sábado, 19 de setembro de 2009

Entre Família [conto]


Quando Paulo abriu os olhos se deparou com uma parede suja em lugar que ele nunca estivera. Sentiu a boca amordaçada por um pano e percebeu que estava totalmente acorrentado a uma cadeira de ferro, a cabeça estava dolorida. Estava vestindo a mesma roupa que usava quando saiu de casa para sair com seus amigos, uma calça jeans e uma blusa, mas estava sem os sapatos. A única coisa de que se lembra é de quando foi entrar no carro e tudo ficou escuro.
Paulo sentiu a mordaça afrouxar...
__ Quem está aí? __ Falou agitado voltando a ficar lúcido. __ Onde eu estou?
__ Eu fui um bom pai? __ Um voz questionou atrás dele.
__ Pai? __ Falou Paulo assustado. __ O que o senhor está fazendo? Onde eu estou?
Um homem gordo e alto, com barba e cabelos grisalhos se pôs na frente de Paulo trajando um macacão de couro preto. Segurava um cutelo de cozinha na mão esquerda e um gancho de açougueiro na direita.
__ Responda se eu fui um bom pai, Paulo. __ Mandou Sandro, seu pai.
__ Por que está fazendo isso?
O sangue jorrou quando Sandro cravou o gancho no ombro esquerdo de Paulo. O grito do rapaz ecoou pela sala.
__ Por que você só não me responde? __ Gritou Sandro puxando o gancho do ombro de seu filho.
__ VOCÊ ESTÁ LOUCO! TIRE-ME DAQUI!
__ Paulo... Eu tentei de todas as formas ser um bom pai pra você e para suas irmãs, mas você foi o único que saiu dos eixos, você sempre foi o rebelde, sempre foi o diferente da família...
__ VOCÊ NUNCA ME DEU ATENÇÃO! POR QUE QUER SABER DISSO AGORA!? __ Gritava Paulo aos prantos.
__ Porque quero saber disso antes de matar vocÊ, meu filho.
__ E POR QUE VOCÊ VAI ME MATAR? CHAME A MINHA MÃE! ME TIRA DAQUI!
__ Sua mãe nem desconfia que estamos aqui... Ou você acha que eu faria isso na nossa própria casa? O que eu dizia? Ah, sim! Você, Paulo, foi o meu fracasso, não consegui fazer você gostar das coisas que eu gosto como fiz nas suas irmãs, não consegui "induzir" você a seguir uma profissão boa, você quer fazer as coisas sozinho... Isso é errado, Paulo! É errado. __ Dizia Sandro olhando para o cutelo. __ Vou arrancar suas mãos e seus pés para você saber que não tem liberdade de fazer o que quer, depois arranco sua cabeça, para você saber que pensou errado todo este tempo, está bem? Vou começar pelas mãos...
Sandro voltou para as costas de Paulo e mirou o cutelo no pulso esquerdo, levantou o cutelo e o baixou rapidamente.
Paulo se agitou, o cutelo acertou as correntes, mas ainda cortou uma parte da mão do rapaz. As correntes se soltaram, Paulo se agitava mais e mais numa tentativa desesperada de se soltar. Sandro meteu o gancho novamente no ombro de Paulo e lá ele ficou caravado. Paulo gritou de dor, mas conseguiu afrouxar as correntes e ficar de pé.
Ao olhar para trás, Paulo viu uma mesa cheida de ferremantas e utensílios domésticos como facas, garfos, espátulas, furadeiras...
Sandro correu para pegar outra arma alem do cutelo, Paulo correu para pegar uma arma também.
__ EU VOU MATAR VOCÊ, SEU MOLEQUE! __ Gritou Sandro procurando a maior arma que encontrasse.
Paulo conseguiu pegar a furadeira e uma serra giratória de cortar madeira. Ligou a serra e a jogou em seu pai com toda a força. Sandro gritava enquanto a serra cortava seu braço direito, mas sem decepá-lo.
__ Você vai aprender algo comigo! __ Disse Sandro deitado no chão com a mão no ferimento que sangrava bastante.
__ Você é um miserável! __ Disse Paulo se aproximando com a furadeira ligada. Seu ombro continuava com o gancho preso, mas ele já não ligava para isso.
__ Se você me matar... __ Começou Sandro. __ ... vai ser um miserável como eu.
__ Vejo que conseguiu me ensinar alguma coisa, pai. __ Disse Paulo, chorando, furando o peito do pai com a furadeira.


FIM!