sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Era um lindo periquito


Daniel Diego era o nome dele. Era um lindo periquito azul que ficava dentro de uma bela gaiola branca. Seu dono, o pequeno Guga, o chamava de "piriquito Daniel Diego". Ele o amava e por isso pediu para que o profissional da veterinária responsável pelo pássaro cortasse suas asas para que ele não voasse.
__ Ele não é lindo? __ Perguntava Guga para todos que viam o periquito.
Tudo era alegria. Tudo era felicidade. Guga colocou a gaiola no chão próxima a uma escada. A gaiola estava com a portinha quebrada e para evitar que Daniel Diego fugisse, ele fez uma pequena barreira com garrafas de refrigerante na frente.
Mas os momentos de brincadeiras com o "piriquito" foram efêmeros. Um maldito gato espreitava o pobre pássaro. Um gato branco, cuja dona era malvada e perversa.
Ninguém sabe o que aconteceu com o pobre periquito, o que sabem é que ele desapareceu misteriosamente da gaiola.
__ Meu "piriquito" fugiu... __ Dizia Guga choroso.
__ Quem sabe não foi o gato que o comeu? __ Diziam algumas pessoas.
__ Ele deve ter comido o passarinho... Para descobrir é só abrir o gato com uma faca para ter certeza... __ Diziam outros.
Guga passou momentos de horror ao pensar o que teria acontecido com Daniel. Guga vomitava pelos cantos em jorradas quentes e ácidas. Chorava pelos cantos deseserado com o destino do pobre periquito azul.
Ele era tão lindo. Era tão charmoso e carinhoso. Sabia fazer tantos truques. Só não podia voar... Agora tudo tinha que ser dito no passado porque, provavelmente, um gato maldito tinha o comido. Agora o gato poderia estar andando com as penas do rabo do periquita na boca...
Guga não aguentava mais. Pegou a faca de serra na cozinha e encontrou o gato repousando no chão do pátio. Abriu-o vivo. Sangue quente jorrando em suas mãos de criança. Os olhos dele mirando os olhos agonizantes do gato. As tripas pulando como molas para cima e nada de passarinho, nada de penas lindas azuis como o mar. Nada.

A vida de Guga mudou naquele dia. Várias pessoas riram dele quando contava que não achava o periquito em lugar nenhum. Muitas cantavam músicas de passarinhos para aumentar a dor de sua perda. Anos depois, a faca que cortava a barriga do gato agora cortava a barriga de gente e sempre com o mesmo objetivo: encontrar onde se escondera Daniel Diego...

sábado, 9 de janeiro de 2010

Selva da Sedução (...)


Certo... Fui para uma festa que teve na praça de minha cidade. Muitos jovens, mas também muitos adultos. Neste dia me coloquei na posição de observador, vocês entenderão o que quero dizer...

Não estava bebendo para que minha percepção não me enganasse e para que meus sentidos funcionassem bem. ^^.

Depois comecei minhas observações, lá para mais da metade da festa os olhares começaram. Homens olhavam mulheres se requebrando. Mulheres encaravam homens do outro lado da festa e cochichavam com as amigas pra saber se havia reciprocidade da parte do cara. Depois começou o esfrega-esfrega. Realmente uma selva. Presas e caçadores no mesmo espaço competindo para matar a fome do corpo. Os hormônios em ebulição e os ferormônios em alta.

Minha imaginação vagou pelas mais sádicas maneiras de saciar esta fome corpórea...

Bebidas e cigarros - tirando outros tipos de alucinógenos usados no local - forneciam coragem para as pessoas. Olhos ferozes lançavam faíscas em direções diversas à procura de "comida". Foi interessante observar isso e não fazer parte de ser presa ou predador...