quarta-feira, 24 de abril de 2013

Adulterização

[Se a palavra existe eu não sei, mas vai servir para o que tenho em mente agora]

 O quão rápido as crianças estão crescendo? Não em idade ou tamanho. O quanto elas estão se tornando adultas antes do tempo? Nós temos os tempo certo para tudo. Para entrar na escola, para sair da escola, para entrar na faculdade e, bom, para sair da faculdade já fica meio incerto... [Foco, rapaz! Foco no tema!] Somos crianças até certa idade, depois pré-adolescentes, adolescentes, adultos, etc. Mas, como todos sabemos, tudo tem exceção. As crianças estão aprendendo coisas de outras fases da vida muito cedo, será a evolução? Deve ser... Na minha mente, a criança deveria brincar o tempo todo, ver desenho, ler gibi, desenhar e não se preocupar com nada. Acho que elas nem deveriam chegar perto de dinheiro ou celular. Elas deveriam ter cachorros ou gatos, andar descalças na grama, levar quedas e ralar o joelho. Cair de bicicleta, quebrar os dentes... [tá bom, exagerei.]. Mas isso tudo já está ficando para trás. O espírito de criança é obrigado, na sociedade de hoje a se "adulterizar" logo cedo.
 A criança hoje já sabe o que é matar, o que é trepar, o que é cigarro e cachaça. Além de saber, algumas delas já sabem matar, trepar, fumar e beber. Eu acho que não eram pra saber. É uma tristeza ver por aí meninas tão novas fazendo coisas na frente de uma webcam ou dançando o desavergonhadamente pra todo mundo ver. E ver meninos de 8 ou 9 anos segurando metralhadoras e fumando.



 Por outro lado, algumas pessoas que já estão numa idade legal para se tornarem adultas, ainda mantém as atitudes de criança. Se fossem atitudes como a alegria de viver ou algumas brincadeiras nas horas apropriadas, mas não. Estas nutrem aquela inveja infantil que, nas mãos de um adulto, torna-se uma chatice infernal, ou o dengo de não poder levar uma topada que pensa que o mundo vai acabar ou ainda querer a atenção de todos, sempre. Adultos que não sabem conversar, que só sabem falar porcarias e não ouvem nada. As crianças ainda ouvem o que você tem a dizer. Alguns "adultos" ainda com a velha maneira covarde de se fazer sempre de vítima quando alguma coisa dá errado por sua própria culpa.

 Quando você viu que virou adulto?
 Bom, eu só percebi há alguns meses atrás e me veio uma grande tristeza. Percebi que TUDO o que eu faço é responsabilidade minha. Eu tenho que pagar contas, trabalhar, estudar, comprar minhas próprias roupas, escolher a hora que vou comer, o que comer e o motivo de comer. Sou responsável também pelo que eu não faço. Tenho que ir ao médico sozinho, comprar e tomar meus remédios sozinho. Sinto ansiedade, estresse, dores de cansaço e já cheguei perto de perder o juízo por ter tanta coisa pra fazer. Etc, etc, etc. Depois que percebi isso olhei para trás e senti uma tristeza enorme do meu tempo de infância, quando eu brincava, desenhava e sonhava em ir para lua e ter super-poderes (eu ainda penso em ter super-poderes...). Bom, ainda conservo algumas coisas da minha infância em mim e espero conservar até o dia de zerar esse jogo.


P.S. - Também existe o lado bom de ser adulto, mas fica para outro post. See ya!

domingo, 21 de abril de 2013

Eu posso ser o que eu quiser...

... enquanto assisto a uma série ou leio um livro.

 É... Acontece sempre comigo. Enquanto estou assistindo a um filme ou série ou qualquer coisa que não faça parte da realidade eu me sinto muito especial. Penso que posso fazer o que eu quiser. Quando vejo um herói salvando o mundo eu imagino como eu faria o mesmo, destruiria o inimigo e seria aplaudido e agradecido pela sociedade e pelo mundo todo. Quando vejo personagens matando zumbis eu me imagino fazendo o mesmo, sentindo o sangue frio e nojento deles pingando no meu rosto enquanto eu os esfaqueio e arranco suas cabeças. Quando vejo outros cantando brilhantemente em um show de talentos eu me imagino tocando um piano e cantando, fazendo as pessoas chorarem de emoção e explodindo o local em um pandemônio de sortidos elogios em meio à comoção de eu ter tocado seus corações. Quando vejo uma luta na qual o moço inocente é atacado por três ou quatro marginais e o mesmo dá uma grande surra nos malandros utilizando de técnicas de caratê, judô ou capoeira e fico me perguntando se um dia aquilo poderia acontecer comigo. Às vezes eu confundo os dois mundos enquanto estou assistindo. E quando estou lendo eu fico na iminência de entrar nas páginas dos livros e começar a recriar a minha própria história.
 Quando a sério ou o livro ou o filme acaba eu fico alguns minutos em transe. Fico entre os dois mundos tentando, com todas as minhas forças, permanecer naquele que eu sou especial e posso fazer o que eu quiser. Mas sempre volto para frente do meu computador ou me vejo deitado na cama com o livro fechado em cima da minha barriga, como se eles dissessem: "É uma pena, meu camaradinha, mas vocês vai ter que continuar por aí." E eu continuo. E isso tudo sempre acontece todas as vezes que assisto ou leio... 
 Para me sentir um pouco especial, mesmo não ficando no mundo que eu quero, eu digo para mim mesmo: "talvez um dia eu escreva um livro ou participe de uma série ou viva um momento muito especial ou participe de um filme ou...". Sendo que nos livros e filmes e séries as coisas parecem ser mais fáceis de acontecer.


  Ainda assim, na minha imaginação eu posso ser o que eu quiser... [Se serve de consolo]