quarta-feira, 24 de julho de 2013

ESPIGA DE MILHO


 
 
Suzana estava no primeiro andar de sua casa vendo seus amigos se divertindo no dia de São João. Eles rodeavam a grande fogueira, soltavam fogos nos gatos e cachorros da rua e assavam milho nas brasas da fogueira. Da varanda da casa, Suzana apenas olhava e se remoía de inveja enquanto as crianças lá de baixo olhavam e se divertiam ainda mais de propósito para atiçar os sentimentos de Suzi.
            Ela não saiu para brincar àquela noite porque sua mãe dissera pra ela não comer todo o almoço do dia, mas ela comeu. Não sobrou comida pra ninguém. O castigo? Suzana levou um cacete com fio de geladeira e depois com galho de goiabeira, que nunca quebra. Suzana completara 22 anos na semana anterior. Seus amiguinhos tinham, no máximo, 12 anos de idade. Mas ela gostava de brincar com eles. E a fogueira estava tão grande naquela noite...
            Suzana foi até onde sua mãe estava e disse: __ Mãe, eu vou brincar lá fora. Não vou ficar aqui olhando meus amigos brincando lá fora...
            __ Só se você pular a varanda, Suzana. Porque pela porta você não vai sair de casa. __ Disse sua mãe.
            Suzana abriu um sorriso insano e começou a correr para a varanda.
            As crianças lá embaixo só tiveram tempo de olhar para cima e gritar quando viram a grande Suzana se atirando pela varanda em direção a elas gritando: DEIXA UMA ESPIGA DE MILHO PRA MIM!!!!
            As crianças mais espertas saíram de perto da fogueira (e dos milhos que lá estavam assando). Mas três delas ficaram estupefatas de mais para mover as pernas e correr. Permaneceram paradas olhando a grande Suzane se aproximar cada vez mais depressa dos céus.
            O corpo de Suzana caiu em cheio dentro da gigante fogueira criando uma pequena explosão. As três crianças que estavam mais perto foram atiradas para trás pela onda de fogo. Elas guardavam bombas nos bolsos, bombas poderosas, que logo explodiram e arrancaram suas pernas e jogaram seus corpos ainda mais longe. Suzana estava em chamas dentro do que restara da fogueira. Enquanto queimava substituindo a lenha que fora espalhada na hora de sua queda, aproveitava para comer a única espiga de milho que conseguira pegar. Foi nessa que ela mirou quando decidiu pular da varanda.
            As outras crianças correram sem olhar para trás. Gritavam e choravam. Suzana comeu toda a espiga de milho antes de ser totalmente consumida pelo fogo.

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