sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Um conto de natal [conto rápido]

 Ricardinho estava sentado na frente da árvore de natal vendo suas lindas luzes azuis piscarem de forma hipnótica. Sua família estava reunida nos dois sofás atrás do garoto. Todos conversavam felizes enquanto uma música tocava ao fundo. As luzes iam e vinham em três momentos diferentes: primeiro acendiam e apagavam de forma lenta e gradual, depois piscavam rápido e, por último, permaneciam acesas por um tempo.
 Quando Ricardinho voltou a si, sentia dores por todo o corpo, seu rosto estava arranhado e sangrava e ele segurava uma faca ensanguentada. Não tocava nenhuma música e ninguém mais conversava. Ele se deu conta de que estava chorando, e ao olhar para trás percebeu o motivo: uma carnificina. 

sábado, 30 de novembro de 2013

Quantas caras você tem?

Graças ao mundo virtual e também a mania que algumas pessoas tem de criar novas personalidades de acordo com o meio social em que estão, agora todos podem ter quantas caras quiser. Vamos esclarecer mais as coisas.

 O normal de um escroto é ter duas caras: uma para quando está com os amigos mais íntimos (que já conhecem a peça rara) e outra para tentar ludibriar os desconhecidos, como um tipo de armadilha para atrair uma presa e depois mostrar quem realmente é. Agora, com as redes sociais, pode-se ter quantas caras quiser: você pode ser o super politizado, o revolucionário, o intelectual, o salvador da pátria, o sensível pelas causas sociais, etc. Tudo isso no facebook. E quando triste vida real a mesma pessoa que veste estes estereótipos não é n.a.d.a., nadinha de nada, é uma escrota. No instagram a pessoa pode ser a mais bonita do universo. Claro que é bom ter autoestima, mas mostrar uma pessoa que não condiz com a realidade é, no mínimo, deprimente. Ainda mais quando se tira a foto com as coisas dos outros para dizer que são suas. D.e.p.r.i.m.e.n.e.n.t.e. Também tem os que usam o twitter como uma sala de bate-papo, falando, falando, falando até o infinito sobre porcarias sem fim. Talvez esta seja a finalidade do twitter e eu esteja sendo já muito chato sobre isso tudo, mas tem coisas que são desnecessárias na internet, o lugar onde tudo é possível.

 Mas então, para que servem as redes sociais? Para encontrar com amigos distantes e conhecer gente nova? Sim. Para divulgar assuntos importantes e o seu ponto de vista sobre determinados assuntos? Sim. Para colocar fotos das coisas que você gosta de fazer e dos seus amigos? Sim. Ser uma pessoa que você não é? Não. Se autodepreciar para que as pessoas tenham pena de você? Não. Ser mais hipócrita do que você já é na sua vida real, ser mais escrota tirando foto seminua, colocar sua opinião achando que ela é a única e verdadeira? Não, não e não. Mas isso tudo é só o que eu acho, na minha humilde opinião. A verdade é que as redes sociais podem ter sido criadas justamente para isso, para que nós possamos compensar uma vida miserável e sem cor. Isso para quem tem uma vida assim.

 É fácil reconhecer alguém com várias caras: você sabe, porque quando você conversa sozinho com esta pessoa ela é de um jeito, quando está entre muitos amigos ela é de outro jeito e na internet é de outro. É muita criatividade poder encorporar três personalidades diferentes em ambientes diferentes, não? Não, é safadeza mesmo!

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Inferno = Grilos

Gilberto estava estudando quando um grilo voou em direção ao seu rosto. O garoto pulou da cadeira com um grito e acabou derrubando seu notebook, que estava em suas pernas. Gilberto deu grito de raiva e decidiu procurar o grilo aonde quer que ele estivesse para matá-lo e mandá-lo para o inferno. Ele procurou e acabou encontrando o grilo debaixo de uma estante em seu quarto. Deu uma pisada fraca, só para imobilizá-lo. Depois o colocou no centro do quarto e começou a pular em cima da pequena criatura, que, ao final dos pulos, só restaram vísceras brancas. Gilberto decidiu deixar o cadáver ali mesmo, no meio do quarto, um gesto sádico de um adolescente mimado.
Outro grilo apareceu. Gilberto não esperou que ele voasse e já o matou, juntando-o ao seu 'irmão' no centro do quarto. Enquanto ligava o notebook, que só estava com a tela rachada, percebeu mais dois grilos entrando no quarto por baixo da porta, dessa vez eles cantavam: cri-cri-cri. O garoto olhou para a janela, estava fechada. Quando olhou novamente para a porta, mais três grilos se juntaram aos três que já estavam lá e cantaram: cri-cri-cri.
__ MORRAM!! __ Gritou Gilberto pisoteando os grilos. __ VÃO PARA O INFERNO!
O garoto, nervoso, começou a ver vultos pelas paredes enquanto a cantoria continuava cada vez mais forte: cri-cri-cri. Tentou abrir a porta, mas estava trancada. Grilos voavam por toda a parte enquanto o menino batia forte na porte chamando por sua mãe. O canto dos grilos ficava cada vez mais forte quando mais e mais grilos se juntavam àquele canto insano. Gilberto tapou os ouvidos para não ouvir o canto, mas o pior era aquele bater de asas que passava por sua cabeça. Logo os grilos começaram a chamar pelo apelido do garoto: Gil-Gil-Gil... Gil-Gil-Gil...
Quando a mãe de Gilberto abriu a porta desesperada com os gritos do menino, Gil estava encolhido e tremendo em sua cama coberto com o cobertor.
__ O que foi que houve, meu filho? __ Perguntou a mulher.
Mas Gil só conseguia falar: "vão para o inferno, vão para o inferno" 
A mulher ficou sem saber o que fazer. Olhou por todo o quarto para ver se havia algo de anormal, mas só o que viu de estranho foi um grilo rodeado por vísceras dando seus últimos suspiros e ela podia jurar que ouviu a pequena criatura cantar "gil-gil-gil"... 

Gilberto matou um grilo querendo mandá-lo para o inferno. No final, quem foi para o inferno foi Gilberto.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Quantas chances você vai precisar...

... até aprender a lição? 


 Por que é tão difícil para algumas pessoas perceber que está seguindo no caminho errado mesmo quando a vida (ou seja lá o que for) dá provas de que tal caminho não é bom?
 Quantas chances esperar para recomeçar? Eu sou perito em começar do zero várias e várias vezes... Existirá uma vez que será a última, se é que me entendem. 
 Então você começa a compreender que tantas coisas negativas para a sua vida (podiam) podem ser evitadas com um (nem tão simples) 'não'. 
 Se você recebeu mais uma chance, e cada um sabe se recebeu ou não, aproveite. Não a desperdice, porque mesmo sabendo que todo mundo neste mundo merece mais e mais chances de mudar vai chegar uma hora desesperadora que a roleta vai parar com a munição na sua cabeça e depois disso não vai ter mais volta, não vai ter mais chance... Vamos aproveitar para fechar o ciclo da nossa vida de uma maneira honrosa (assim, quando recomeçarmos em outro ciclo já estaremos com alguns pontos bônus para poder gastar com novas chances). 

domingo, 6 de outubro de 2013

A moça do quarto [conto rápido]

 Nós ficamos hospedados em um albergue bem perto da praia. Meus amigos e eu dividimos o quarto e, assim que entramos nele percebemos que havia um buraco grande no forro de gesso. O dono do albergue disse que não teria problema e que logo mandaria alguém consertar. Estávamos em cinco e eu dormia na cama de cima de um beliche. No primeiro dia um dos meninos disse ter visto uma mulher saindo do buraco do forro e andando pelo teto. Ninguém acreditou. No segundo dia outro dos meus amigo afirmou ter visto a mesma mulher saindo do buraco e andando pelo teto nos observando. Os dois, ao falarem sobre isso, choravam. O dono do albergue nada tinha a dizer sobre isso. Sempre que perguntávamos quando o forro seria consertado ele dava uma desculpa e mudava de assunto. Na terceira noite eu vi a mulher. Acordei durante a noite com um frio tremendo e, como minha cama era a de cima e ficava perto do teto, assim que abri os olhos vi a mulher só com o dorso para fora do buraco e com seu rosto a um palmo de distância do meu. Sua face era branca, olhos curiosos que me analisavam, boca aberta de uma maneira anormal e cabelos esvoaçantes. Aos poucos ela saiu completamente do buraco e, como os meninos diziam, começou a andar pelo teto mas sempre olhando para mim. Não tive reação nenhuma. Só o medo e o terror. Tentei não me mexer enquanto tentava respirar. O frio aumentava. Não sei quanto tempo se passou, eu queria gritar, mas esse grito nunca saiu da minha garganta. Fomos embora do albergue. Uma semana depois, em meu quarto, acordei de madrugada novamente e havia um buraco no forro. O frio... A mulher me escolheu.


domingo, 1 de setembro de 2013

Hostilidade

 O relato a seguir aconteceu quando fui para um congresso com o pessoal da faculdade. Totalmente verídico porque eu mesmo estava lá e presenciei tudo. Essas coisas sempre acontecem na hora do Coffee Break, portanto, cuidado nesses congressos.


A comida pode trazer os instintos primitivos à tona. Tornar as pessoas agressivas não importando a classe social, religião ou orientação sexual. Hoje eu percebi o poder destrutivo que a comida pode desenvolver nos grupos sociais.
 Estávamos todos no Coffee break comendo e bebendo de "graça". Os mais espertos, e esfomeados, ficavam em um ponto estratégico em frente a cozinha, que era pra aproveitar TUDO que passasse. Os ânimos começaram a ficar agitados quando quase todo mundo começou a perceber que a comida não estava chegando para todos, pois quem estava no ponto estratégico comia primeiro e não permitia que sobrasse comida suficiente.
 O inferno começou, e eu nunca me esquecerei daquele momento, quando o garçom trouxe a primeira bandeja de carne com molho. Quem estava no ponto atacou imediatamente e, a partir daquele momento o garçom não se moveria mais. Uma menina pegou a carne. Revirou os olhos e disse a palavra maldita:
 __ É molho barbecue!
 Primeiro tudo ficou em silêncio, mas ninguém parou de comer.
 Duas garotas lá do fundo saltaram inacreditavelmente por sobre os participantes do encontro até a bandeja com o molho. Tinham os olhos negros e as bocas escancaradas com dentes de tubarão. A primeira que caiu engoliu toda a bandeja com carne, molho e tudo. Ainda levou metade do braço do garçom como brinde.
 Todos começaram a gritar, mas ninguém correu. Quem estava perto das garrafas, pegou-as e as quebraram para usarem como arma. A luta pela comida começou: esfomeados X garçons. Os participantes invadiram a cozinha e se depararam com duas cozinheiras com facas e facões. Os primeiros mortos caíram: dois garçons. Eles eram minoria. Quando eles caíram com uma garrafa enfiada no pescoço, eu e meus amigos, tomados por um frenesi de fome canina, voamos, literalmente, em direção à barriga do primeiro morto e puxamos suas vísceras para comer. O sabor foi sensacional, tinha gosto de molho barbecue. O encontro virou uma festa de canibalismo e o piso foi lavado com molho, ou era sangue?
 Acordei na pousada em que estava alojado. Levantei suando frio e aliviado ao mesmo tempo. Fui direto para o banheiro. Precisava de um banho. Vi meu reflexo todo ensanguentado no espelho. Acendi a luz do quarto e meus colegas de quarto estavam só os pedaços carcomidos. Quando saí do quarto era noite, eu dormira um dia inteiro. O corredor estava cheio de corpos despedaçados, até a pobre e gentil dona da pousada só sobrara a cabeça com um semblante de pavor. O odor da podridão não era tão ruim, tinha cheiro de molho barbecue. E isso me deu fome...


 Até o próximo congresso...

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Como eu quero estar quando estiver com 30 anos...

     Agora eu me pergunto isso. O que eu estou fazendo com a minha vida? Será que estou fazendo o que nasci para fazer ou que isso não existe e que nós nascemos para escolher o que queremos fazer? Como era bom quando eu não precisava pensar nessas coisas. Era só ir pra escola, fazer dever de casa e brincar o resto do dia. Mal sabia eu que era tudo uma preparação para as indagações que me atormentam agora. O que as pessoas mais indicam numa hora como essa é: deixe que a vida mostre o caminho...

            Quando eu era criança eu pensava que uma pessoa de vinte e tantos anos já era um velho. Eu nem sabia se um dia chegaria a fazer parte dessa ‘turma’, parecia ser uma eternidade pular da casa dos dez para a dos vinte. E eu achava que ‘eles’ não sabiam se divertir porque não jogavam vídeo game. Hoje eu sei que alguns não jogam porque não tem tempo. Então nós temos que conseguir missões para ganhar dinheiro e fazer tudo o que os personagens dos desenhos que assistíamos faziam, os poderes são diferentes, as aventuras são diferentes, mas agora me parece que tudo também era uma preparação para os desafios da vida.

            Será que se, no meu tempo dos 17, 18..., eu tivesse me perguntado como eu gostaria de estar quando tivesse meus vinte e tantos anos alguma coisa teria sido diferente? Não que eu não esteja gostando (tanto) do que está acontecendo agora, mas, como humano que sou, sou neurótico e sempre quero algo que não tenho. É complicado. A questão é que essa pergunta deve ou não ser feita [em qualquer idade]? Ou você vai deixar a vida te levar de qualquer jeito? Nós todos [quase todos] temos nossa “linha do tempo” pré-definida: nascemos, crescemos, estudamos, trabalhamos e morremos. Em alguns intervalos tentamos fazer algumas loucuras, ter algum lazer, conversar de verdade com uma pessoa de verdade [a ordem pode variar de pessoa para pessoa] e no meio disso tudo temos um tempinho para pensar no que queremos ser quando crescer.

               Talvez esta pergunta que me fiz hoje possa [e deve] {eu acho} ser feita em qualquer fase da vida antes da morte para que todo mundo vá fazendo uma análise de para onde a vida está te levando [ou para onde você está levando sua vida]. 

            Então eu não quero chegar ao futuro e ficar pensando no que eu poderia ter feito para aproveitar mais minha vida. Assim como fiz agora pensando no quanto eu deixei de fazer para ter aproveitado melhor a adolescência. Agora vou continuar fazendo o meu TCC. . .  

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Aparências

"O ser transcende a aparência! Assim que você começa a descobrir o ser que há por trás de um rosto muito bonito ou muito feio, de acordo com seus conceitos e preconceitos, as aparências superficiais somem até simplesmente não importarem mais..." - A Cabana - William P. Young 



O que eu vejo é que as coisas estão se resumindo ao sexo. E por quê? Porque hoje em dia está muito fácil conseguir. Quando não o sexo, ao exibicionismo [as redes sociais estão cheias de pobres pessoas que querem disseminar uma falsa felicidade]. Pessoas querem mostrar que são felizes exibindo seus parceiros e parceiras. Querem uma relação “pública”, mas, quando se inclinam para um local onde não exista mais ninguém além de suas duas personalidades a coisa deixa de acontecer. Quando é hora de mostrar o que tem dentro da casca a parte externa, às vezes uma mera construção estética, não consegue suportar e desaparece. Então, quando você começa a descobrir quem a pessoa é de verdade será que você ainda vai suportar manter uma relação que não é pra você, mas para os outros?

A aparência importa? Importa! Mas enquanto você vai convivendo com uma pessoa você vai descobrindo coisas que vão transformando as pessoas em manchas de luz [mas que loucura!] até que a aparência não vai importar mais. Você vai, de fato, conhecer a outra pessoa. Você vai entender em que parte ela se encaixa na sua vida. E se, quando você conhecer realmente uma pessoa e ela não for o que demonstra ser para o ‘mundo’, você saberá o que vai ser mais importante: manter a aparência de um relacionamento [namoro, amizade, casamento...] com uma pessoa de varias facetas ou continuar numa busca por “manchas de luz” que se pareça com a sua própria [elas nunca são iguais (eu acho)]. 

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Pessoas e as redes sociais

As redes sociais trouxeram uma forma de mostrarmos coisas da faces da nossa personalidade que não costumamos fazer com tanta frequência, se é que me entendem. É como se fosse um mundo onde nós podemos ser duas coisas: ou podemos ser nós mesmos ou podemos ser quem gostaríamos de ser. 

O fa ce book é como a segunda vida, para alguns. Você conhece pessoas e sabe de tudo o que elas fazem da vida. Principalmente o que elas comem todos os dias. Então tem gente que fala muita asneira e você não pode mandá-la tomar no c* porque ela é sua amiga. O que um "curtir" não pode causar hoje em dia? Quantos términos de namoro já não aconteceram por causa de um comentário? Quantas crianças já não foram salvas por um compartilhamento [kkkkkkk]? É muita coisa que acontece na vida de uma pessoa através da tela de um computador. Claro que existem os pontos positivos [para quem sabe usar a internet], mas os negativos podem ser desastrosos. As palavras são fortes e muita gente ainda não entende isso.

Quanta gente escrota você não conhece que fica o dia inteiro se autoproclamando esperando receber atenção? Muitos podem ser os melhores religiosos, os melhores políticos e os melhores amigos, mas SÓ quando estão conectados. Na internet você pinta a vida tão bonita, coloca só as coisas boas para que todos vejam como você é feliz e bem-sucedido. Como num jogo no qual você tem o controle de tudo. Na internet você tem a aparência que quiser porque tem um cirurgião plástico chamado photoshop, suas ideias são tão brilhantes [as que foram copiadas de algum site de mensagens] e a sua vida é tão maravilhosa! Mas a realidade não é tão charmosa... A aparência não é consertada tão facilmente e, o principal, sua personalidade não pode ser coberta com algum editor de imagens. A hipocrisia ganhou uma nova casa, o egocentrismo pode ser acompanhado e compartilhado e todo mundo pode conhecer uma "pessoa" rapidamente, mas será que esse "conhecer" vai ser bom ou ruim pra você? Se já é difícil conhecer o caráter de uma pessoa pessoalmente imaginem isso pela internet...
E para quem tem o face tem que conviver com publicações chatas e manter a educação para não perder a amizade, ou então manda indiretas, uma forma covarde de dizer algo par alguém mas não ser tido como um amigo ruim. Ou então fazer tantas outras coisas na parte de configurações para não receber mais notificações de certas pessoas, etc, etc... Isso sem contar que TUDO o que acontece hoje em dia vai parar na internet. As pessoas andam com o celular pronto para filmar qualquer coisa, se for desastre, melhor ainda. A vida virou um entretenimento e ninguém está seguro... 

Logicamente as redes sociais também tem suas vantagens: informação, contato com amigos que moram longe, contatos de trabalho e acadêmicos, etc. É só saber usar. 

quarta-feira, 24 de julho de 2013

ESPIGA DE MILHO


 
 
Suzana estava no primeiro andar de sua casa vendo seus amigos se divertindo no dia de São João. Eles rodeavam a grande fogueira, soltavam fogos nos gatos e cachorros da rua e assavam milho nas brasas da fogueira. Da varanda da casa, Suzana apenas olhava e se remoía de inveja enquanto as crianças lá de baixo olhavam e se divertiam ainda mais de propósito para atiçar os sentimentos de Suzi.
            Ela não saiu para brincar àquela noite porque sua mãe dissera pra ela não comer todo o almoço do dia, mas ela comeu. Não sobrou comida pra ninguém. O castigo? Suzana levou um cacete com fio de geladeira e depois com galho de goiabeira, que nunca quebra. Suzana completara 22 anos na semana anterior. Seus amiguinhos tinham, no máximo, 12 anos de idade. Mas ela gostava de brincar com eles. E a fogueira estava tão grande naquela noite...
            Suzana foi até onde sua mãe estava e disse: __ Mãe, eu vou brincar lá fora. Não vou ficar aqui olhando meus amigos brincando lá fora...
            __ Só se você pular a varanda, Suzana. Porque pela porta você não vai sair de casa. __ Disse sua mãe.
            Suzana abriu um sorriso insano e começou a correr para a varanda.
            As crianças lá embaixo só tiveram tempo de olhar para cima e gritar quando viram a grande Suzana se atirando pela varanda em direção a elas gritando: DEIXA UMA ESPIGA DE MILHO PRA MIM!!!!
            As crianças mais espertas saíram de perto da fogueira (e dos milhos que lá estavam assando). Mas três delas ficaram estupefatas de mais para mover as pernas e correr. Permaneceram paradas olhando a grande Suzane se aproximar cada vez mais depressa dos céus.
            O corpo de Suzana caiu em cheio dentro da gigante fogueira criando uma pequena explosão. As três crianças que estavam mais perto foram atiradas para trás pela onda de fogo. Elas guardavam bombas nos bolsos, bombas poderosas, que logo explodiram e arrancaram suas pernas e jogaram seus corpos ainda mais longe. Suzana estava em chamas dentro do que restara da fogueira. Enquanto queimava substituindo a lenha que fora espalhada na hora de sua queda, aproveitava para comer a única espiga de milho que conseguira pegar. Foi nessa que ela mirou quando decidiu pular da varanda.
            As outras crianças correram sem olhar para trás. Gritavam e choravam. Suzana comeu toda a espiga de milho antes de ser totalmente consumida pelo fogo.

domingo, 21 de julho de 2013

Devaneios religiosos


Você acredita em alguma coisa, mas para esta coisa existem duas ou mais explicações divergentes. De acordo com a vivência, a educação ou os estudos de cada um, cada explicação terá o seu devido valor para cada indivíduo. Então todos tentam discutir essa coisa, cada um com um ponto de vista diferente, e cada um certo da sua maneira. Um tentando provar para o outro que está certo e que o outro está errado. Depois vem a matança.

Você se sente muito especial por ter sua opinião bem embasada e pronta para uma boa discussão. A sua religião é a melhor e o seu deus é o único que existe. Você considera as outras religiões como seitas, prega tudo o que diz a bíblia (sem ter lido nem metade dela), sabe que alguém, um dia, pregou o amor ao próximo, mas, isso só existe se o próximo estiver ao seu lado na hora do encontro religioso. Fora da igreja é cada um por si e o seu deus por quem fizer parte da sua religião. Mas você continua sendo especial porque, quando morrer vai para o céu, pois você sempre pregou o bem. Às vezes você já teve que ir contra alguma das leis que você tanto prega, você pecou, mas você se arrependeu depois, então está tudo certo, seu lugar no céu ainda está garantido. Depois várias pessoas de igrejas diferentes se encontram para um debate. Todas são muito especiais e boas da sua maneira, por que alguém pode não entender o motivo de se o mesmo cara que disse que era para pregar o amor ao próximo é o mesmo de cada uma dessas religiões, cada uma delas tem posições tão diferentes sobre várias e várias atitudes do homem? Alguém pode pensar que em determinada igreja se fala mais em dinheiro do que de Deus, em outra se fala mais no diabo do que em Deus, em outra se fala mais que o homem é pecador do que em Deus, etc, etc... Mas que não falam no amor ao próximo. E alguém pode começar a pensar que Deus não tem nada a ver com isso. Não é Deus que está falando, é um ser humano que, talvez, possa não saber o que diz. Deve ser muito confuso para uma pessoa que não é assim tão especial tentar compreender o motivo de tantas opções de religião na qual, algumas, só os farão sentir culpa e que terão que trabalhar para dar fogão, geladeira e a senha do cartão de crédito para os benefícios da “igreja” porque deus quer. Depois, no debate, vem a matança.

                Todos estão percebendo que o pavio da bomba foi aceso? Eu só percebi agora. E se a bomba estourar (uma desesperada esperança me fez colocar a condicional numa espera de ter uma luz no fim do túnel) a guerra será de ideologias. Do que cada um de nós acha certo e o que é errado. Baseado em quê não importa, na ciência, na religião, nos sentidos, etc. Então começaremos a formar tribos (já começamos), as coisas mais abomináveis se tornarão aceitáveis em nome da ciência, da religião, da segurança, da ideologia... (também já acontece isso) e acontecerá uma evolução com traços de retrocesso...

                Então isso tudo me lembra da minha infância. Quando eu não tinha que pensar nada disso e minha maior preocupação era que planeta visitar quando eu fosse tomar banho. E eu tenho medo de que um dia eu vá tomar banho e não me deixem mais entrar nos planetas que eu costumava visitar...

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Barra de Especial



 
 
            Você e eu temos uma barra de especial. E quando ela enche nós podemos soltar um especial muito bonito. A ciência chama isso de síndrome de Burnout, o que seria a síndrome de Bornout, tio? Acontece quando você trabalha e vai acumulando desafetos, estresse, raiva dos outros, ódio e outras coisas que ficam conosco quando não temos alguém pra conversar sobre essas coisas (um amigo ou um psicólogo). Então, quando nossa barra de especial se completa nós podemos, de várias maneiras diferentes, explodir. Dessa vez não dá pra guardar pra gente essa explosão. Os estilhaços podem atingir as outras pessoas ou não. Às vezes demora muito para completar a barra de especial porque tem gente que deve ter uma barra bem grande pra completar. Outras pessoas completam rapidamente, explodem, e começar a encher de novo. São as chamadas “esquentadinhas”. A minha já completou uma vez e foi uma catástrofe, eu pensei que quando acontecesse ia ser como no vídeo game, um especial do Street Fighter ou do Dragon Ball Z. Meus estilhaços não atingiram ninguém, ricochetearam e voltaram direto para mim. Vejam como eu sou uma boa pessoa, até na hora que eu tinha a chance de perder totalmente o maldito controle de tudo e acertar quem eu quisesse. E eu tinha juntado tudo bem direitinho. Era como juntar moedas num cofre de vidro e depois estourar o cofre na parede e receber os pedaços do vidro na cara. Isso depende de cada um. Já existem pessoas que quando soltam o especial acertam o máximo de pessoas que conseguem. Brigam, atiram, gritam e etc. E eu acho que nessas horas podemos ver a barra de especial secando para outro período juntando moedinhas.

            O que fazer para retardar o fluxo de energia que enche nossa barra de especial? Bom, vejo pessoas que bebem depois de um dia estressante de trabalho. Que usam o cigarro para amenizar a ansiedade. É um tipo de válvula de escape. Para alguns funcionam. Outros leem livros para saírem um pouco deste mundo. Ou vão para o cinema. Já usei todos esses meios. O que vem funcionando para mim são os livros. Cada um tem que ver o que funciona. Quem, quando bebe, começa a tirar a roupa não é legal usar este método sempre, por favor.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Você, você mesmo e Irene

 Na verdade são até mais do que nós e nós mesmos e a pobre Irene para nos consolar depois. Vejam só em que ponto desse caos eu quero chegar: Nós não somos a mesma pessoa sempre! Estou colocando assim para poder incluir o maior número de pessoas na "minha" 'teoria' pois eu estava achando que eu era único e especial com isso sem saber que é mais comum do que beber água. Vou citar um exemplo simples e depois um mais elaborado, podemos dizer. 


  A nossa querida e amada internet trouxe a possibilidade de sermos mais de uma pessoa ao mesmo tempo. Podemos criar perfis em redes sociais com características que sempre quisemos ter, podemos falar coisas que não falamos pessoalmente, podemos ser os assassinos que sempre sonhamos e matar as pessoas que odiamos com palavras que ferem mais que uma faca. Mas tudo anonimamente ou com um perfil fake no FacebookWayOfLife. Então você cria um mundo só seu enquanto está sentado na frente do computador ou andando na rua com o celular. Postamos fotos sorrindo enquanto estamos chorando e etc e tal. É mais fácil viver uma vida fictícia em um mundo virtual do que lidar com os próprios problemas. [E eu sou a prova viva enrolada em fios e números binários de que isso é verdade porque já tentei resolver meus problemas aqui ao invés de GRITAR, que era o que eu queria fazer. Nem lembro se resolvi o problema ou não...] 
 O outro exemplo, bem mais interessante e emocionante, e espero que muitas pessoas se identifiquem comigo para que eu não seja parte da minoria, é na vida real mesmo. Quando nós, muitas vezes reservamos uma nova identidade que não mostramos para todo mundo. É oque acontece por baixo dos panos e na calada da noite. Entre quatro paredes. Em um show. Na casa dos pais. Entre família. Na mesa de um bar. Por favor, produção, mais! Eu quero mais! Tá certo. Vamos lá. 
  •  O casal é tão feliz publicamente. Fazem questão de ir para shows, clubes e festas e mostrar todo o poder financeiro que tem. Compram roupas caras e perfumes importados. Se for preciso sair de casa para ir na esquina eles vão de carro. Mas quando entram em casa não tem a comida para dar pro filho, as contas entram em casa como se fossem cartas enviadas de Hogwarts... 
  •  O garoto é tão sorridente pra todo mudo. Sempre vive rindo e contando piadas. Querido por todos e sempre convidado para encontro com os "amigos". Ele é a melhor pessoa do mundo para se estar porque te escuta sempre. Ele também tem uma vontade imensa de fatiar cada um de seus "amigos" e comer uma perninha ou um braço, mas claro que não conta pra ninguém. Chora quase todos os dias por não ter com quem desabafar, mas quando vai para escola leva seu sorriso cativante no rosto.
  • A moça é a melhor da turma. Sempre notas boas e uma inteligência invejável. O xodó da família. O problema da inocente (aos olhos dos mais próximos ela é inocente) e que ela não conta pra ninguém porque talvez não aceitassem muito bem é que ela 'namora' com um homem casado que tem duas filhas. Mas ela tem seu namorado também para mostrar para a família, é com ele que ela vai se casar um dia.
  • O rapaz tem tudo o que alguém poderia querer ter. Uma família prestativa. Um emprego bom e estável. Um curso superior. Cursos de línguas. Pratica esportes. É educado e tem bom gosto para músicas e livros. Vários amigos, nenhuma namorada. O problema do pobre (e que ninguém sabe, só sua psiquiatra e seus tarja preta) é que ele faz sexo demais com pessoas que não conhece. Homens e Mulheres. Todas as idades. Qualquer lugar. nem precisam pagar, é só por prazer de se sentir querido por alguns minutos antes de chegar em casa, falar com os pais e ir chorar escondido.

 Ufa... Quanta coisa, não é? É a vida que não mostramos no dia-a-dia, na escola ou no trabalho. Então temos a nossa Irene. Aqui, a Irene seria materializada como a única pessoa no mundo que você confia para contar o que uma de suas identidades apronta quando 'ninguém' está olhando. Pode ser um amiguinho, amiguinha, pessoa da família, terapeuta, a internet (perfil falso) ou um amigo imaginário. (que um dia já foi o meu caso, longa história...). Guardar essas coisas para si é como uma bomba relógio. Mas a regra número um é não falar do clube da luta [entendedores entenderão]... oops, a regra número um é fazer o mal ma parte da noite e agir naturalmente na parte do dia, podemos dizer assim. É colocar um sorriso no rosto enquanto chora por dentro e ouve as pessoas dizendo: eu invejo a sua vida, é tudo tão maravilhoso, você sempre está sorrindo. ¬¬ E você responde: Tá 'serto'. 

quinta-feira, 23 de maio de 2013

M o s q u i t o s

Eu passei alguns minutos conversando com ele no meu quarto. Na verdade, só eu falava e ele só escutava indo de um lado para o outro. Eu já queria matá-lo desde a primeira vez que o vi. Mas segurei meu instinto. Esperei. Quando ele pousou na parede eu não pensei duas vezes porque tinha que ser rápido. O mosquito ficou pregado na parede branca que agora gotejava sangue. O sangue dele (ou o meu?) ainda está na minha mão. Agora o corpo estraçalhado dele vai ficar aqui na parede ensanguentada para que sirva de lição para os outros milhares que estão me rodeando. Eles devem ter se comovido com a morte de um dos seus e talvez estivessem preparando um ataque coletivo. Eu já não conseguia ver quase nada de tanto mosquito que voava na minha frente. Não sei se eu estava ficando louco, não por ter conversado quase meia hora com um mosquito, mas por imaginar estar ouvindo o choro desses milhares que me cercavam. Eles choravam e lamentavam, falavam muito rápido e suas vozes eram finas e insuportáveis. Tudo estava escuro porque vários deles encobriram a lâmpada que iluminava meu quarto, a única e limitada luz que iluminava alguma coisa agora era a tela de meu computador, que só transmitia alguns fios de luz que conseguiam passar pelo batalhão que pousava no monitor. Ouvi alguns barulhos quando percebi que muitos deles levantavam objetos do meu quarto e saltavam para que quebrasse no chão. Quando percebi que o ataque a minha pessoa iria começar (eles estavam tentando me assustar primeiro, um tipo de tortura, acho) peguei minha arma secreta que eu chamava carinhosamente de "Equipe Rocket". Era uma raquete elétrica amarela com o formato de pikachu, mas não era uma qualquer. Eu fiz algumas melhorias em sua potência. Sabia que algum dia isso poderia acontecer. Acionei a "Equipe Rocket" e comecei a chacina com um sorriso no rosto. Não conseguia ver muita coisa, mas podia ouvir o som dos malditos estourando enquanto passava a raquete violentamente pelo ar infestado de mosquitos. Podia sentir o sangue respingando em mim e em todo o quarto. Depois de um tempo vários fugiram pela janela, outros se esconderam e, no final, só sobrou eu totalmente ensanguentado em um quarto ensanguentado... 



terça-feira, 7 de maio de 2013

Porcaria de pessoa

 Hoje eu cheguei no limite (mais uma vez) de presenciar a porcaria em que uma pessoa pode se tornar. Eu não quero acreditar que alguém possa nascer com esse gene (se for um gene) ou com essa predestinação de ser uma escrota safada. De ser uma pedaço de carne podre que está no mundo só para ser escrota, invejosa, hipócrita tudo de ruim em um único corpo. Tento entender e pensar em algum motivo que a tenho tornado nisso. 
 Temos que ter cuidado com os sociopatas!!! Porque é isso que essas pessoas são. Malditas que se escondem por trás de uma religião, de uma graduação ou de uma ideologia. Desgraçados que não sabem de nada, mas que querem PARECER sábios diante das pessoas. Hipócritas que fingem ser seu amigo ou amiga e quando for o momento de salvar a própria pele te usa como escudo. São pessoas tão escrotas e desprezíveis que todos sempre tem alguma coisa para falar dela, coisas ruins, mas quando estão entre os "amigos" (os mesmos que falaram) se mostram a mais populares, carismáticas, inteligentes... Quando na verdade todos sabem a verdadeira face suja que ela tem. Mas o que fazer no meio desse grupo? Onde todo mundo se abraça e no momento seguinte soltam seus venenos uns nos outros? Eu não quero ser o santo (no way), porque mesmo com a minha carinha de anjo (not) já precisei fazer coisas parecidas. Quem nunca? Mas isso tem que ter um limite. A amizade (não quero ser meloso) tem que existir. Todos temos segredos tão amargos (ou não) que não podemos guardar, precisamos de alguém para conversar e falar dos outros. Mas tem escrotos que não tem noção, que acham que são amigos de todo mundo, que no meio da primeira conversa de meia hora conta todos os seus segredos (e o das outras pessoas também).
 O que percebi esses dias é que se você não percebe (ou percebe) que uma pessoa é uma porcaria e ainda continua andando para cima e para baixo com ela, você começa a virar porcaria também. Os hábitos talvez passem por osmose. Será um tipo de vampirismo? 
 Todo mundo finge muito bem ser forte e tudo contra os desafios da vida, mas saber (ou desconfiar) que na vida inteira tudo segue o ditado de que "é cada um por si", a coisa começa a complicar e o nível sobe de easy (quando você acha que tudo é uma maravilha e que tudo vai cair do céu) para expert (quando você se dá conta de que todo dia é uma luta diferente para conseguir a comida do dia seguinte). Não que eu queira ser pessimista nem nada, mas tenha um pé atrás com certas pessoas erradas, se é que vocês me entendem... 
 Então, as porcarias carregam tipo uma Kriptonita que enfraquecem que tá tentando viver de boa. Parece que as porcarias chegam na vida da pessoa como um monstro do vídeo-game, então, vença-o. Como? Cada um terá o seu meio. [Conselho like Mestre dos Magos]




 Eu espero que depois que derrotar as porcarias que estão perto de mim eu ganhe algum bônus nesse jogo. O nível subiu de Normal para Hard que eu nem percebi... 

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Adulterização

[Se a palavra existe eu não sei, mas vai servir para o que tenho em mente agora]

 O quão rápido as crianças estão crescendo? Não em idade ou tamanho. O quanto elas estão se tornando adultas antes do tempo? Nós temos os tempo certo para tudo. Para entrar na escola, para sair da escola, para entrar na faculdade e, bom, para sair da faculdade já fica meio incerto... [Foco, rapaz! Foco no tema!] Somos crianças até certa idade, depois pré-adolescentes, adolescentes, adultos, etc. Mas, como todos sabemos, tudo tem exceção. As crianças estão aprendendo coisas de outras fases da vida muito cedo, será a evolução? Deve ser... Na minha mente, a criança deveria brincar o tempo todo, ver desenho, ler gibi, desenhar e não se preocupar com nada. Acho que elas nem deveriam chegar perto de dinheiro ou celular. Elas deveriam ter cachorros ou gatos, andar descalças na grama, levar quedas e ralar o joelho. Cair de bicicleta, quebrar os dentes... [tá bom, exagerei.]. Mas isso tudo já está ficando para trás. O espírito de criança é obrigado, na sociedade de hoje a se "adulterizar" logo cedo.
 A criança hoje já sabe o que é matar, o que é trepar, o que é cigarro e cachaça. Além de saber, algumas delas já sabem matar, trepar, fumar e beber. Eu acho que não eram pra saber. É uma tristeza ver por aí meninas tão novas fazendo coisas na frente de uma webcam ou dançando o desavergonhadamente pra todo mundo ver. E ver meninos de 8 ou 9 anos segurando metralhadoras e fumando.



 Por outro lado, algumas pessoas que já estão numa idade legal para se tornarem adultas, ainda mantém as atitudes de criança. Se fossem atitudes como a alegria de viver ou algumas brincadeiras nas horas apropriadas, mas não. Estas nutrem aquela inveja infantil que, nas mãos de um adulto, torna-se uma chatice infernal, ou o dengo de não poder levar uma topada que pensa que o mundo vai acabar ou ainda querer a atenção de todos, sempre. Adultos que não sabem conversar, que só sabem falar porcarias e não ouvem nada. As crianças ainda ouvem o que você tem a dizer. Alguns "adultos" ainda com a velha maneira covarde de se fazer sempre de vítima quando alguma coisa dá errado por sua própria culpa.

 Quando você viu que virou adulto?
 Bom, eu só percebi há alguns meses atrás e me veio uma grande tristeza. Percebi que TUDO o que eu faço é responsabilidade minha. Eu tenho que pagar contas, trabalhar, estudar, comprar minhas próprias roupas, escolher a hora que vou comer, o que comer e o motivo de comer. Sou responsável também pelo que eu não faço. Tenho que ir ao médico sozinho, comprar e tomar meus remédios sozinho. Sinto ansiedade, estresse, dores de cansaço e já cheguei perto de perder o juízo por ter tanta coisa pra fazer. Etc, etc, etc. Depois que percebi isso olhei para trás e senti uma tristeza enorme do meu tempo de infância, quando eu brincava, desenhava e sonhava em ir para lua e ter super-poderes (eu ainda penso em ter super-poderes...). Bom, ainda conservo algumas coisas da minha infância em mim e espero conservar até o dia de zerar esse jogo.


P.S. - Também existe o lado bom de ser adulto, mas fica para outro post. See ya!

domingo, 21 de abril de 2013

Eu posso ser o que eu quiser...

... enquanto assisto a uma série ou leio um livro.

 É... Acontece sempre comigo. Enquanto estou assistindo a um filme ou série ou qualquer coisa que não faça parte da realidade eu me sinto muito especial. Penso que posso fazer o que eu quiser. Quando vejo um herói salvando o mundo eu imagino como eu faria o mesmo, destruiria o inimigo e seria aplaudido e agradecido pela sociedade e pelo mundo todo. Quando vejo personagens matando zumbis eu me imagino fazendo o mesmo, sentindo o sangue frio e nojento deles pingando no meu rosto enquanto eu os esfaqueio e arranco suas cabeças. Quando vejo outros cantando brilhantemente em um show de talentos eu me imagino tocando um piano e cantando, fazendo as pessoas chorarem de emoção e explodindo o local em um pandemônio de sortidos elogios em meio à comoção de eu ter tocado seus corações. Quando vejo uma luta na qual o moço inocente é atacado por três ou quatro marginais e o mesmo dá uma grande surra nos malandros utilizando de técnicas de caratê, judô ou capoeira e fico me perguntando se um dia aquilo poderia acontecer comigo. Às vezes eu confundo os dois mundos enquanto estou assistindo. E quando estou lendo eu fico na iminência de entrar nas páginas dos livros e começar a recriar a minha própria história.
 Quando a sério ou o livro ou o filme acaba eu fico alguns minutos em transe. Fico entre os dois mundos tentando, com todas as minhas forças, permanecer naquele que eu sou especial e posso fazer o que eu quiser. Mas sempre volto para frente do meu computador ou me vejo deitado na cama com o livro fechado em cima da minha barriga, como se eles dissessem: "É uma pena, meu camaradinha, mas vocês vai ter que continuar por aí." E eu continuo. E isso tudo sempre acontece todas as vezes que assisto ou leio... 
 Para me sentir um pouco especial, mesmo não ficando no mundo que eu quero, eu digo para mim mesmo: "talvez um dia eu escreva um livro ou participe de uma série ou viva um momento muito especial ou participe de um filme ou...". Sendo que nos livros e filmes e séries as coisas parecem ser mais fáceis de acontecer.


  Ainda assim, na minha imaginação eu posso ser o que eu quiser... [Se serve de consolo]


terça-feira, 5 de março de 2013

O mosquito e a vingança - Conto rápido

 Jonas costumava matar os mosquitos e deixá-los esmagados na parede. Isso era para servir de exemplo para os outros. No começo era por raiva, depois por diversão e em seguido por pura vontade de ver o seu próprio sangue sujando a parede (quando tinha a sorte de esmagar um mosquito bem gordo). 
 Certo dia jonas esmagou o mosquito como sempre e viu a parede com vários pontos vermelhos. Ficou lá observando e outro mosquito apareceu. Tentou matá-lo, mas aquele era tão mais veloz que os demais. A raiva logo se apossou do garoto e mais dois mosquitos apareceram zumbindo. A vontade de matá-los impediu que ele visse a luz brilhante que passava pela janela de seu quarto. Outros mosquitos entraram e começaram a picar Jonas. Mosquitos cada vez maiores e mais velozes. O som dos zumbidos aumentava assim como a quantidade. 
 Jonas estava sem camisa e vários dos pequenos seres voadores (não tão pequenos, agora) estavam cravados em seu peito. A dor era excruciante. Jonas começou a gritar e logo pessoas batiam na porta de seu quarto fechado perguntando o que estava acontecendo. "Abra a porta, Jonas!", gritavam. Os mosquitos, com bicos metálicos, se atiravam em cima do rapaz e hora injetavam veneno, hora chupavam seu sangue. Talvez porque primeiro queriam derreter a maior parte de pele para depois sugar a maior quantidade de sangue. Jonas já perdera as forças quando foi atirado na cama por uma saraivada de mosquitos no rosto. O corpo destroçado da barriga para cima. As luzes brilhantes começaram a sumir, assim como os mosquitos. Os menores continuaram a sugar mais sangue enquanto a família não conseguia arrombar a porta para ver o estrago dentro do quarto.