segunda-feira, 14 de abril de 2014

A sua hora chegou!


Sabe quando o tempo se esgota e você, de repente (mas nem tanto assim) não se vê mais fazendo alguma coisa que fazia? Bem, é porque a hora chegou. Acredito eu que seja uma “atualização” interna para a transformação das fases da vida, como passar da infância para a adolescência e você não brinca mais de carrinho ou de boneca [não vou entrar aqui em detalhes para tentar saber se isso é normal porque eu ainda não sei o que é normal e nem quero saber]. Não é que você diga “a partir de hoje eu não vou mais brincar de carrinho!”, é que quando a hora chega você se sente satisfeito daquela atividade e parte para a outra fase da sua vida na qual não seria tão interessante ficar brincando de carrinho. Você olha pra trás e percebe o quanto você aproveitou daquele tempo, o quanto aprendeu... Ou então apenas esquece e segue adiante.
A parte boa vem agora. Quando você vira adulto [eu vi na internet que a velhice começa aos 27 anos, mas não sei se acredito...] as fases que precisam ser superadas são mais difíceis. Algumas pessoas passam da fase com tranquilidade e de forma natural, elas só percebem que, um exemplo, “sair e voltar bêbada vomitando todo o fim de semana não parece mais tão legal agora” ou “ não acho mais tanta graça em ficar me fazendo de vítima todo o tempo para que os outros tenham pena de mim” ou então “ficar com um e com outro sem nem saber o nome não tá me fazendo feliz” e coisas do tipo. Talvez esta “hora” esteja marcada no nosso cérebro desde o nascimento (ou não), mas é necessário que vejamos o que queremos. Se o hábito ainda te faz feliz, quem vai dizer pra você parar? Isso porque o que traz felicidade pra mim pode não trazer pra você. E quando a hora chega e você não quer mudar alguma coisa precisa acontecer pra dar uma orientação, acho que a teoria da roleta se aplicaria aqui.
Pra mim a hora de algumas coisas chegou. Hábitos bons e ruins e que me ensinaram coisas boas e ruins [afinal, somos um saco de bondade e maldade que se mistura todo o tempo].

domingo, 13 de abril de 2014

CoNtRaDiçãO


O mundo está cheio de contradições, e as que eu mais vejo são nas pessoas [inclusive em mim, claro!]. O que se sucede é o seguinte, mano velho, depois que você conhece algumas pessoas percebe que, com o tempo, elas começam a mostrar opiniões que não condizem com seus atos [era isso que eu queria dizer!!!!], então, em uma conversa você VER claramente a contradição e fica se perguntando, por exemplo: “como gota serena essa pessoa pode estar falando isso?”

            Os casos mais comuns e que, creio eu, a maioria das pessoas já presenciou é a do(a) religioso(a) que pinta o sete de uma forma que eu não conseguiria expressar aqui, mas quando está em uma roda de amigos começa a falar a palavra de Deus de outra forma que eu também não ousaria tentar explicar. E então você consegue fazer a diferenciação de duas opiniões que parecem não fazer parte da mesma pessoa que está falando. É como diz aquele velho ditado hipócrita: “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”.

            Outro caso que eu presenciei é o de pessoas que dão dicas maravilhosas sobre como manter um relacionamento saudável e sadio e logo depois do discurso mais romântico da terra sair pra festa e trepar (o corretor “solicitou” para trocar esta palavra por “ter relações sexuais” ¬¬) com a primeira pessoa que aparecer e der bobeira. Sendo que hoje em dia isso é tão comum e a galera acha bonito.

            Eu sei que todo mundo pode se contradizer, mudar de opinião e etecetera e tal, mas deve haver um limite que quando ultrapassado começa a virar hipocrisia. E hipocrisia é feio, menino mal (chineladas na boca)!

terça-feira, 8 de abril de 2014

Escada de vidro [conto]


A escada estava lá como sempre esteve. As visitas sempre elogiavam a audácia de Samara por ter colocado uma escada de vidro (sem corrimão) na sala de estar e ela sempre dizia que era o charme da casa inteira. Ela também sempre dizia que a escada era segura como qualquer outra, mas isto era mentira.

            Josélia foi visitar Samara numa quinta-feira e não voltou mais para casa. Assim que viu a escada disse:

__ Samara! Que escada mais linda!

__ É, Josélia. Eu mesma que projetei. __ Disse Samara orgulhosa, mas já sem paciência por tantos elogios pela escada de vidro.

__ E o que é isso aqui no primeiro degrau? __ perguntou Josélia se aproximando.

Eram marcas estreladas que só apareciam no primeiro degrau.

__ Esta parte do vidro está se deteriorando rápido. __ Mentiu Samara indo em direção a um quadro com o desenho de 4 traços negros que ficava perto do início da escada.

__ Ah, eu gostaria de subir. __ Pediu Josélia rindo envergonhada por fazer um pedido tão bobo.

__ Claro, mulher, suba. __ Disse Samara.

Josélia subiu bem devagar. Sentindo cada passo e chegando no último degrau.

__ Agora desça pra ver como ela é estável. __ Disse Samara pegando um pincel em uma gaveta.

Josélia começou a descer. Virou o pé direito no terceiro passo. Caiu primeiro com o joelho numa quina (a patela se partiu em duas). Depois tentou, institivamente, parar a queda colocado os dois braços para frente, quebrando-os quando bateu as palmas das mãos em outro degrau. Deu uma bela cambalhota, machucando toda a extensão da coluna vertebral e lombar em mais três quinas da linda escada de vidro e, para finalizar, na segunda cambalhota, bateu com a cabeça no primeiro degrau da escada, aquele com as marcas estreladas, deixando outra “estrela” no vidro temperado. O corpo caiu molenga no chão com os olhos vidrados e a boca meio aberta como se fosse soltar um grito a qualquer momento.

            Samara riscou um traço cortando os outros quatro que estavam no quadro.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Velha Infância

     É... um dia desses eu estava no ônibus e vi uma cena que me lembrou da infância. A cena foi a seguinte: "Uma mulher levava uma criança pra escola de manhã. Eles pararam para o menino fazer xixi na calçada, virado para o lado de um matagal que havia próximo. Depois ela levantou o calção dele, ajeitou a camisa da farda, deu duas amaciadas nas costas dele como se fosse para desamassar a camisa enquanto o menino dava a mão pra ela segurar. Depois continuaram o percurso". O interessante foi que nessa manhã eu tinha observado várias crianças que iam para escola. Algumas acompanhados pela mãe ou pai (ou tio, etc.) ou com os amigos. Isso me fez pensar em como fazer para aproveitar melhor o tempo e não precisar olhar pra trás com tristeza pensando que aquele momento não foi aproveitado como deveria (como deveria?).