a segunda maior cidade do Estado. Os dois se encontravam em uma das praças da cidade para namorar. Jane nunca concordara que Rodrigo fosse busca-la em casa em sua moto, ela preferia encontra-lo na praça. Quando o shopping foi inaugurado, eles passaram a se encontrar nele para assistir a filmes, mas nunca deixaram de ter seus momentos na praça central, local onde se conheceram.
            Um ano depois que se conheceram, resolveram os preparativos para o casamento. Jane não podia engravidar, o que não seria empecilho para realizar o sonho de Ricardo em ser pai, eles poderiam adotar futuramente. O casamento foi simples, bonito e apenas com os familiares mais próximos. Os pais de Jane não compareceram, mas mandaram uma carta com as felicitações e um presente em dinheiro para ajudar na lua de mel. A família da noiva era de outro Estado e o casamento seria o momento em que Ricardo iria conhecê-la. Novas oportunidades apareceriam, dizia Jane.
            A maioria dos amigos era da faculdade. Os outros, do trabalho de Ricardo. Jane trabalhava vendendo salgados na faculdade, o que fazia aumentar o carisma que Rodrigo sentia por ela. Ver o esforço de sua mulher em viver longe da família e se adaptar tão facilmente em outra cidade, com novos, e poucos, amigos.
            A lua de mel foi numa pequena cidade do litoral. A pousada na qual eles ficaram era famosa por acolher recém-casados. Os três dias foram os dias mais bonitos na vida dos dois. Ricardo demonstrava todo seu amor por Jane. Jane sempre com um sorriso acolhedor e tímido. O amor emanava do casal como um campo de força. Foi nestes dias que Rodrigo sabia que havia encontrado a mulher de sua vida.
            No último dia da lua de mel o casal teve uma noite de amor na areia da praia. Adormeceram olhando para a grande lua cheia e contando as estrelas em um planejamento para a nova vida que se iniciaria no dia seguinte. Rodrigo ainda não sabia, mas aqueles três dias foram os últimos dias felizes de sua vida.

            Alguns meses depois Jane teve uma leve mudança de comportamento. Eles haviam se mudado para a casa que Rodrigo financiara. Era uma casa grande, já que se encontrava na periferia da cidade e era de interesse de ambos uma casa com espaço para quando adotassem os filhos. Rodrigo queria um casal. Jane se tornara irritadiça e estressada. Não produzia mais salgados para vender na faculdade e passava dias sem ir às aulas se queixando de dores na cabeça. Sempre no café da manhã, o cheiro de café servia de plano de fundo para a mesma conversa.
            __ Vamos ao médico, querida. __ Pedia Ricardo.
            __ Eu não preciso de médico! __ Falava Jane com as mãos na cabeça.
            __ Eu preciso ir trabalhar, você ficará bem?
            __ Claro que eu ficarei bem, Ricardo. Vá trabalhar!
            Os meses se passaram. Logo as discussões se agravaram. Ricardo percebia, assustado, a mudança na esposa. Jane contara, em uma das discussões, que seus pais estavam mortos e ela inventara a carta com o dinheiro para a lua de mel. Mas ela não disse onde conseguira tanto dinheiro para forjar o presente. Com o tempo ela começara a agredir Ricardo com objetos. Ele, sem conseguir reagir, permanecia se defendendo como podia para não machuca-la. Aquele sorriso bonito e tímido que Jane mostrara na lua de mel se transformara em gritos e xingamentos.
            __ Eu não aguento mais isso, Jane! __ Gritou Ricardo pela primeira vez com sua esposa.
            __ O quê? __ Falou Jane observando o marido com olhos vermelhos de lágrimas. Ela costumava chorar enquanto brigava com ele.
            __ Não podemos continuar desse jeito. __ Falou Ricardo olhando para os arranhões em seus braços.
            A mulher respirou fundo para se acalmar. Aos poucos se recompondo. Eles não tinham relações sexuais com tanta frequência, mas tinham. Semanas depois da última discussão Jane, enquanto tomava o café da manhã, com aquele cheiro forte de café, falou para Ricardo:
            __ Estou grávida.
            Ricardo deixou cair o copo com água que segurava e olhava para a esposa sem acreditar. Ela, por sua vez, mostrou os exames.
            __ Mas você disse que não podia... __ Começou Ricardo e logo foi interrompido por Jane.
            __ Deve ter sido um milagre. __ Disse ela sem parar de tomar café.
           
            Veio uma linda menina. A qual recebeu o nome de Vitória, pois Ricardo decidiu acreditar que ela era realmente um milagre.
            Três anos se passaram. Vitória costumava apanhar bastante da mãe enquanto Ricardo estava no trabalho. Ele se formara em administração. Ela largara a faculdade. A desculpa foi que teria que cuidar da “maldita criança” que ele tanto queria e que Deus resolvera dar a ele de presente. As discussões ficavam cada vez mais agressivas e Jane batia tanto na menina como no marido. Às vezes ameaçava se matar com uma faca fazendo cortes no próprio braço e até no pescoço.
            Ricardo estava na praça do centro da cidade em um fim de semana. Jane havia ficado em casa. Vitória ficava na casa da vó, pois Ricardo não deixava a menina com a mãe de forma alguma. Uma amiga o encontrou por acaso e ambos começaram a conversar perto de um lago, o qual era um cartão postal da cidade.
            __ Como vai o casamento? __ Perguntou a moça tomando um sorvete. __ Nunca mais te vi com Jane aqui na praça.
            __ Ela anda meio doente, sabe? __ Mentiu Ricardo. __ Mas estamos muito bem.
            __ Gostaria de conversar com sua mulher sobre... __ A moça começou a falar quando alguém puxou seus cabelos com brutalidade.
            Jane estava segurando os cabelos da mulher com força.
            __ Então é isso que você vem fazer na praça quando não está apanhando de mim em casa, Ricardo? __ Perguntou Jane com os olhos vermelhos e lágrimas escorrendo.
            __ O que você está fazendo aqui, Jane? Solte-a! __ Ricardo falou se aproximando para tentar acalmar a esposa.
            Por sua vez, Jane apertou mais os cabelos da moça que chorava e se encontrava de joelhos. Uma multidão se aglomerava ao redor. Muitas pessoas com celulares filmando e tirando fotos para postar nas redes sociais. O momento mais marcante aconteceu quando Jane jogara a moça dentro do lago e correu, aos gritos, para arranhar Ricardo. Este descobria, depois do acontecido, que Jane sempre o seguia até o trabalho, a faculdade e qualquer outro local da cidade.
            A polícia foi até o local e, com o consentimento de Ricardo, foi levada para a delegacia. Ricardo recebeu uma notícia que dilacerou ainda mais seu coração: a polícia descobrira que Jane estava usando uma identidade falsa. Era uma fugitiva antiga do manicômio que ficava fora da cidade. A notícia não foi muito divulgada na época devido a um incêndio causado dentro do próprio manicômio, provavelmente iniciado pela própria fugitiva, e os indícios levaram todos a crer que ela havia morrido queimada até não sobrar nada que não fossem cinzas e um pouco de loucura. A fugitiva, descobriram em seguida, havia matado uma mulher que vivia sozinha e tomara sua identidade. Os salgados que ela vendia na faculdade eram feitos com carne de cachorro e de gato que ela matava pela rua em que morava, em uma favela na periferia da cidade.
            Depois de anos vivendo com uma psicopata insana, Ricardo deixara Vitória com a vó e decidira descansar em casa por algumas horas.
            Chegou em casa perto do anoitecer e ao abrir a porta sentiu uma pontada no fundo de sua mente. Algo estava errado. A televisão estava ligada e no noticiário algo que mexeu com seu coração: “...outro incêndio está acontecendo no manicômio situado nos arredores da cidade. Três enfermeiros e dois seguranças foram mortos e alguns pacientes estão desaparecidos...”. Então Ricardo percebeu o que foi aquela pontada ao entrar em casa. O cheiro de café que vinha da cozinha. Jane se aproximou por trás e deu um chute nas costas de Ricardo para que ele entrasse em casa e ficasse caído no chão.
            __ Oi, meu anjo! Saudades de você! __ Dizia Jane. Ela agora estava totalmente transformada. Seus cabelos foram cortados bem curtos e boa parte estava queimado. Alguns dentes estavam faltando em sua boca que costumava dar belos sorrisos. Manchas horríveis se espalhavam por seus braços. A única coisa que lembrava os velhos tempos eram seus olhos vermelhos e as lágrimas que não paravam de minar.
            __ Por que você fez isso tudo comigo, Jane? __ Perguntou Ricardo chorando.
            __ Você acha que vai se livrar de mim? __ Perguntou Jane ignorando a pergunta do ex-marido. __ Você é meu para todo o sempre, Amém! Entendeu, meu amor? Eu adoro você! Eu sei que você me adora também. Eu dei uma maldita filha pra você, não dei? Agora temos que fazer o maldito filho também! Você sempre quis um casal.
            Jane andava de um lado para o outro enquanto Ricardo levantava e corria para a cozinha chorando. Ela ficou na frente da televisão assistindo o que havia feito no manicômio pela segunda vez. Sentada no chão segurando os próprios joelhos e se balançando para frente e para trás.
            __ Venha assistir comigo, meu bem! __ Chamou Jane. __ Venha porque esse filme eu já assisti e sei que é muito bom. Quer que eu faça uns salgados? Acabei de matar o cachorro da vizinha.
            Ricardo mirou a faca no pescoço da ex-mulher, mas ela percebeu no último segundo e esquivou. Segurou no braço do ex-marido e o jogou no chão com uma grande força impulsionada por toda a loucura. Os dois brigaram. No mesmo instante em que Ricardo sentiu a pontada em sua mente assim que abriu a porta também soube que algo em sua mente iria modifica-lo para sempre. Ele não suportaria aquela vida mais uma vez. Ele não seria tão paciente com Jane como fora enquanto eram casados. Toda aquela raiva presa fermentara e aquele seria o momento certo de liberá-la, e na pessoa certa.
            __ Venha fazer um menino em mim agora! __ Gritava Jane!
            __ Claro que eu vou fazer um filho em você, meu anjo. __ Disse Ricardo com os olhos vermelhos e lágrimas escorrendo. __ Eu vou fazer mais de um filho em você.
            Jane abriu um sorriso desdentado. Ricardo segurou a faca com força e, com o cabo, golpeou a boca de Jane. O restante dos dentes se partiu e a mulher gritou desfazendo o sorriso espanto e dor. Ela foi lançada contra a televisão, que em seguida caiu por cima do corpo da mulher.
            __ Ricardo, faça um filho em mim, Ricardo! __ Fala Jane sem muita força. As palavras saindo com esforço por causa da quantidade de sangue e dentes que insistiam em sair de sua boca.
            __ Querida! __ Falou Ricardo sorrindo com surpresa. __ Acho que o café ficou pronto! Você quer tomar um pouco.
            Ricardo foi até a cozinha e trouxe a chaleira com o café que fervia.
            __ Vamos lá, vou dar na sua boquinha bonita. Abra. __ Mandou Ricardo.
            Jane fez não com a cabeça fechando a boca.
            __ Vamos, queria, abra a boquinha. __ Pedia Ricardo sorrindo e chorando enquanto a chaleira expelia o vapor do café. __ Então tá, vai com a boquinha fechada mesmo.
            Ricardo despejou lentamente o café fervendo no rosto de Jane que gritava e ao mesmo tempo se afogava no café quente enquanto a pele de seu rosto borbulhava e criava bolhas que logo estouravam e cuspiam sangue.

            __ Hoje nós teremos nossa segunda lua de mel. __ Disse Ricardo indo para cozinha colocar mais café no fogo.

domingo, 16 de agosto de 2015

Sobre discussões

Nós chegamos a um ponto em que as justificativas para solução dos problemas da sociedade estão acabando. Existem dois lados e cada um deles tem a sua explicação para a resolução (ou tentativa) desses problemas. Cada cidadão tem o direito de escolher um lado (como se fosse um jogo) e colocar seu ponto de vista, seu entendimento de como esses problemas estão afetando a sociedade e como considerar uma discussão produtiva na tentativa de se chegar a uma solução. É muito difícil (na verdade acho impossível) chegar a um denominador comum. Vivemos na sociedade da diversidade, o que é bastante enriquecedor e proveitoso para todos nós, o que varia também nas opiniões de cada um, e o respeito, nessa hora, é crucial. Não concordar, mas ter em mente que cada um tem seus motivos para acreditar em alguma coisa é um passo importante para não transformar uma conversa em gritaria.


O problema dos egoístas e os preguiçosos nas discussões
Isso porque os egoístas só pensam em si mesmos e vão aderir à solução que os beneficiem, às vezes nem pensam na própria família e sim na imediaticidade da resolução do problema, mesmo que seja apenas temporário, mas que seja agora e para o meu benefício, para acabar com a minha dor de cabeça. Já os preguiçosos, estes não devem entrar na discussão porque são papagaios que estão em cima do muro, não leem, não conseguem formar uma opinião própria e só repetem o que estiverem falando mais. E quem fica em cima do muro leva tiro dos dois lados...

Mas para chegar a algum lugar, em alguma solução, é necessário saber discutir. O que acontece hoje é que um coloca sua opinião, depois tem a réplica, depois a tréplica e depois a pancadaria! O ódio está se espalhando como se fosse uma mancha de óleo no oceano e no final afunda todo mundo.

É aquela fórmula:
Tese depois antítese que resulta numa síntese. Estamos brigando com uma tese e uma antítese. No meio do processo, os argumentos se perdem e o ódio parece que prevalece de um dos lados (ou de ambos?) que não nos permite chegar numa síntese. E tenha certeza que ela vai virar uma tese para combater uma antítese e virar outra síntese num loop eterno. Numa discussão, ambos (entendendo que está acontecendo entre duas pessoas) devem sair acrescidos de uma nova visão, não que precise mudar de opinião, mas entender que existem outros pontos de vista.


Isso tudo é pra esclarecer que enquanto, primeiramente, não nos entendermos como seres individuais vivendo numa sociedade diversificada não tem como entrar em acordo sobre nada. Ser egoísta num momento como este também não ajuda. Ser preguiçoso, pior.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Rage against the supermercado


       

Vocês já viram o que acontece quando você está numa fila cheia de caixa de supermercado, com várias outras filas cheias de outros caixas, e de repente um caixa que estava fechado grita: “caixa livre”? Vocês já viram? Eu vi e, por sorte, fiquei vivo para contar pra vocês.
Realmente eu não esperava que fosse acontecer bem na minha frente o que aconteceu bem na minha frente. Eu estava de boa no riacho com minhas compras com menos de doze unidades numa fila com mais de doze pessoas. Os outros caixas estavam desse jeito ou pior. Exatamente do lado do meu caixa havia outro caixa fechado, ou seja, sem ninguém. Era um porto seguro rodeado por zumbis.
Eu já tinha colocado na minha cabeça: ficarei nesta mesma fila até eu ser atendido, não mudarei de caixa na ilusão de que a outra fila está andando mais rápido. MAS, como falei antes, de repente, só ouvi uma voz feminina proferir a sentença maldita: caixa livre!
Sabe quando sua vida corre perigo e você começa a ver tudo em câmera lenta? Quando a adrenalina entra em ação e seu corpo reage sozinho na luta pela sobrevivência? Pois foi exatamente isso que salvou minha vida.
Depois da sentença maldita, a mulher que estava na minha frente, com um carrinho com MAIS de doze produtos, desatou a correr empurrando o veículo de compras ferozmente. Do mesmo modo e no mesmo instante, outra mulher do caixa adjacente ao caixa livre resolveu fazer a mesma ação, como em um jogo de RPG onde dois personagens agem na mesma jogada. Os gritos ecoaram por todo o supermercado logo em seguida, porque vocês sabem, a velocidade da luz é maior do que a do som, como quando você vê um relâmpago no céu e depois ouve o trovão.
Pessoas de todas as filas e de todos os caixas começaram a invadir aquele espaço tentando ser a primeira pessoa a ser atendida no caixa livre. Até pessoas que estavam nos caixas de grandes compras. Várias colisões entre carrinhos começaram a acontecer. Pessoas eram jogadas para os lados, algumas crianças atropeladas por carrinhos cheios de cervejas. Quem tinha comprado facas começaram a usá-las para cortar quem estivesse por perto, ou seja, muitas pessoas. Idosos que estavam nos caixas exclusivos para idosos começaram a atacar uns aos outros com suas bengalas, os que tinham mais força arremessavam seus produtos. Carrinhos começaram a voar pelos céus, pessoas começavam a cair mortas e a selvageria parecia que iria demorar para acabar. E enquanto isso os funcionários continuavam passando as compras dos clientes como se nada estivesse acontecendo. E no caixa livre ninguém conseguia ser o primeiro a ser atendido. Vi quando uma geladeira era arremessada e caía no meio do frenesi como uma bomba. Pessoas esmagadas. Era como dois mundos: depois dos caixas, a calmaria, as pessoas andavam normais e parecia não estar acontecendo nada do lado de dentro, onde o inferno estava tomando conta da terra. Eu teria que passar para o lado de lá.
Vocês sabem que eu senti aquela vontade imensa de também ser o primeiro a ser atendido no caixa livre. É tentador estar numa fila gigante e, bem na sua frente, abrir um caixa que estava vazio. Mas eu me contive. Com todas as minhas forças. Eu conseguia ver pessoas em chamas correndo na ala dos biscoitos. Pensei no que poderia fazer para conseguir sair vivo dali, e, o mais importante, com as minhas compras. Então meu corpo agiu sozinho. TODOS os outros caixas estavam livres, mas todo mundo queria o caixa livre. Rapidamente eu me dirigi ao caixa mais distante e específico para compras até 12 produtos.
__ Bom dia, quer o CPF na nota? __ A moça do caixa me perguntou.
__ Não, não... __ Respondi respirando ofegante.
Depois que minhas compras passaram eu agradeci e saí para o lado da calmaria quando esta mesma moça proferiu a sentença maldita: caixa livre!


            

domingo, 26 de julho de 2015

Quando eu parei de beber...

             Dia 24 de junho completou um ano que eu não bebo nenhum tipo de bebida alcóolica! E no decorrer do processo (como sempre o processo) muitas coisas pequenas aconteceram, juntando todas essas coisas pequenas, que não pesam muito quando vistas de forma isolada, surge a superação e também este post. Segura na minha mão, galera, que a gente vai subir uma ladeira.

            A decisão: coragem pra decidir
            Não foi a primeira vez que eu disse que iria parar de beber. Já tinha dito isso pra mim várias e várias vezes depois de uma ressaca ruim. As injúrias da ressaca “física” são ruins: a dor de cabeça, o enjoo, jatos de vômito na parede... Fora que eu perdia o dia seguinte inteiro. Mas as injúrias da ressaca “moral” são as piores para mim: a sensação de não saber o que se fez, a vergonha no dia seguinte e o arrependimento de ter bebido tanto. Mesmo assim eu, na festa seguinte, enchia essa minha carinha...
            Um dia, depois de outra bebedeira, com uma maldita ressaca que balizava entre a física e a moral, repensei tudo. Começou igualzinho das outras vezes: eu pensando que não deveria mais beber, que eu estava passando dos limites da zoeira, que eu não sabia beber com moderação como os comerciais de televisão mandam, etc e tal. Na maior tristeza, como acontecia na maioria das vezes, eu tentava lembrar do que fiz na noite anterior. Resolvi passar alguns dias pensando no assunto, não me martirizando, mas escolhendo o momento certo para tomar uma decisão que não fosse mais uma brincadeira ou armadilha para tentar tirar a culpa de mim e voltar a beber no próximo fim de semana. Li um texto de uma garota que passava pelo mesmo problema que eu. Achei o texto sem querer e ela falava que estava há um ano sem beber NADA de bebida alcóolica. Era só o que me faltava para tomar minha decisão. A partir dali eu não beberia mais. Ninguém disse pra eu parar de beber, ninguém segurou na minha mão e me fez parar. Certo que algumas pessoas já haviam me dito para moderar (moderar na quantidade que eu bebia durante uma festa, pois eu não costumava beber toda semana, mas bebia MUITO numa única noite). Então eu parei.

            O Processo: as coisas pequenas
            1 – Eu não tenho mais ressaca: nem física nem moral. Como consequência de não beber eu parei de sair tanto como antes. Isso porque eu percebi que só saia para beber e não para me divertir ou conversar com os amigos. Saía para ficar bêbado. Não ter uma moderação para a bebida me fazia ter a ressaca maldita e, algumas vezes, perder a festa por completo por não lembrar nada no dia seguinte. Eu percebi que sou o tipo de pessoa que não sabe beber. Pessoas como eu extrapolam os limites do permitido. Sei que era muito engraçado para quem “assistia”, na hora era engraçado pra mim também, mas no dia seguinte... (lágrimas)

            2 – Parei de sair com frequência: isso foi interessante para mim porque vi que eu saía mais para agradar aos outros do que por minha própria vontade. Eu não sabia dizer um NÃO para não desagradar. O processo me fez entender e dar prioridades para coisas que me são mais proveitosas do que ficar bêbado sem limites – porque era assim que eu ficava. Quando saio não sinto vontade de beber, não tenho saudade do passado e nem por isso me sinto culpado pelo tempo que eu saía. Pelo contrário, foi um tempo até divertido, mas todo mundo tem o seu tempo para se desprender de coisas que não fazem bem, para mim, a bebida não estava ajudando em nada.

            3 – Algumas pessoas não aceitam que eu mudei: é verdade, algumas pessoas que eu costumava sair não aceitam que eu parei de beber. Não as culpo, por parte, porque eu já tinha dito muitas vezes que pararia de beber e não parava. Não estava com muita credibilidade. Porém, agora que eu parei, algumas pessoas, quando eu saio, dizem que eu não sou mais o mesmo, que não me reconhecem ou coisa do tipo... Ah, que eu perdi a graça!. A mudança é algo difícil, principalmente quando era já um hábito que fazia a alegria dos outros. Sendo que eu, quando saio, não me importo com quem bebe ou tente proferir advertência para que os outros também parem de beber. Não sou empata-foda...

            4 – Tentei substituir a bebida por outras drogas: sim, no começo eu fumava e tomava Coca-Cola com energético (!!!), vinha uma grande agitação e taquicardia, mas não vinha a loucura que se esconde no meu mais profundo interior. Prefiro que ela fique lá e vou conversando com ela aos poucos deixando-a sair em momentos necessários, ela não pode apodrecer dentro de mim, né verdade!? Então eu também fui parando com o cigarro e, recentemente decidi também parar de fumar. Tudo no seu tempo para não criar frustração à toa.

            5 – Tive uma recaída: é verdade! Em dezembro do ano passado eu tive uma leve recaída quando viajei para o Peru, que também coloquei aqui no blog pois tive uma “epifania” naquela viagem. Não vou justifica-la de nenhuma forma, ela apenas aconteceu e já lidei com isso da melhor maneira que eu pude.

            A ladeira: a vida continua
            É como o poço que todos nós descemos um dia até o fundo, mas uma hora ou outra subimos novamente. Às vezes parecemos um balde voltando lá para o fundo. Mas sempre voltamos para a superfície. Se você não gosta de ir e voltar do fundo do poço é porque está na hora de mudar alguma coisa. É a mesma coisa com a ladeira, todos sabem que descer é mais fácil do que subir. Para mim, a bebida estava me atrapalhando, estava me fazendo descer essa ladeira e quando eu tentava subir e chegava na metade do caminho ela me puxava de novo. Agora acho que já subi bastante pra não deixar que ela volte a me puxar nem para o começo da ladeira nem para o fundo do poço. E é como a moça do post que me ajudou a ter iniciativa pra parar de beber falou: tem pessoas que não podem beber nem um gole, nem um copo de vinho... É o meu caso.

            Como sempre digo, a vida é como um jogo de vídeo game: temos que passar de fases para conseguir experiência e avançar (espiritualmente) na vida. Cada ladeira/poço é de um jeito para cada pessoa e a forma de subir cada um deles só depende de quem desceu lá pra baixo. E depois que a gente sobe um deles pode se preparar porque cedo ou tarde aparece outra ladeira pra subir. Dependendo de nossas atitudes para enfrentar o monstro de cada fase do jogo nós podemos subir a ladeira/poço rindo ou chorando, o importante é não ficar lá parado. Até agora estou de boa :) 

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Caminhando e cantando...

A sociedade prega uma coisa e a gente pensa que é a coisa certa, mas chega uma hora que o seu corpo, a sua mente e a sua alma dizem que não é assim. O que dizem sobre ser bem sucedido na vida? Dizem que se você estuda, tem um emprego e uma casa você é bem sucedido e, alguns
, ainda dizem que você também é feliz. No meu caso aqui eu tenho isso tudo, ou seja, diriam que sou bem sucedido. Diriam também que eu sou feliz. Mas eu mesmo não sei se sou nem uma coisa nem outra.

            Você segue conselhos, procura um emprego, estuda e quando está “estabilizado” (mas só pelo lado de fora), você percebe que não está mais seguindo adiante, que parou no tempo. Que quando alguém pergunta o que você tem feito, a única coisa que você diz (há anos) é: só estudado e trabalhado. Aí alguém diz: que bom que você é bem sucedido. E você pensa: mas eu não quero ser bem sucedido, quero ser feliz. E pra ser feliz você pode ter muito dinheiro ou não.

            É muito complicado falar em dinheiro hoje, pois este é o deus na terra e falar que ele não é importante é pior do que falar uma blasfêmia. Alguns carniceiros logo diriam: então me dê o seu dinheiro pra mim!!!!!!! ME DÊ!!!! Cuidado com esse tipo de pessoa. No tempo em que o que é certo ou errado passou a ser mais relativo do que nunca, para alguns, realmente, a felicidade só pode ser alcançada com dinheiro.

            Então o que fazer quando você está sendo bem sucedido, mas não se sente feliz, sente que está faltando alguma coisa ou sente que parou no tempo?

            1 – Cuidado com a família. Não se pode generalizar, mas algumas querem o melhor pra você quando na verdade ela nem conhece você de verdade mesmo você sendo o filho, irmão, pai ou mãe do núcleo. As pessoas querem o melhor para elas mesmas e tentam colocar isso na gente. Crescendo e aprendendo, eu vejo que muitos dos conselhos que já recebi de pessoas mais velhas foram para o benefício delas. Creio que quando alguém pede um conselho a pessoa deve dar possibilidades e não ordens.

            2 – Cuidado com os amigos. Da mesma forma que a família, já que os amigos são a família que nós escolhemos, alguns deles não aceitam a mudança e querem que você permaneça o mesmo para sempre. A mudança é algo difícil para todos, mas para alguns parece ser um martírio. Para estes é melhor continuar fazendo a mesma coisa de sempre, permanecer na zona de conforto até o fim. Isso inclui não querer deixar os outros seguirem em frente.

            3 – Quando você percebe que não está feliz do jeito que está a sensação é pior do que quando você estava infeliz mas deixava a sensação escondida. Isso porque agora você sabe que tem que tomar uma decisão e mudar alguma coisa. E como já dissemos antes: mudar é difícil.

            Claro que são apenas possibilidades para tentar minimizar a sensação de tristeza miserável e infelicidade decadente. Afinal, eu sou apenas mais um nessa bagunça toda, nesse caos giratório. Pensando agora, vejo que estudar de mais está me fazendo perceber a infelicidade. Se eu não tivesse lido umas coisas de filosofia e sociologia talvez eu ainda estivesse contente, rindo à toa pensando que por eu ter meu dinheiro todo mês estava com a vida feita. Não. Agora não tem mais volta pra mim. Também não é o fim dos tempos. Ainda lembro a sensação de me livrar de um peso nas costas, de ter a consciência limpa de ter feito uma escolha certa... Só preciso lembrar como fazer, jogar esse peso que me faz ficar parado e começar a andar novamente.

            Também lembro quando ouvia calado os “conselhos//ordens” que eu nem pedia. Depois que eu aprendi a pensar por mim mesmo essas “doações” não entram mais na minha bagagem sem antes uma refinada revisão crítica sobre o que vai me acrescentar ou subtrair. Se vai pesar mais na minha bagagem ou se vai me ajudar a aliviar o peso. Depois que eu aprendi a pensar, ficar sozinho é necessário. Algumas pessoas apenas fazem barulho quando falam. E falar em sucesso na vida colocando o dinheiro em cima da felicidade já não soa uma melodia interessante e nunca deveria ter tocado pra alguém ouvir essa baboseira. 

domingo, 10 de maio de 2015

Mãe - mamãe - mainha

Deixando de lado aqueles pensamentos do dia de hoje ser uma data de consumo e etc e tal, vamos ao que interessa: MAMÃE QUERIDA!

Independente de qualquer coisa neste mundo eu estou escrevendo aqui hoje graças a minha mãe (e ao meu pai... e as circunstâncias daquele dia no passado distante...). Ela me criou e me ensinou coisas que construíram a pessoa que eu sou hoje. Mas não pense que é o ensinamento de dizer: menino faça isso, menino faça aquilo. Não. Os principais ensinamentos que recebi de minha mãe foram observando suas ações, observando a maneira que ela lida com os problemas e com todo o desenrolar que a vida vai fazendo com todos nós. Não sou muito bom em demonstrar meus sentimentos, mas sei sentir muito bem. E quando estou perto dela tento transmitir todo o meu amor. Quando estou perto dela parece que todos os problemas do mundo têm solução. 


Claro que vai haver briga! Claro que você vai dizer uma coisa que vai se arrepender amargamente no minuto seguinte e que no outro minuto vai pedir desculpas (ou não, ou vai ficar orgulhoso no seu quarto se remoendo de remorso). Mas também terá aquele momento alegre e feliz. Outra coisa, não vamos ser hipócritas: infelizmente o mundo não é uma fábrica de realização de desejos (...) e como uma mãe também é um ser humano (é?), existem mães que não prestam assim como existem pessoas que não prestam. Todas merecem uma chance de tentar ser pessoas melhores (não merecem?). 

Em uma época em que as palavras estão perdendo o sentido e que ninguém tem tempo mais pra nada, o dia de hoje não serve apenas para mais uma data de consumismo desenfreado, isso vai de cada um, mas sim para nos lembrar de dedicar um dia em especial - mesmo sabendo que todos os dias e blá-blá-blá - para nossas mães. Eu comecei a pensar - hoje - que a minha mãe é a pessoa a qual eu mais estive ligado porque ela que me acolhei na gestação. E hoje, já adulto, eu venho pensar nisso: nas coisas que ela passou pra eu poder nascer. Na criatura em que me tornei devido aos esforços que ela fez pra que eu chegasse até aqui. 

A mãe, na minha perspectiva de filho, é a responsável por fortalecer nossas asas, apará-las, pintar da cor que a gente quiser, ensinar como usá-las e depois não querer que a usemos. Ou seja, o cordão umbilical, na verdade verdadeira, nunca é cortado de maneira absoluta. Talvez seja igual ao fio de prata que liga nosso corpo físico ao corpo astral. É uma ligação natural que, pra quem saber usar, vira um baluarte de amor e carinho onde quer que estejamos - tanto nós quanto nossas mães.

É um atributo especial ser mãe, eu acredito, pois ela carrega uma (ou mais de uma) vida dentro de si. Não tem condições de que a criança não carregue um pouco da sua geradora pelo resto da vida. Ela nos dá as forças necessária para nascer e depois que nascemos dá a força necessária para prosseguir e depois voar, mesmo a contragosto.

Fica aqui a minha visão de filho sobre o que é ser mãe.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Humanos em primeiro lugar

Infelizmente não é possível definir a índole das pessoas por suas profissões. No nosso imaginário popular, se posso usar este termo, dizemos que determinadas profissões são consideradas especiais para a população, que são pessoas especiais que as exercem. Mas é errado dizer isso. A profissão pede determinadas capacidades das pessoas que vão exercê-la, mas, como todos estamos percebendo, o ser humano (nós) é totalmente imprevisível. Em um momento estamos cheios de amor tentando proliferar a paz e a bondade (nem todos fazem isso) e no outro momento estamos estressados desejando que o próximo seja punido e julgando até o porquê (na nossa sábia opinião)
o outro esta usando determinada roupa (como isso pode incomodar, né verdade?).


Então, sabendo que estamos lidando com seres instáveis, coloque-os em qualquer profissão e você perceberá que não somos robôs (alguns de nós), que todos erram e que uma classe inteira não pode ser julgada pelas suas exceções e nem pela sua maioria. Nós temos que aprender a lidar com nós mesmos, a nos compreender, a criar uma coisa chamada empatia. Sempre me pergunto se o mundo está se dirigindo pra um buraco negro ou se isso tudo que está acontecendo (não preciso citar aqui) faz parte da evolução. Olhando para trás vemos quantas guerras (avisos humanos) e quantas catástrofes naturais (avisos da natureza) nós, bravos seres humanos, já passamos. Alguma coisa mudou? Sim, mudou. Mas só se percebe que algo minimamente mudou quando você se coloca no lugar do outro, quando você vê que tem gente que ainda se preocupa com o próximo, que ainda sabe o verdadeiro sentido da palavra amor. 

Já falei antes que somos um saco de bondade e maldade que se mistura todo o tempo, independente da profissão nós somos humanos, temos nossos altos e baixos, temos a necessidade de mostrar nossos anseios, tristezas e conquistas (as redes sociais que o digam). Por trás de uma farda, de um cargo ou de um terno e gravata existe um saco de carne, ossos e uma alma, existe um universo inteiro que se confronta com seus aspectos internos e com os externos, que cultiva o amor e o ódio. Julgar é fácil pra quem tem uma consciência suja. 

Portanto (como nas redações), existem pessoas boas e ruins em todo lugar. Não ache que a profissão faz a pessoa porque algumas (para não generalizar) pessoas escolhem sua profissão primeiramente pensando no dinheiro independente se vão lidar com vidas ou com roupas. A cada dia que passa vou chegando a uma conclusão - que ainda vai demorar muito para se concluir, se é que um dia vai - de que somos todos um paradoxo cada um a sua maneira, cada um no seu mundo particular e secreto. 

terça-feira, 5 de maio de 2015

Conhece-te a ti mesmo, disseram... ¬¬ Parte III

Ao final do curso de Auto-conhecimento - que não tem final - você recebe o título de bacharel. Ou seja, nós somos tão especiais que nosso mistério interior [interprete] é infinito [eu acho]. É como eu já disse antes com as minhas singelas e simplórias experiências: a cada novo conhecimento, a cada nova aprendizagem que eu consigo na minha caminhada após procurar conhecer a mim mesmo eu vejo que não sei de nada de coisa alguma. Reconfortante, não é? Procurar saber o que é certo e o que é errado para nós mesmos é uma discussão séria. É o que vai nos guiar a partir daquele momento em que nós mesmos batemos o martelo. E a discussão acontece entre os vários de nós que moram nestes corpinhos aqui, ó! E não importa a decisão, ela vai ser a certa (pra você!). E é o que importa (pra você também). Afinal, nós podemos mudar de opinião todos os dias. Eu não acho feio mudar de opinião se você percebe que sua postura atual não condiz com suas prioridades. E eu sei que escrever é muito fácil, na prática é que o bicho pega de verdade. Ninguém disse aqui que iria ser fácil, mas o processo tem um gosto de coisa certa. Pra mim o gosto é esse. 

Como cada um é um universo particular, o curso deve transcorrer de modos diferentes. Você de estagiar em outros campos. Deve pagar disciplinas diferentes. Tem guias e professores diferentes. O seu local de estudos é diferente (claro! É dentro de você!). Então chegamos no ponto que eu queria: Os grupos de estudos.

Grupos de Estudos

Além dos seus "Eu's" internos, os quais vocês brigam e se amam paradoxalmente ao mesmo tempo, você pode encontrar pessoas ao seu redor que também estão no curso. Em níveis diferentes, mas com o mesmo propósito. É coisa de energia mesmo, você sabe, em algum momento, quem está vibrando na mesma vibe que a sua. Sabe aquela pessoa que você nunca viu na vida mas ao mesmo tempo acha que já conhece de não se sabe onde? PRONTO, GAROTO(A)! Você acaba de encontrar alguém que está na sua turma. As conversas fluem, as energias giram numa espiral formando um tornado e... Mudei de estação por um momento... Então, assim você tem seu grupo de estudos "fora de você". Que é quando você consegue discutir e "confrontar" suas experiências com as experiências dos outros coleguinhas de classe. E, creio muito nisso, o objetivo é a evolução de ambos ou do grupo. Sim, você acaba de passar de nível e ganhou uma espada nova!

Sendo assim, os momentos de tristeza aparecem. É ruim. É triste e confuso. Faz parte? Faz! Saber lidar com isso da melhor forma possível vai evitar mais sofrimentos que aparecerão pela frente. Passando dessa disciplina, na verdade, os sofrimentos não virão como sofrimento, mas como ensinamentos. As lágrimas serão vistas como uma limpeza da alma, dos nossos olhos. Uma forma de purificação. De ciclo que acontece para ajudar na nossa evolução. Só para constar, estou pagando essa matéria novamente por reprovei nela de outras vezes. A mensalidade é cara. Não é dinheiro, dinheiro não é nada aqui. A mensalidade são as marcas que ficam no nosso corpo, no nosso espírito. Bom, agora é hora do intervalo, galere, vamos nos falando... :)

OBS.: Outra coisa que eu aprendi agora pouco é que se você quiser fazer uma coisa tem que começar a fazer mesmo sem vontade. Se ficar só na cabeça ela realmente vai ficar só na sua cabeça. 

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Conhece-te a ti mesmo, disseram ¬¬ Parte II

Aqui não exite férias, é um aprendizado constate. Afinal, conhecer a nós mesmos é, na verdade, conhecer o universo inteiro, porque cada um de nós É um universo inteiro. O terceiro período é bem puxado, os professores nos colocam na prática de certas coisas que estudamos. Veja bem, eu disse que eles nos colocam. Eles não perguntam se você quer ou não ir para a prática, simplesmente a ação acontece e pronto. Vire-se, você não é mais uma criança, você quis se conhecer, não quis? Então pronto.

Então as portas de várias das mazelas do mundo se abrem para você. E a gente começa a se sentir realmente parte da humanidade. E isso é tão ruim. Porque ao mesmo tempo que você tenta de todas as formas ser uma pessoa melhor, pra você e para o mundo, outras pessoas roubam e matam, fazem coisas horríveis por dinheiro e outras misérias que todos nós estamos, infelizmente, acostumados a ver e ouvir. Eu me pergunto: o que fazer? No processo de alto-conhecimento nós precisamos nos ajudar, acredito eu, e isso significa ajudar os outros também. E se isso tudo de ajudar ao próximo soar besteira para alguém é porque já estamos bem perto do fundo do poço.

No caminho do "conhece-te a ti mesmo - e em consequência todo o mundo ao redor", você é bombardeado por todos os lados por todas as influências. Dá pra começar a sentir a energia das coisas e pessoas, a vibração dos lugares e os sinais que o mundo manda pra você: sonhos, coincidências, aromas, etc. E nisso vem coisas boas e ruins. Parece que quanto maior a dor, maior o aprendizado. Nesse período temos que começar a aprender a controlar nossa mente e nossos pensamentos. Aqui é tipo anatomia pra área da saúde ou cálculo pra exatas, ou seja, já sabe né? 

Ainda temos uns minicursos autodidáticos com o tema: lidando com as pessoas próximas. Você começa a entender a beleza da diferença. No meu caso, eu consegui - ainda estou fazendo alguns minicursos desses, talvez seja necessário um para cada pessoas que eu conheça já que é um processo constante. E não serve para conhecê-la por completo, mas para compreendê-la. A maravilha de aprender coisas com outra pessoa sem aquele compromisso de TER que aprender, você simplesmente vai aprendendo - e ensinando - sem obrigação nenhuma.

E este é o terceiro período da minha faculdade do auto conhecimento . . . 

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Conhece-te a ti mesmo, disseram ¬¬

Tem alguma coisa acontecendo. Desde que comecei a tentar seguir o aforismo "conhece-te a ti mesmo" eu tenho ficado cheio de dúvidas e talvez outra crise de identidade se aproxime. Tipo" The crise de identidade is coming". Porque é muito difícil pra mim saber que eu fazia certas coisas sem pensar que hoje não parecem ser certas pra mim, é difícil mudar certos hábitos que ficaram grudados em você de uma hora pra outra por se estar vendo além do que se via. Eu tenho lido (e praticado) muito sobre algumas religiões e filosofias e ideologias e seja lá como for que chamem. Mas o que todos nós sabemos é que pregar o amor ao próximo é bom, matar o próximo é ruim. Digamos que isso seria o ensinamento do primeiro período da faculdade do autoconhecimento e, consequentemente, do conhecimento do mundo ao redor e das pessoas que vivem nele, ou não. Então eu separei parte do meu tempo pra essa nova faculdade. Já tentei ler a bíblia, parei umas 40 páginas depois, do antigo testamento. Também tentei o livro dos mórmons, não consegui passar da 50. Li coisas de espiritismo. De bruxaria. De umbanda e candomblé, que têm suas diferenças, por falar nisso. Também sobre o xamanismo e os paranauê todo aí. Foi muita coisa para o primeiro período. Realmente confundiu a minha cabeça. Mas eu passei com uma boa nota, acho que fiquei com 8. Não, 8 não é uma boa nota, mas eu sou um aluno 8, não posso lutar contra essa minha natureza que insiste em não ser o aluno nota 10 que eu gostaria de ser. Bom, Sei que coloquei tudo na balança e fazer o bem vai recompensar mais do que fazer o mal. Mesmo com a confusão de hoje de cada pessoa ter sua própria noção do que é certo e errado.


Então eu fui para o segundo período. Como sempre acontece, as coisas tendem a ficar mais complexas na medida em que se vai passando de fase. Isso é em tudo: nos vídeo-games, nos filmes que tem continuação (vejam jogos mortais *___*) e não poderia ser diferente na faculdade. Nesse período eu tive que analisar com mais calma todo o material que eu tinha colhido no primeiro período. Claro que eu não havia me decidido para qual religião seguir, porém, me tornei mais atento às cosias que vinha fazendo. Achei tantos defeitos em mim mesmo. Coisas que eu praticava de forma natural e que sempre me faziam sentir mal depois, mas mesmo assim eu fazia. Eu era tipo um demônio :). Bom, nesse período eu também fui orientado pelos meus professores a relembrar do meu passado, afinal, eu estava conhecendo a mim mesmo. Lembrei. Essa disciplina tem I, II e III. Também me tornei mais observador. Observo as coisas ao meu redor, principalmente a natureza e a beleza da singularidade de cada pessoa. Tenho frio na barriga quando entro num ônibus e vejo tanta gente diferente que vive uma vida diferente e pensa coisas diferentes. Eu acho isso de uma beleza sem igual. Com isso tudo eu ganhei uma variação de humor sem tamanho também, talvez por me ligar tanto às pessoas que eu não conheço e sentir a energia, vibração ou o que quer que seja de pessoas tristes, alegres, etc. Ninguém disse que ia ser fácil, né verdade.

Por falar nisso, tô meio coisado agora... depois continuamos com o terceiro período.