quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Inferno = Grilos

Gilberto estava estudando quando um grilo voou em direção ao seu rosto. O garoto pulou da cadeira com um grito e acabou derrubando seu notebook, que estava em suas pernas. Gilberto deu grito de raiva e decidiu procurar o grilo aonde quer que ele estivesse para matá-lo e mandá-lo para o inferno. Ele procurou e acabou encontrando o grilo debaixo de uma estante em seu quarto. Deu uma pisada fraca, só para imobilizá-lo. Depois o colocou no centro do quarto e começou a pular em cima da pequena criatura, que, ao final dos pulos, só restaram vísceras brancas. Gilberto decidiu deixar o cadáver ali mesmo, no meio do quarto, um gesto sádico de um adolescente mimado.
Outro grilo apareceu. Gilberto não esperou que ele voasse e já o matou, juntando-o ao seu 'irmão' no centro do quarto. Enquanto ligava o notebook, que só estava com a tela rachada, percebeu mais dois grilos entrando no quarto por baixo da porta, dessa vez eles cantavam: cri-cri-cri. O garoto olhou para a janela, estava fechada. Quando olhou novamente para a porta, mais três grilos se juntaram aos três que já estavam lá e cantaram: cri-cri-cri.
__ MORRAM!! __ Gritou Gilberto pisoteando os grilos. __ VÃO PARA O INFERNO!
O garoto, nervoso, começou a ver vultos pelas paredes enquanto a cantoria continuava cada vez mais forte: cri-cri-cri. Tentou abrir a porta, mas estava trancada. Grilos voavam por toda a parte enquanto o menino batia forte na porte chamando por sua mãe. O canto dos grilos ficava cada vez mais forte quando mais e mais grilos se juntavam àquele canto insano. Gilberto tapou os ouvidos para não ouvir o canto, mas o pior era aquele bater de asas que passava por sua cabeça. Logo os grilos começaram a chamar pelo apelido do garoto: Gil-Gil-Gil... Gil-Gil-Gil...
Quando a mãe de Gilberto abriu a porta desesperada com os gritos do menino, Gil estava encolhido e tremendo em sua cama coberto com o cobertor.
__ O que foi que houve, meu filho? __ Perguntou a mulher.
Mas Gil só conseguia falar: "vão para o inferno, vão para o inferno" 
A mulher ficou sem saber o que fazer. Olhou por todo o quarto para ver se havia algo de anormal, mas só o que viu de estranho foi um grilo rodeado por vísceras dando seus últimos suspiros e ela podia jurar que ouviu a pequena criatura cantar "gil-gil-gil"... 

Gilberto matou um grilo querendo mandá-lo para o inferno. No final, quem foi para o inferno foi Gilberto.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Quantas chances você vai precisar...

... até aprender a lição? 


 Por que é tão difícil para algumas pessoas perceber que está seguindo no caminho errado mesmo quando a vida (ou seja lá o que for) dá provas de que tal caminho não é bom?
 Quantas chances esperar para recomeçar? Eu sou perito em começar do zero várias e várias vezes... Existirá uma vez que será a última, se é que me entendem. 
 Então você começa a compreender que tantas coisas negativas para a sua vida (podiam) podem ser evitadas com um (nem tão simples) 'não'. 
 Se você recebeu mais uma chance, e cada um sabe se recebeu ou não, aproveite. Não a desperdice, porque mesmo sabendo que todo mundo neste mundo merece mais e mais chances de mudar vai chegar uma hora desesperadora que a roleta vai parar com a munição na sua cabeça e depois disso não vai ter mais volta, não vai ter mais chance... Vamos aproveitar para fechar o ciclo da nossa vida de uma maneira honrosa (assim, quando recomeçarmos em outro ciclo já estaremos com alguns pontos bônus para poder gastar com novas chances). 

domingo, 6 de outubro de 2013

A moça do quarto [conto rápido]

 Nós ficamos hospedados em um albergue bem perto da praia. Meus amigos e eu dividimos o quarto e, assim que entramos nele percebemos que havia um buraco grande no forro de gesso. O dono do albergue disse que não teria problema e que logo mandaria alguém consertar. Estávamos em cinco e eu dormia na cama de cima de um beliche. No primeiro dia um dos meninos disse ter visto uma mulher saindo do buraco do forro e andando pelo teto. Ninguém acreditou. No segundo dia outro dos meus amigo afirmou ter visto a mesma mulher saindo do buraco e andando pelo teto nos observando. Os dois, ao falarem sobre isso, choravam. O dono do albergue nada tinha a dizer sobre isso. Sempre que perguntávamos quando o forro seria consertado ele dava uma desculpa e mudava de assunto. Na terceira noite eu vi a mulher. Acordei durante a noite com um frio tremendo e, como minha cama era a de cima e ficava perto do teto, assim que abri os olhos vi a mulher só com o dorso para fora do buraco e com seu rosto a um palmo de distância do meu. Sua face era branca, olhos curiosos que me analisavam, boca aberta de uma maneira anormal e cabelos esvoaçantes. Aos poucos ela saiu completamente do buraco e, como os meninos diziam, começou a andar pelo teto mas sempre olhando para mim. Não tive reação nenhuma. Só o medo e o terror. Tentei não me mexer enquanto tentava respirar. O frio aumentava. Não sei quanto tempo se passou, eu queria gritar, mas esse grito nunca saiu da minha garganta. Fomos embora do albergue. Uma semana depois, em meu quarto, acordei de madrugada novamente e havia um buraco no forro. O frio... A mulher me escolheu.