sexta-feira, 26 de março de 2010

Pode se acostumar...


Eu sempre digo para mim mesmo que não vou suportar ver um desastre pior alguma outra vez, mas sempre consigo... A gente se acostuma. Com tudo. Basta ser colocado num situação em que seja necessário ter o sangue frio, ou em uma na qual você precise manter os olhos abertos e ver para acreditar e não pensar que é uma fantaisa.
Quanto mais tento ver que sou diferente, mais vejo que sou normal. Ver uma pessoa morta faz você perceber o que futuro guarda para cada um de nós. Do que adianta os preconceitos, as brigas políticas, os roubos se no final todo mundo vai morrer? Por que não aproveitar enquanto se está vivo para fazer coisas que não venham a ferir outras pessoas? Mas mesmo assim a gente se acostuma com os preconceitos, com as brigas políticas e com os roubos... Da mesma forma que a gente se acostuma em ver a morte assim tão perto. A gente se acostuma a ver a morte levar qualquer pessoa, só nos espanta mais quando é alguém conhecido...
Eu não vou suportar ver mais uma catástrofe na qual morrem milhares de pessoas... Mas eu tenho quase certeza de que vou. E ainda não sei se este condicionamento de sempre estar se adequando a essas situações é bom ou ruim...

segunda-feira, 15 de março de 2010

Pancadaria


Fui para o show do chiclete com banana [não entrarei em detalhes o porquê de ter ido para o show de chiclete com banana se não tenho muita afinidade com o estilo musical... sou eclético, oras] e, como em todo show de Axé, teve a boa e velha pancadaria! \o/
São tão engraçados esses momentos de pancadão [exceto se eu estiver envolvido na pancadaria] que hoje eu presenciei um bem de perto [um dos vários, frizo] e fiquei rindo até quase o fim do show. Vamos ao relato:

Estava eu lá, queto no meu canto curtindo alguma música que já não lembro qual era quando percebi a movimentação brusca ao meu lado [direito]. Já sabia que era briga e, como uma serpente, me esquivei para um lado. Nesta fração de segundo vi o rosto de uma menina indefesa que parecia o gatinho do Shrek se fazendo de indefeso [foi o que mais me fez rir]. Então decidi ajudá-la e, instintivamente, gritei a plenos pulmões: __ É BRIGA, PORRA! CORRE! Depois disso eu corri pela minha vida e não sei o que houve com ela.

Mais brigas antecederam e procederam a esta. Nem sei o que aconteceu com os lutadores, que, por sinal, nessas horas juntam várias pessoas para participar da briga. Pessoas inocentes [e desavisadas ou lentas de mais] apanham também. Bom... É um fato corriqueiro em diversos shows.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Pastel de Pizza


Eu estava olhando os pedidos que eus amigos fizeram. Eles tinham saído e fiquei de olhar a comida até que chegassem. Trabalho fácil de fazer. Deixei os lanches no banco e saí para fumar um cigarro. Quando terminei e voltei, Daniel Diego, um garotinho que morava nas redondezas, estava comendo um pastel.
__ Daniel! __ Chamei. __ Você deveria esperar os garotos chegarem para pedir um pedaço de pastel.
__ Mas eles disseram iam comprar um pastel de quijo pra mim. __ Disse Daniel. __ E tem um "Q" aqui neste pacote. __ Falou dando uma mordida no pastel crocante.
Algumas mordidas depois Daniel choramingou: __ Acho que peguei o pastel errado.
__ Por que acha isso? __ Perguntei.
__ Tem um tomate aqui. __ Disse ele enojado. __ E presunto e outras coisas...
Era um pastel de Pizza. O único pastel de Piza que foi pedido pelo garoto mais carrancudo de todos, ele não gostaria de saber disso quando chegasse...
__ Eu falei pra você esperar eles chegarem, não foi? __ Falei em tom acusador, mas eu naõ sabia que isso acarretaria uma coisa tão terrível depois...
Ele me pareceu muito preocupado depois que jogou o pastel de pizza pela metade na lata de lixo. Nunca vi, no rosto de um menino de 8 anos, tanta angustia. Se não me engano também vi seus olhos transbordando e um pouco avermelhados. Claro que ninguém ia massacrá-lo por comer um pastel. O cara ficaria chateado sim, mas não o mataria... Apenas gritaria com ela, na pior das hipóteses.

Daniel ficava andando de um lado para o outro. E depois começou a caminhar para perto da pista. Era noite e nesta rodovia costumava passar muitos caminhões carregando mercadorias para outras cidades. Caminhões grandes.
Não olhei muito para o que Daniel estava fazendo. Ele na certa iria olhar se os garotos estavam voltando. Mas ouvi um barulho ensurdecedor e depois o maior estouro que já ouvira na vida. Olhei para a pista e vi a cena que só esperaria ver no inferno: Um grande caminhão de dois vãos estava ainda capotando por cima de uma coisa que, daquela distância, era minúscula, mas que movia os braços com desespero, o desespero de um garoto pequeno que se atirara na frente de um grande caminhão.
Minha visão captou a coisa toda com uma capacidade que eu não gostaria de ter. A parte superior do corpo de Daniel pareceu explodir em sangue, sua cabeça parecia não mais existir enquanto as pernas chacoalhavam penosamente. O calor que me jogou no chão, depois da explosão do caminhão, me fez acordar para o que acabara de acontecer...

Dias depois, ao conferir a lista de pedidos, havia um engano, que se visto anteriormente nada daquilo teria acontecido: Havia dois pastéis de pizza e um deles realmente era para Daniel Diego.