sábado, 28 de janeiro de 2017

Despedida

Pois é, em 2017 completa 10 anos que eu tenho este blog :) É muito tempo, não é?
Este local aqui foi minha terapia por 10 anos. Foi aqui que eu expressei muitas das coisas que me atormentavam. Às vezes essas inquietudes vinham em forma de contos - alguns bem macabros - de outras vezes eram só músicas, mas, no início, tudo vinha com uma dose de pessimismo, ironia e, lá no fundo, tristeza. No decorrer de todo este tempo, assim como em uma terapia, eu percebi muita coisa de mim mesmo: eu mudo todo dia numa metamorfose que não tem fim. 

Eu fiz o blog de forma inconsciente, só queria escrever, não sabia que me ajudaria tanto nessa interação comigo mesmo, afinal de contas, quando eu volto para ler o que escrevi, algumas vezes, eu tenho quase certeza de que foi outra pessoa que o fez. Eu diminui os erros ortográficos, eu conheci novas formas de enxergar as pessoas e o mundo e, tenho certeza, eu me tornei uma pessoa melhor.

Foi a partir de tudo de ruim que eu comecei expondo aqui que as coisas boas foram aparecendo. Eu percebi o quanto de sujeira eu vinha acumulando: rancor, raiva, tristeza em demasia, desejos reprimidos... a minha sombra estava crescendo mais do que eu mesmo. Como tudo nesta vida, eu creio que consegui extrair o lado positivo dessas coisas. E como tudo nesta vida, o mais difícil é conseguir o equilíbrio. Continuo desequilibrado, ás vezes pra cima, às vezes pra baixo, mas a diferença que eu agora eu consigo ter um vislumbre do que pode vir pela frente nessa montanha-russa: se é uma subida ou uma descida. Enganam-se os que pensam que isso torna alguma coisa mais fácil, creio que só mais aceitável...

Olha que interessante: a gente pode falar uma coisa hoje e se arrepender amanhã. Já aconteceu com você? Eu sou muito bom nisso, eu falava tudo o que vinha na cabeça e, às vezes até alguns minutos depois, eu me arrependia. Agora eu falo menos (ainda ainda acho que é muito) e escuto mais. Meu cérebro sempre foi muito bom em arrumar respostas com doses de espinhos. Percebi o quanto era imaturo em fazer isso. Agora eu diminui os espinhos... Ficar calado quando você acha que tá certo é muuuuito difícil. Bom, são lições diárias.

Eu continuo lendo sobre religião, filosofia, sociologia, etc. Tô numa busca constante do auto-conhecimento. Já me machuquei muito por isso, mas também já tive bons momentos de reflexão e aprendizagem, os quais me deixam mais fortes para os próximos machucados. Quanto a isso, uma das melhores coisas aprendidas foi a não dar chance para as notícias ruins. No jornal, na internet, em todo canto vai ter alguém que só vai trazer notícia ruim. Mas se olharmos direitinho sempre há as notícias boas: pessoas ajudando pessoas, meu foco agora é no lado bom.

E o amor? Bem, no início eu via o amor com algo muito ruim. Foi até uma coisa que me chamou atenção quando 'olhei para trás'. Em outro momento já cheguei a pensar que amava todo mundo (que oba-oba é esse?) e agora eu estou aprendendo sobre os vários tipos de amor, que o amor não acaba e que eu fiquei tempo demais com muito amor guardado dentro de mim, ele já estava apodrecendo, o que é muito ruim. A conexão com outra pessoa (independente do tipo de relação) é de uma sensação extraordinária. Dá um frio na barriga de verdade (pelo menos em mim, né?). E isso tudo enquanto os relacionamentos líquidos (RIP) assolam ao nosso redor, por isso, às vezes é difícil manter uma conexão por muito tempo, cada pessoa está em um momento. Acredito que a lição é sempre para ambos...

Mas o blog já deu o que tinha que dar... Acho que ele existiu para me trazer até aqui. Foi meu amigo. Fez a minha transição dos amigos imaginários para algo muito mais real (não estou dizendo que eles não existiram, ouviram!?). Então a despedida chegou. Agora este rio vai encontrar seu ponto final com todos os meus dez anos de mudança. Muito obrigado a todos que acompanharam e mudaram junto comigo, a gente tá aqui pra evoluir e se precisar segurar na mão de alguém quando as coisas ficarem bem confusas, pode segurar na minha. :)


E como tudo é apenas um ciclo que gira e gira. Como eu não conseguiria ficar sem escrever. Eu sei que vou encontrar algum outro meio para cronometrar as minhas mudanças. outro blog? um canal do youtube? um canal onírico transmitido pela consciência coletiva? Eu ainda não sei, mas na hora certa vai aparecer. E eu aviso pra vocês!

Um abraço muito forte com aquele frio na barriga seja lá em que combinação de números binários você estiver! :)

sábado, 15 de outubro de 2016

Ansiedade nossa de cada dia e como eu a odeio

A ansiedade é o desejo do futuro agora. Mas tem que ser já! E quando o "futuro" chega, éons depois, nós já queremos outra coisa.

 Então você fica se perguntando:
 Como será que vai ser no trabalho amanhã? Enquanto isso você perde de aproveitar a sua folga.
 Será que eu vou acordar cedo? Enquanto isso você não dorme.
 O que eu vou fazer quando terminar a faculdade? Enquanto isso você não aproveita o tempo da graduação.
Enquanto eu penso no futuro eu não aproveito o presente. Isso eu sei. Mas o fato de saber que pensar no futuro me faz perder o presente parece não ser suficiente para que eu pare de fazer isso. Isso é assustador e me leva a pensar na responsabilidade que EU tenho para comigo mesmo em me curar disso. Porque saber que eu posso já é um grande passo para aquietar a minha mente que parece um labrador hiperativo. Então chegamos ao ponto que eu gostaria de falar um pouco.



Existe um exercício de respiração que realmente funciona. Claro que naquele momento em que estamos completamente desesperado pelo futuro fica difícil fazer qualquer coisa a não ser pensar no futuro e ficar perdendo tempo. O que vem me acalmando nesses momentos é saber que a única certeza que nós todos temos é que não existe nada certo no futuro. Isso pode parecer desesperador, mas só se você quiser que seja. Aprendi a ver isso (na verdade eu estou aprendendo, sempre) como algo bom. Quer dizer que eu posso mudar todos os dias. Eu sou uma metamorfose. Todos nós somos. Temos a chance de fazer a coisa certa a cada minuto.

Há aquele momento precioso onde eu preciso do silêncio. Na verdade, na maioria das vezes eu preciso do silêncio. Assim eu posso ouvir a minha mente gritando e saberei onde devo chegar nela e dizer: VÁ PARA O CANTINHO DO PENSAMENTO E FIQUE CALADA! É claro que ela não vai de primeira, mas quando escuto minha mente gritar pelo futuro (muitas vezes é pelo passado também), eu procuro fazer o exercício de respiração que falei pra vocês. Vou colocá-lo no final da postagem, já que é um gif. O exercício realmente me deixa mais tranquilo. Aquele desespero começa a sumir devagar. Mas o que vem depois é um ligeiro vazio. E é neste vazio que mora o perigo. Eu tenho que preenchê-lo com alguma coisa. Então é aí que eu vou ter que decidir no que pensar depois, no que eu estou fazendo agora ou no futuro mais uma vez? Eu procuro fazer algo no 'agora'. Estudar, ler um livro, correr na avenida (não pelo meio da rua, claro), ouvir música, qualquer coisa, menos pensar e pensar em algo do qual eu não tenho controle.

Não é fácil! De forma alguma! Mas é um aprendizado muito precioso. Como já falei antes, o processo das coisas são mais enriquecedoras do que o final delas.

Bom, eu gostaria de dizer aqui que eu consigo controlar a minha ansiedade sempre que minha mente começa a gritar pelo futuro, mas eu não consigo. Eu ainda quero ler vários livros ao mesmo tempo, fico agoniado numa fila de espera (sem palavras pra definir) e passo um tempo pensando como vai ser o futuro. Eu seria até especial se essas coisas acontecessem só comigo, não é verdade? É por isso que dou tanto valor para as conversas. Conversando a gente encontra gente com o mesmo problema, com problemas diferentes, às vezes com as soluções...

São coisas estranhas da vida da gente. Conseguir terminar mais um texto aqui é uma grande conquista pra mim. Vocês não sabem quantos rascunhos existem na minha caixa digital porque eu começo a escrever e paro na metade...

Mas lembrem, se tiver estranho de mais pra aguentar sozinho(a) é melhor procurar ajuda de um psicólogo.

Enquanto isso, aqui vai o exercício tão falado, é só seguir o gif. Veja quantas vezes fica bom pra você. Só não vá passar o dia todo fazendo. Acredito que tem horas que devemos enfrentar nossos problemas (ansiedade, no caso) de frente, ou seja, procurando viver no agora. Ou então faça o dia todo, você não é obrigado a nada!


segunda-feira, 19 de setembro de 2016

A arte de ficar caladinho (a)

Hoje nós vamos falar sobre essa arte maravilhosa de ficar calado!
Já perceberam o quanto é difícil permanecer calado por um tempo? Mesmo quando numa roda de amigos ou no trabalho?



Sim, a dificuldade é enorme, mas os benefícios são maiores ainda. É necessário tato para saber a hora de falar alguma coisa. A palavra é uma das coisas que você 'atira' e não tem mais volta. Palavras machucam tanto quanto armas, pois deixam a marca dentro de nós. Palavras também ajudam, claro, quando ditas no momento e do jeito certo. Da mesma forma que o silêncio. 

A arte de ficar caladinho envolve muita paz interior e muita paciência. É aquele ditado né: vamo fazeno às vezes é melhor cultivar a paz do que ter razão (mais ou menos isso). Ou seja, de vez em quando compensa você escutar uma pessoa falar merda e não passar na cara dela a (sua) verdade. Esses momentos são cruciais para a nossa elevação espiritual (eu acho), porque pessoas como eu, que se arrependem de tudo, falam alguma bobagem nessas horas e passam por momentos posteriores de arrependimento. Infelizmente pra mim é assim.

Eu convivo com pessoas que são super sinceras (eufemismo). Na verdade elas não têm um freio na língua e falam sem pensar, pensam que a sinceridade pode vir acompanhada com um punhado de merda por não saber o jeito de falar as coisas pra alguém. NÃO! Ser sincero não implica falar o que bem entender.

Também convivo com pessoas caladas de mais. Não que seja uma regra, mas guardar tudo para si pode ser uma forma perigosa de explodir no futuro. Dá pra sentir a raiva na pessoa, emanando como uma corrente elétrica ao redor. É complicado, né? Nem ficar calado de mais nem falar de mais. A vida é assim: achar o equilíbrio entre tudo. Seria bom um manual de instruções, mas isso não existe.

Olhe para as pessoas que você convive. O que elas falam. O que você fala de volta. É melhor falar de volta ou ficar calado e evitar uma discussão sem fundamento? É melhor falar de volta ou é melhor se distanciar um pouco porque a pessoa só fala em coisas negativas? E você, fala muitas coisas negativas? Todo dia é dia de mudar nossas atitudes. 

Venho tentando ficar caladinho a maior parte do tempo. Confesso que é muito difícil. Mas só em constatar que estou tentando me dá uma percepção de que posso mudar isso. É tudo tão complicado. Ter com quem conversar hoje em dia está cada vez mais difícil. Conversar coisas relevantes pra você e para o outro. Sendo assim, quando você encontra alguém para poder quebrar o jejum das palavras o momento se torna único e especial, assim como a pessoa com quem você compartilha suas palavras.

Um próximo post seria: a arte de ouvir com os dois ouvidos. Isso porque muita gente ouve as palavras com um ouvido, mas logo elas saem pelo outro.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Hoje eu acordei mais confuso do que o normal

Primeiro eu teria que fazer um glossário aqui pra definir certas palavras. "Normal" seria uma delas, mas daria um post inteiro e eu não conseguiria dizer o que ela parece pra mim sem te deixar tão confuso (a) quanto eu. Mas eu quero dividir a confusão de hoje com vocês. Segura na cabeça que eu tô que nem o Psyduck da Misty hoje...

                                            

Mais uma vez eu achava que estava em um rumo na vida e talvez não seja o que eu realmente quero. Me peguei a pensar o que eu fiz até agora e isso é tão perigoso. Claro que não tem como mudar o que foi feito, mas se pode mudar a partir de agora e tentar um novo fim. Todo mundo já ouviu essa. Nesses anos de vida que tenho tentado começar a viver e não apenas existir eu já desci tantas vezes ao fundo do poço e voltei que talvez eu seja um balde (vi isso no face). Não sei se essa situação é boa pela minha resiliência pungente de passar por situações ruins e me reerguer, ou se é ruim por estar entrando em situações ruins mais do que eu gostaria. Para isso eu criei, mais ou menos, a teoria da roleta . Ela me ajudou a dar m sentido para certas coisas, não que isso amenize a situação.

E de tantas outras vezes eu perdi o rumo. Um rumo que nem tinha saído do papel ainda já não faz tanto sentido. Quero que vocês entendam o que estou passando: viver num mundo (talvez seja só o meu) onde as pessoas se conformam em trabalhar e dormir não está sendo fácil. Porque, na verdade, eu estava disposto a ser assim. Eu vivi vendo isso acontecer: na rua, na chuva, na fazenda e na casinha de sapê. Com o tempo essas ideologias começam a se infiltrar em você e mostrar que realmente é o melhor caminho. Só que meus anticorpos são valentes. Eles não deixaram essas ideias tomarem conta de mim. E agora eu tô confuso. Porque eu não sei mais o que fazer. O tempo tá passando muito rápido e eu ainda não fiz nada que me fizesse sentir uma felicidade plena. Eu sou medroso. Mas ao invés de me adaptar a trabalhar de dia e dormir de noite, eu quero conhecer a natureza, conhecer pessoas, conhecer novos mundos tão bonitos e esquisitos quanto o meu.

Outra parte disso tudo que me deixa triste é a banalidade que existe nas relações pessoais. Tem muita gente rasa por aí. Eu tento ser assim, raso. Sabe porquê? Porque assim você sofre menos. Fechar os olhos é a opção certa para quem não quer ter sua mente e seu coração destroçado. Eu ando com meu equipamento de mergulho sempre! Esse equipamento veio junto comigo. Tento mergulhar profundamente em todo mundo que passa pela minha frente. Eu tento, eu vou esperando adentrar num mar profundo, que seja calmo ou violento, mas com paisagens interessantes a serem desvendadas. O que mais acontece é bater com a cara na areia. Pessoas rasas me entristecem. Não me dão raiva, talvez inveja. Inveja porque elas olham pra você e não sofrem pelo que você passa, não levam pra casa a preocupação que não é delas e dormem sem pensar muito se a busca da felicidade vale a pena. Mas eu insisto em andar com meu equipamento de mergulho. Já disse algumas vezes: por fora eu sou tão pessimista. É como uma armadura pra não me machucar, mas por dentro eu sou o mais otimista de todos. E sei que tudo vai seguir o caminho que tem que ser. Mas isso demora. Sei disso pela prática constante.



Eu tô confuso porque quero sentir o gosto da liberdade, mas tenho medo. Liberdade requer muita responsabilidade. E a maioria não quer isso porque se algo der errado a única pessoa que vai receber a culpa é você mesmo. E a maioria gosta de colocar a culpa nos outros. Vejo pessoas que estão presas nessa dependência de ordens que até pra escolher o que vai comer pede para outra pessoa. Assim, se a comida estiver ruim a culpa foi de quem escolheu. isso parece coisa de criança de 8 anos de idade, mas não é não, são marmanjos e marmanjas de seus trinta anos. Eu tô ainda confuso porque pra ganhar essa liberdade eu posso dar o primeiro passo agora, depois de escrever esse post aqui, eu posso arrumar minhas malas e sair em busca de algo que me traga felicidade plena. Mas não é fácil pra mim. 

Eu ainda tô confuso porque me arrependo muito fácil das coisas. Fico impressionado com uma pessoa que diz que não se arrepende de nada do que já fez antes. Eu me arrependo de bastante coisa. Por isso me comparei com um balde antes. Eu tenho na cabeça de que todos os dias é uma nova oportunidade pra você mudar. É uma oportunidade pra fazer diferente e dar início ao rumo que você quer. Pra isso é importante ter em mente que existem pessoas boas e ruins. Muito boas e muito ruins. Com o tempo você começa a sentir isso ao se aproximar de alguém. Alguns sabem esconder muito bem, mas uma hora a verdadeira pessoa se mostra pra você. É tipo um exorcismo. 

Isso tudo tá na minha cabeça agora pela manhã. Eu poderia estar só feito um robô fazendo algo de forma mecânica e não estar sofrendo calado de sol a sol de janeiro a janeiro. Mas essa profundidade toda faz parte da minha pessoa. Vim com esse brinde assim como vim com o meu equipamento de mergulho. Se é bom ou ruim eu não sei porque não sei ser de outro jeito. Bom, a confusão continua. O desejo de ser livre só cresce. E eu espero ter muita força de vontade pra me libertar de mim mesmo e deixar as asas me ajudarem a encontrar meu rumo. 

Até logo! :)



Glossário (em ordem de aparição no texto):

Normal:
adjetivo de dois gêneros
  1. 1.
    conforme a norma, a regra; regular.
    "a homologação seguirá os trâmites n."
  2. 2.
    que é usual, comum; natural.
    "tráfego n."

Resiliência:
substantivo feminino
  1. 1.
    fís propriedade que alguns corpos apresentam de retornar à forma original após terem sido submetidos a uma deformação elástica.
  2. 2.
    fig. capacidade de se recobrar facilmente ou se adaptar à má sorte ou às mudanças.

Anticorpos:
Anticorpos são proteínas que atuam no sistema imunológico como defensoras do organismo vivo contra bactérias, vírus e outros corpos estranhos. Os anticorposhumanos são classificados como proteínas imunoglobulinas, produzidos por um glóbulo branco específico, chamado de linfócito B.

Rumo: 
substantivo masculino
  1. 1.
    mar cada um dos 32 espaços em que se divide a rosa dos ventos.
  2. 2.
    mar direção que segue um navio em relação com a linha norte-sul.

Banalidade:
substantivo feminino
  1. 1.
    utilização, livre ou forçada, pelos vassalos de coisas pertencentes ao senhor feudal, mediante pagamento.
  2. 2.
    condição ou atributo do que é banal; insignificância, trivialidade.

domingo, 4 de setembro de 2016

Reservatório Vs Rio

Li a seguinte mensagem: "Nunca se torne um reservatório se você pode ser um rio" - Osho. E então me veio à mente várias e várias ocasiões de minha vida nas quais as pessoas tentavam me tornar um reservatório. Para esclarecer o que é um reservatório e um rio vou citar a primeira parte da mensagem:

"Sempre permaneça aventureiro. Por nenhum momento se esqueça de que a vida pertence aos que investigam. Ela não pertence ao estático. Ela pertence ao que flui".

Então, o que acontece é que na medida em que vamos crescendo as coisas vão mudando de perspectiva. O meu sonho de criança em ser astronauta se mostrou apenas um sonho mesmo. Também quis ser veterinário. Educador físico. Jornalista. Cartunista. E tantas outras coisas que na infância sempre foi possível. Na verdade ainda é. Quantas notícias não lemos por aí falando de pessoas com seus setenta anos ou mais que seguiram seus sonhos e se formaram no que bem queriam. 

Eu cresci com bombardeios de conselhos, em várias esferas de relacionamentos, principalmente de pessoas mais velhas que eu, dizendo que é importante ter o ensino superior e depois um trabalho fixo. mas tem que ser concursado, se não a vida vai ser cheia de tristeza e falta de dinheiro. O dinheiro é a vida. O dinheiro e a estabilidade financeira tem que ser a sua meta de vida. Mas também você tem que formar uma família e ter filhos. Por quê? eu perguntava mentalmente. Mas antes de perguntar verbalmente o assunto já era. Normalmente alguém que me dizia isso tinha que sair pra trabalhar rápido, deixar alguém cuidando de seus filhos e depois voltar pra casa pra dormir e repetir isso todos os dias da semana.

Ou seja, eu precisava conseguir uma zona de conforto e, assim que conseguisse, jogar uma âncora nela. Eu deveria ser represa. Não culpo ninguém por dizer essas coisas, tenho certeza que é na maior das boas intenções. Mas isso na cabeça de uma criança/adolescente vai fazer efeito no futuro. O efeito que a pessoa talvez tenha sofrido por também ter ouvido essas coisas. 

"Não faça tatuagem porque você não vai conseguir emprego nunca" (seja represa).
"Não use piercings porque é coisa de maloqueiro" (seja represa).
"Passe em um concurso e fique nele para todo o sempre - mesmo que você não goste - o importante é o dinheiro" (seja represa).

Temos que entender que realmente precisamos de dinheiro para comer, comprar roupas, etc. Mas o ponto em que quero chegar é que o dinheiro não é tudo. Dizer isso é meio estranho agora, porque eu estou quase preso na minha zona de conforto. As coisas que me disseram surtiram efeito de alguma forma. Mas venho sentindo uma infelicidade latente por estar virando uma represa. Eu não entendo como as pessoas conseguem viver infelizes, mas cheias de dinheiro. Algumas são infelizes e sem dinheiro. 

Muito bom  quem consegue trabalhar em um emprego que gosta. Que faz porque tem amor àquilo, independente do que seja. Às vezes tenho inveja de quem conseguiu se estabelecer num local e é feliz ali. Sozinho ou acompanhado, com família ou sem família. Uma pessoa livre. Ser represa não quer dizer morar num lugar pra sempre. Ser represa é ser prisioneiro da vontade dos outros. É ter medo de fazer algo que goste por ser arriscado e permanecer na inércia de algo que não te faz feliz. 

Bom, a represa na qual estou me tornando, com a minha porcentagem de culpa e medo, claro, não está me fazendo muito bem. Ver a represa em que os outros se tornaram ou estão se tornando também não me fazem muito bem, mas para isso eu só posso tentar conversar. Você já perguntou se alguém é feliz? Eu já. Estou perguntando isso constantemente às pessoas e a resposta que recebo começa com alguns segundos de olhar assustado pra mim, como se eu fosse louco (...) e depois dizem alguma coisa sem convicção nenhuma. E mudam de assunto. Eu também venho me perguntando se sou feliz e se fico em dúvida é porque não estou. Então algo tem que ser feito. Estou tentando me tornar um rio. Mesmo que o pessimismo dos dias atuais tentem me deixar com medo, e às vezes deixam, eu estou quebrando, aos poucos, esse muro da zona de conforto. Estou cortando a âncora que me prende. E essa âncora pode ser tanta coisa: emprego, amigos, família, dinheiro, estabilidade... O que vem depois que a represa se arrebenta? Eu não sei, mas vou saber logo.

E você? É feliz?

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Ser gentil ou ter razão?

 Vocês já sentiram aquele frio na barriga de tanta raiva que já segurou? Ou de ter que engolir o orgulho e fazer algo que não queria/gostaria pelo bem do próximo mesmo que você vá se dar mal? è muito, mas muito ruim. Cada um reage de um jeito, mas, às vezes, para ajudar o próximo você tem que se sacrificar, engolir a raiva e o orgulho e simplesmente ajudar. Vai de cada um, mas mesmo quando a pessoa não merece ela consegue ter algum poder sobre você. Digo por experiência própria.

  Já vi pessoas serem manipuladas por miseráveis da forma mais vil. Por amigos ou familiares. E sempre disse: você faz porque é besta! Então eu comecei a ser besta também. Ajudar os outros enquanto perco minha sanidade porque talvez eu me sinta mal por dizer não. Sendo que fico mal das duas formas: tanto por ajudar alguém que não merece quanto por alimentar uma raiva dentro de mim que uma hora ou outra vai ter que se libertar, ou então será tarde de mais pra mim.

  Já ouviram falar nos vampiros de energia? Essas pessoas parasitas que nos forçam a ajudá-las seja emprestando dinheiro (que não vão pagar), seja indo comprar coisas para elas, emprestar, doar ou qualquer outra coisa do tipo, elas são os verdadeiros vampiros e sugam a nossa saúde. Passei um tempo pensando que elas podem fazer isso inconscientemente, mas, sendo assim, bem que elas poderiam se arrombar sozinhas...

 Então o certo aqui seria continuar sendo gentil ou agir com a razão e deixar de ajudar? Isso fica pra vocês pensarem aí. Como falei no início, só vim perceber como a coisa realmente acontece quando aconteceu comigo. Já me disseram uma vez que certas coisas têm uma engrenagem formada pela rotina e o costume (como esse parasitismo que acontece por tanto tempo que fica difícil parar mesmo que a situação esteja ficando insuportável para a vítima), então é necessário desprender uma grande força de vontade para romper essa engrenagem e se livrar desse martírio. O vampiro tem que aprender a viver sem a energia dos outros. E a vítima precisa aproveitar sua própria vida e deixar de ser a babá de um ser desprezível. 

domingo, 22 de maio de 2016

Mais público, menos privado: como tirar algo de bom disso tudo?

 Antes de começar gostaria de dizer que não tenho escrito ultimamente pelo alto grau de estresse ao qual me submeti: trabalho, faculdade, família, amigos, afazeres diários, animais de estimação (que não tenho mais), etc... E quando vinha escrever, quando tinha uma ideia bacana de como começar, ela logo desaparecia, é esquisito. Acho que tem algo a ver com a criatividade... Bom, vamos lá!

 Ainda continuo, e acho que quero continuar, prestando atenção nas coisas ao meu redor e, talvez por isso, às vezes, sinto o peso do mundo nas minhas costas, que estão bem doloridas, por sinal. O fato de eu ter que usar tantas vírgulas em meus textos para interpolar ideias com opiniões e achismos expõe o meu nível de ansiedade para falar tudo de uma vez só e, talvez por isso, o texto possa ficar pesado demais pela grande quantidade de informações. Agora vou começar a falar sobre o tema do post[e] propriamente dito!



 Snapchat, Twiter, Facebook, Instagram e todas essas redes sociais que surgem todos os dias têm seus lados positivos e negativos. Tirei alguns dias para perceber como os meios de comunicação, principalmente o celular (é um meio que usamos para nos comunicar, não é?) tem interferido em nossa vida diária. Isso mesmo. Na minha, na sua e até na de quem não usa o celular (alguém não usa?). Um exemplo é quando uma mula está dirigindo um carro ou até uma moto, acreditem, UMA MOTO, e fica no celular. Mas não é falando, porque o celular, hoje em dia, não é mais feito para falar, mas sim TECLANDO, e de repente atropela alguém. 

Desde o momento em que o 'falar' deixou de ser a função fim do celular, passamos mais tempo olhando para baixo (a tela do celular) do que para frente. E isso se reflete em toda a nossa vida. Pode interpretar aí. E então nossa vida se passa mais no mundo virtual (onde podemos ser o que quisermos) do que no mundo real (onde estamos deixando de ser qualquer coisa). E novamente me pergunto: será que isso faz parte da evolução? Ou será que de tantos outros caminhos o ser-humano escolheu este? (Como num jogo de tabuleiro). Não gosto de pensar muito nisso porque minhas costas começam a doer ¯\_(ツ)_/¯

 MAAAAANS, há os pontos positivos e negativos. Aqui irei abordar tais pontos voltados para a relação público x privado (já falei disso antes, deixarei o link no final desta postagem para que você não se distraia). Hoje, cada vez mais, temos muitos meios para expressar nossas opiniões e outras inutilidades (sorry!), a rede social é nossa e colocamos nela o que quisermos, não vou nem discutir isso. Porém, estamos nos expondo muito e isso é bom ou é ruim? O ser humano é bem volátil, pessoas já morreram porque postaram coisas (fotos, vídeos, opiniões, talvez) e depois se arrependeram. E o que cai na net fica na net pela eternidade dos números binários. Isso tudo na medida em que estamos perdendo a empatia pelo próximo, o que acontece quando um bando de carniceiros fotografa e filma acidentes em ruas e rodovias e outros carniceiros assistem e compartilham. Na medida em que, também, não conseguimos aceitar que o coleginha do lado pode pensar diferente da gente, dentre tantos outros absurdos que, aos poucos, muitas pessoas já consideram normais (o que é normal mesmo, falando nisso?) 



 Enquanto podemos conversar com amigos de longa distância (e data) pelo WhatsApp, no mesmo aplicativo, naquele grupo cheio de gente que pensamos conhecer, vem um e coloca os vídeos de mulheres flagradas em momentos íntimos ou de uma bagaceira de acidente terrível. No mesmo app que podemos falar e passar mensagens de paz vem um e transmite ódio... não que essas coisas não aconteçam fora do app, mas no mundo digital fica fácil emitir certas opiniões. Ou você já não percebeu a diferença de certas pessoas falando na vida real e pela rede social? Pelo facebook mesmo eu consigo ficar informado sobre minha área de trabalho, meus hobbies favoritos, filmes, músicas e tudo mais que eu me interessar. TUDO. (bom ou ruim?). Recentemente criei um instagram e um snapchat de bônus. Vou relatar o que acontece comigo nesses dois, apesar do pouco tempo de uso: eu me sinto menos sozinho! Eu sei que isso é mais ou menos uma ilusão e, por favor, eu não sei de nada desta vida... É a matrix! É onde podemos ver coisas que, se pensarmos direitinho, não sabemos mais se é verdade ou se é mentira. Pensar nisso me deixa triste e minhas costas......... Mas por outro lado podemos ver imagens bonitas, podemos rir de coisas engraçadas (isso é muito, muuuito relativo). 


 Às vezes eu sou divergente sem me dar conta disso. Às vezes sou porque quero. E às vezes, na maioria delas, estou apenas alheio a tudo. Venho procurando inconscientemente, acho, por coisas que me tragam paz e serenidade, tanto nas redes sociais como fora dela. Porque sim, existem coisas que me entristecem assistindo ao jornal ou na internet, mas também existem coisas boas! E são essas em que temos que focar. :D ALELUUIIAAAHHHHHH



O link que prometi :D 
Público X Privado:  AQUI!!