quinta-feira, 21 de agosto de 2014

A CRISE DOS VINTE E TANTOS ANOS

O primeiro de tudo é que nada pode ser generalizado. Mesmo quando tudo parece igual há alguma coisa de peculiar em cada coisa. Então, o que segue é só o relato da minha crise (atual) dos vinte e tantos anos, o que talvez algumas pessoas possam passar por ela só nos trinta e poucos ou antes dos vinte, sei lá, com essa evolução toda e coisa e tal...
            E lá vamos nós:

            Eu tive uma crise de identidade antes dos 25 anos, até coloquei aqui no blog com o título de “O que fazer da vida?”. A partir daí, alguns meses depois, eu já tinha esquecido a crise porque comecei a fazer um monte de coisas e zaz... Mas agora ela volta, na verdade eu acho que ela nunca tinha ido embora. Ela só estava fermentando com novas situações que a gente vai passando no decorrer dos anos. E eu acho, agora, que ela nunca para de fermentar.

            O que acontece (agora) é que tantos comportamentos e conceitos que eu considerava inadmissíveis quando criança/adolescente estão fazendo parte da minha rotina e que outros comportamentos e conceitos que eu costumava praticar e aceitar no passado agora me parecem inaceitáveis e idiotas (¬¬). Então, é algo que acontece de acordo com a vivência de cada pessoa. É aquela velha lição que todo mundo pratica, mesmo sem saber, de passar por uma situação e só no futuro relembrá-la e pensar no que foi aprendido com ela, daí você tira a conclusão se deve ou não repeti-la. E assim você vai fazendo a triagem. Vai mudando seu estilo de vida e seus hábitos e mudando e mudando...

            Aprendi que realmente o trabalho dignifica o homem. Que a partir dele a liberdade fica bem mais perto, mas parece que quanto mais perto da liberdade (entenda como quiser) eu estou, menos coragem eu tenho de deixar as coisas para trás e tentar seguir o que eu realmente quero. É como se eu fosse um passarinho numa gaiola, eu já consegui, depois de muito esforço, abrir a portinha dessa gaiola de madeira (com isto entenda que eu já estudei, trabalhei, tentei me compreender, saber o que eu realmente queria, selecionei minhas amizades, selecionei minhas atitudes, aprendi coisas sobre religião, atividades físicas, alimentação, meditação, relações amorosas e etc, tudo na teoria e na prática) e agora vejo que a porta está aberta, mas eu ainda não saí da gaiola. Não porque algo me prende, a não serem meus próprios pensamentos, mas porque eu não quero! O pior é descobrir que eu posso sair a qualquer momento porque agora eu tenho a tão sonhada independência que eu queria quando completei 18 anos, e nesta idade eu era uma porta (vergonha do passado, mas, como disse, serve de lição e até tenha sido necessário eu ter sido daquele jeito para não o ser hoje).

E friso que a gaiola é de madeira porque percebo agora que eu poderia ter arrombado a portinha e ter me libertado muito tempo atrás, mas não teria aprendido metade das coisas que aprendi tentando abrir a portinha de uma maneira mais “precavida”. Ou não, talvez eu pudesse ter aprendido outras coisas de outras formas. Este “SE” nunca vai ser respondido, então prefiro acreditar que esse meu trabalho tentando abrir a porta com mais calma tenha sido essencial para meu aprendizado até este momento.

            Mas eu não estou parado na porta da gaiola sem fazer nada (não consigo mais ficar sem fazer nada), eu estou prestando mais atenção em cinco coisas que, durante esses anos, considero importantes de mais pra minha vida:


Explicando rapidamente cada uma delas:
Alimentação – Manter hábitos saudáveis de alimentação. Não tomo mais refrigerante (só bem raramente), não tomo líquido durante o almoço (só bem raramente), tento beber muita água durante o dia, etc.

Atividade Física – Praticando exercícios diariamente (com exceções), correr é muito bom pra pensar na vida, sempre corro imaginando que tem um caminhão descontrolado atrás de mim, etc.

Meditação – Aqui engloba aspectos sobre religiosidade e estudos sobre várias religiões. Uma bem interessante que li foi sobre o budismo. Fazendo leituras sobre esses assuntos estou conseguindo modelar algumas coisas sobre os mais variados assuntos na minha vida pessoal e etc.

Estudos – É o que quero continuar fazendo durante muito tempo e acho que bem mais tempo ainda depois. Aprender coisas é a melhor coisa que pode acontecer pra uma pessoa evoluir. Não só nos livros, mas, na própria vida e etc,

Amor – Amor fraternal e carnal também. Tento limpar a mágoa e o ódio que sinto por algumas pessoas miseráveis. Não é fácil de jeito nenhum, mas com o tempo isso vai se transformando e alguma outra coisa. Tento me relacionar com meus amigos e compreende-los, com minha família e com as pessoas que me derem a oportunidade de conhece-las. Ainda estou aprendendo o que é o “amor” já que nossa geração é do tempo em que ele começou a perder o sentindo do próprio nome e se tornar uma coisa banal.


Pronto, minha crise me levou a esses cinco ‘pilares’ e é neles que tentarei superá-la e, o mais rápido possível, se for o que eu queira mesmo, sair da gaiola que já se encontra aberta.